O Rato e o Burro pareciam confusos, com aquele papel cheio de desenhos em várias cores. Já haviam visto algo semelhante. Mas aquele parecia-lhes mais completo, mais preciso, um tanto mais caprichoso. E era certo, pensavam, que poderia ser uma coisa para orientação.

    O Professor Corujão acomodou o mapa contra a luz da janela. Olhou-o, atentamente, e confirmou que de fato era um mapa para orientação. Mas um mapa de rotas aéreas, que servia para os pilotos de avião. Mas, como os demais, continha mares, florestas, rios e montanhas, os grandes referenciais da terra. E até mesmo a direção dos ventos. Que sabia daquilo porque havia lido tudo nos livros dos homens. Os pilotos, em seus vôos, não  podiam dispensar aquele mapa. E continuou:

    – Os mapas dão segurança. Orientam. Mostram os rumos certos...

    O Burro, desconfiado, falou:

    – Todos os rumos, com certeza ?

    O Professor Corujão ponderou:

    – Provavelmente todos. Mas há um mapa que os homens não conseguiram fazer, ainda: é o mapa da alma. Do espírito. E será, talvez, por isso, que eles vivem desencontrados, inquietos. E sempre buscando as coisas verdadeiras exatamente onde elas não se encontram...