Antes de responder, o Professor Corujão retirou os óculos e riu. Depois, calmamente, falou:

    -– Nós o soltaremos por várias razões. Mas principalmente porque ele vai acordar e não teríamos como acomodá-lo. E depois, porque no rastro de um homem perdido há sempre outro que o procura. No rastro de um homem que sofre há sempre outro como causa do seu sofrimento. No rastro de um homem cheio de esperança há sempre outro cheio de inveja. No rastro de um homem que pensa há sempre outro preocupado em lhe destruir os melhores pensamentos...

    Por um momento o Professor Corujão parecia divagar, sonhar. Mas continuou:

    – ...deve haver um elo universal entre os homens. Eles nunca estão sozinhos, o que não quer dizer que não possam experimentar a sensação de solidão, por vezes...

    O Rato e o Burro estavam calados, a tudo ouvindo atentamente.

    O Professor Corujão continuou:

    – ... nesse elo de ligação pode residir a força dos homens.

    O Rato , balançando a cabeça, concordou com o Professor Corujão. E completou:

    -– Dever ser. Depois que começamos a nos agregar em torno do senhor observo que estamos mais unidos e mais protegidos. O elo de que o senhor nos fala também está surgindo, entre nós.   

O Professor Corujão estava muito sério, e apontou para o homem:

    – Aquele homem talvez fizesse uma viagem de rotina. Mas também poderia estar fazendo uma viagem muito especial. E seria muito importante que ele despertasse o mais rápido possível, para que nós pudéssemos saber alguma coisa, uma oportunidade que poderá não se repetir tão cedo, pois os outros homens devem estar a procurá-lo...

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