A guerra do Deus morto e do Deus vivo !
Luiz Nogueira * ( É médico e escritor )

Antecedências
Sísifo, mortal astucioso, foi condenado a rolar uma pedra até o topo de uma elevação.Terminava a tarefa e a pedra rolava para baixo. E Sísifo ficava a repetir o trabalho. Diz-se que Sísifo fundou os jogos islâmicos, que são rituais da morte, jogos fúnebres, em homenagem a Melicertes. É a lógica do absurdo. Caim também matou Abel.
O Islã (Islão)
Zaratustra, o profeta do Islã, fundou a agricultura, prendendo o homem à terra. Nascia o mito do homem-lobo, aquele que permaneceu nômade, saqueando a colheita dos que cultivavam a terra. Zaratustr as palavras dos antigos profetas e fundou a religião profética. Afeganistão, Irã e Iraque estão dentro do velho Islã.
Na velha Grécia, do Período Homérico ( de Homero, autor da Ilíada e Odisséia ), a propriedade ainda é um tanto comunitário, embora já se notem certas divisões de classes sociais e do trabalho. No Período Arcáico aconteceram as divisões sociais, a apropriação dos meios de produção, e o surgimento dos Exércitos para a proteção dos mais fortes, situação que coincide com o surgimento das Cidades-Estados.
No Islã surgiram o Chá, o Rajá, o Sheik, o Rei e seus exércitos, além do Patrési chefes políticos e religiosos dos Templos, centros de negócios, de trocas, etc. Os Templos eram os Zigurates, construções que por vezes atingiram 90 metros de altura. A torre de Babel, bíblica, pode ter sido um Zigurate, uma simbologia da incapacidade de comunicação quando se viola as leis de Deus. Ali nasceu a escrita cuneiforme, dos antigos sumerianos, para se fazer a contabilidade da riqueza dos Templos. Somente mais tarde, os fenícios criaram o alfabeto, composto por consoantes. Os gregos adicionaram-lhe as vogais universalizando-o, tal hoje o conhecemos. O Islã vive dos seus profetas.
Veio a Idade Moderna, com a tomada de Constantinopla pelos turcos, 1453, e o Islã continuou como era. Por lá não passaram os ventos da formação dos modernos Estados Nacionais, da Renascença, do cisma da Igreja e nem dos grandes descobrimentos marítimos. O Iluminismo, da Revolução Francesa de 1789, também não soprou no Islã.
Os grandes blocos mundiais, modernizados, viram o Islã apenas como uma reserva de petróleo. Toleraram todo o primitivismo do Islã. Compravam seu petróleo e vendiam armas para eventuais conflitos entre seus países, com os quais mantiveram, por vezes , alianças políticas. Americanos e ingleses foram mestres em tal política diplomática e comercial com o Islã. O Chá Rheza Parlhevi, Bin Laden e Saddam Hussein foram aliados dos Estados Unidos e Reino Unido, mas também de outros países europeus e asiáticos.
Fideismo e teocentrismo
O Iluminismo, na França, foi o mais materialista dos movimentos intelectuais. Com Etiènne Bonnot de Condilacc, padre da Igreja Romana, autor do livro Tratado das Sensações. Com Julien- Offroy de la Mettrie, médico, que escreveu o Homem-Máquina. Com Paul Heinrich Thiry, Barão de Holbach, que escreveu, para a Enciclopédia Francesa, dirigida por Denis Diderot, O Sistema da Natureza ou as Leis do Mundo Físico e do Mundo Moral, com o pseudônimo de Jean-Baptiste Mirabaud, eivado do mais radical materialismo e ateísmo, negando a Providência Divina. No conjunto, eles ajudaram a derrubar a tradição de que o conhecimento somente chegava ao homem por dois caminhos: o primeiro, através da fé, o velho Fideismo da Idade Média. E o segundo, as coisas acontecento tendo Deus como centro de tudo, o velho Teocentrismo também da Idade Média, dos Estados teocráticos. O IIluminismo foi profundamente materialista, ateísta. Mas a base para o desenvolvimento de todos os ramos do conhecimento, obstados pelos freios teológicos da Idade Média. E a origem do antropocentrismo, o homem substituindo Deus nas soluções sociais. Deus foi solenizado, mas morto e entronizado como símbolo. O Islã foi refratário ao Iluminismo. Deus continuou vitorioso, e o homem seu adorador.
