Naquele momento o homem despertava, perguntando onde se encontrava e o que ali fazia, ao verificar que estava todo amarrado numa cadeira. E custou mesmo a acreditar que os animais não fossem homens disfarçados. Convencê-lo do contrário, compreendeu o Professor Corujão, não haveria de ser uma tarefa fácil, e que se complicava porquanto os animais falavam do mesmo modo que o homem. Foi muito difícil, para o Professor Corujão, explicar que haviam aprendido a linguagem dos homens com o papagaios que os haviam  abandonados, cansados e aborrecidos do tratamento que deles recebiam. E que, depois tudo, foi ficando mais fácil na medida em que as raposas roubavam livros dos homens e os traziam para a biblioteca que ele, o Professor Corujão, havia organizado. Depois, explicava o professor, tudo foi ficando mais fácil. E explicaria, com toda a modéstia, que tinha sido privilegiado no tocante a certa inteligência, o que lhe permitiria evoluir nas suas leituras, meditações e compreensões, coisas que terminaria passando para os demais, criando um pequeno mundo no qual a organização havia sido fundamental.

    O homem estava perplexo, pensando se tratar de outros homens encapuzados, como nas salas clandestinas onde os homens torturam uns aos outros em busca de alguma descoberta, algum segredo, sempre que há um jogo feroz capaz de lhes ameaçar o poder.

    O Professor Corujão não se mostrou impressionado com a desconfiança do homem e insistiu:

    – Você vai ter que me esclarecer algumas coisas, muito úteis. Não lhe faremos nenhum mal. Os seus segredos não nos interessam. Mas tão somente conhecer um pouco mais do que vocês vivem fazendo por aí, alhures, mais das vezes. E não há como fugir ao mínimo que lhe perguntaremos.

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