Até então, de todos os objetos o mais interessante era aquele redondo. Bonito, brilhante, com dois filamentos, um mais curto e outro mais longo, correndo um sobre o outro, com suas extremidades passando por cima de números, sobre um fundo azul, parecendo uma coisa viva.

    Caprichosamente feito, despertava curiosidade.Principalmente do Burro. O Rato já sabia do que se tratava, embora jamais houvesse se detido em entender o seu significado, daí que afirmou tratar-se de uma relógio, provavelmente. Só achava estranho que fosse tão pequeno. O Burro preferia o silêncio, e sempre respeitava o Rato quando ele falava primeiramente que ele.

    No fundo, o Burro gostava mesmo era de serviços pesados. Muitas vezes cochilava durante as aulas que o Professor Corujão.

    O Professor Corujão confirmou que se tratava mesmo de um relógio, só que de pulso. Especial, porque também marcava horas, minutos e segundos. E que na verdade aqueles filamentos recebiam o nome de ponteiros. E que o de maior velocidade marcava os segundos. Mas, quando examinou o relógio com mais cuidado chegou a conclusão de que ele também marcava décimos de segundos, talvez usado apenas por homens especiais, talvez os pilotos. E exclamou:

    – É um objeto para marcar o tempo, uma coisa que os homens ainda não entenderam. E por isso vivem a persegui-lo, nas suas menores frações. E nessa perseguição os homens estão desaprendendo o que é viver. Suas tarefas são medidas por frações de tempo. Tanto quanto menor for tempo reservado para uma tarefa, mais bem realizado o homem, e será considerado vitorioso não importando nem a perfeição nem a essência da tarefa.

    Depois de longa respiração o Professor Corujão voltou a falar:

    – Talvez eles somente saibam fazer as coisas em horas exatas. Por exemplo: 8 horas, 9 horas, etc. Ou então como em Hiroshima, cidade que eles explodiram com uma bomba terrível, as 8 horas, 30 minutos e 17 segundos.

                                                                                                          

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