O Professor Corujão ria enquanto o Rato e o Burro experimentavam e brincavam com os óculos do homem, o piloto desacordado, uma espécie de óculos inteiramente diferentes, sobretudo os azuis e brancos E sobretudo aquele grandalhão, com uma alça que parecia servir para prendê-lo em volta do pescoço. A verdade é que o Burro estava vendo tudo azul, e o Rato estava vendo tudo verde. E quando o Rato experimentou aqueles óculos grandes, então, foi como se estivesse vendo mais distante.

    O Professor Corujão ria, mas terminou por falar:

    – São óculos. De várias cores. Diferentes do meu, que sempre lhes despertou curiosidades. Curiosidades que jamais lhes expliquei. Os meus servem apenas para minhas leituras, pois sou míope. Foi-me dado de presente pelo pombo, que o tirou aos homens. Mas estes aí são coloridos, mudando até mesmo as cores do mundo. O grande, com aquela alça, é usado apenas pelos aviadores, e tem a finalidade de proteger os seus olhos contra as poeiras e os ventos.

    O Burro não se conteve:

    – Quer dizer então que os homens podem mudar as cores do mundo ?

    O Professor Corujão riu:

    - Ao menos por detrás das lentes. Mas o mundo permanece inalterado, nas suas cores originais. Mas eles ficam satisfeitos com as suas fantasias. Existem óculos de todas as cores e para todas as fantasias. Uns têm lentes poderosas, que diminuem as distâncias, desde as simples lunetas até os mais poderosos telescópios - que vêem as estrelas e os planetas mais distantes, o que deve ser muito bonito. Mas existem coisas que os homens não conseguem ver.

    O Rato não se conteve:

    – Por exemplo...

    O Professor Corujão olhou para o Rato e continuou:

    – O amor. O amor por todas as coisas do mundo. E que talvez não possa ser visto através dos óculos, das lunetas, dos microscópios.

    O Burro, desolado, comentou, como se estivesse falando para ele mesmo, de modo quase inaudível:

    – Se com todos esses aparelhos eles ao menos pudessem ver o mal que estão causando ao planeta onde vivem !...