Ainda pensativo, o Professor Corujão olhava atentamente para o homem. Depois lhe perguntou:

    – Vocês não disporiam de um meio mais seguro para levar uma mensagem de tal importância ?

    O homem se mostrava embaraçado. Dizia coisas e coisas. Falava sobre o Código Morse, sobre o telefone. Sobre os computadores, capazes de enviarem mensagens através dos satélites. Dava explicações sobre cada coisa de que falara. Desdobrava-se em falar sobre os meios de comunicação mais evoluídos do planeta. E depois, quase exausto, parecia querer dizer alguma outra coisa, fato que aguçou a curiosidade do Professor Corujão:

    – Estranhíssimo que, com tantos meios mais sofisticados, você se utilizaram de um meio de altos riscos.

    O homem não se conteve:

    – Foi o meio convencionado. O convencionalismo, entre nós, é muito forte, infelizmente...

    O Professor Corujão parecia decepcionado:

    – Uma pena, meu caro amigo. Pelo o que você se esforça em me afirmar, os meios mais sofisticados também poderiam falhar.

    O homem retomou o fôlego:

    – É verdade. Mesmo o computador, o meio mais moderno, poderia ter uma mensagem tanto alterada como destruída, por uns artifícios que costumamos chamar de "vírus de computador"...

    O Professor Corujão estava muito sério:

    – Já li algo a respeito de vírus. Mas daqueles que atacam os animais, e acho que também as plantas. Nada sobre estes novos vírus aos quais você se refere. Mas o essencial, me parece, é que o convencionalismo, entre vocês, supera os melhores momentos da tecnologia. Ou estou enganado?

    O homem confirmou que sim. Mas logo ficou inquieto, outra vez , falando:

    – Se ao menos houvesse confiança entre os homens...

    O Professor Corujão deu sinal de inquietação:

    – Até agora não falamos sobre o prazo para a entrega desta mensagem. Nem sobre o local para onde seria entregue, coisas mais importantes, para nós, que examinarmos o problema da confiança entre os homens.