A dificuldade
A dificuldade é saber o que é mais contraditório: se o Islã, ou se a saga selvagem da usura capitalista mundial. Num passado remoto tivemos, em nome de Deus e da Bíblia, as Cruzadas e a Inquisição, contra os infiéis. Hoje é o terrorismo em nome de Alá, em nome do Alcorão. Tivemos o Afganistão e o Iraque. E hoje o desespero do terrorismo. Se o Islã propiciou o World Trade Center, a outra, a usura capitalista, propiciou duas guerras mundiais. Hiroshima e Nagasaki foram uma resposta a Peal Harbor. O Afganistão e o Iraque foram uma resposta ao World Trade Center. Não se ataca um império impunemente. O Choque de civilizações
Um choque que não se tentou evitar. E que atingiu proporções incríveis quando uma pequena organização terrorista atingiu o coração do Império Americano.
O povo do Islã vive na miséria. Seus chefes, reis, rajás, sheiks e chás aplicando as expropriações que fazem ao povo, nas Bolsas de Valores do mundo. Mas o povo islâmico continua fiel a Alá, em nome de quem fará qualquer sacrifício.
Israel é um enclave ocidental dentro do mundo islâmico, e apoiado pelas grandes potências que desejam dele fazer cabeça de ponte para a ocidentalização do Islã.
O socialismo, da ex-União Soviética, comportou-se igualmente ao capitalismo ocidental com relação ao Islã: negociou petróleo e vendeu armas, fazendo ali, também, eventuais alianças políticas. E não tentou mudar o Islã. O Islã continuou primitivo, fonte para reações movidas pelo terror, quando se sente oprimido e violado nos seus sagrados princípios tribais, religiosos ou econômicos. Para eles o terrorismo é justo. Para os ocidentais, uma tragédia. Agressão ocidental e terrorismo islâmico matam inocentes. A primeira se desculpa e se compadece. A segunda tudo justifica em nome de Alá.
A morte de Deus
O Ocidente matou Deus, sepultou-o com todas as honras embora ainda lhe reserve certo ritual de respeito, e em seu lugar colocou o homem, o antropocentrismo dos iluministas. O calvinismo, de Calvin, criou um Deus compatível com os negócios dos homens. o Islã manteve o seu Deus vivo, aumentando suas crenças em Alá. Essa é grande diferença entre ocidentais e islâmicos.
Em A Grande Virada do Socialismo, Roger Garaudy nos mostra que o homem violou três infinitos. O infinitamente pequeno: ao domar o átomo e liberar a sua energia; o infinitamente grande: ao transpor as barreiras da Terra, viajando pelo Cosmo; o infinitamente complexo: criando a era cibernética. Assim, " Uma revolução da ciência preparou uma revolução pela ciência". Mas o homem não definiu uma doutrina para a felicidade social. Capitalismo e Socialismo estão em débito. Mas o Islã também.
Inacreditável
É a luta entre o Deus morto embora solenizado, ocidental, e o Deus vivo e venerado, oriental. Tudo mediado pelas guerras, tendo como lastro os grandes negócios dos Patresis do Islã e dos magnatas do capitalismo mundial.
Até quando continuaremos Sísifos, realizando a mesma tarefa, eis a questão ! As olimpíadas fúnebres do Islã precisam ter um fim !
Luiz Nogueira
Jornal Política e Negócios – Abril de 2004