Tanto os animais quanto o homem davam sinais de inquietação. O Rato se adiantou:

    – Você diz que não tem lado. Que é do Corpo de Paz. Não nos informa de onde vem nem para onde vai. Diga ao menos para onde estava indo.

    O homem olhou o horizonte e apontou para as montanhas azuis, perfiladas, e após as quais estaria o País da Luz Dourada, afirmando que ia para ali, conduzindo a mensagem. De lá ela seria transmitida para todo o mundo, ensejando a paz entre os homens de boa vontade, silenciando os de má vontade.

    O Professor Corujão deu sinal de inquietação:

    – A paz é coisa muito complicada, pelo que entendendo.

    O homem tentou uma explicação:

    – Não apenas complicada. Mas episódica, pois mal conseguimos alguma paz e logo novos conflitos começam a tomar forma. Esta, da mensagem, poderia ser um tanto mais longa. Os homens já compreenderam a grande capacidade de destruição que atingiram, através das tecnologias mais sofisticadas. A tecnologia, finalmente, poderá acordar o homem dos seus sonhos de poderes intermináveis.

    O Professor Corujão interveio:

    – A tecnologia, quem diria, em lugar da ética e do humanismo é quem dará uma grande lição aos homens. Ou estou enganado?

    O homens parecia exausto:

    – Infelizmente não. E eu estive tão perto de terminar minha missão.

    O Rato, meio assustado, falou para o homem:

    – Nós temos pombos que conhecem o mundo inteiro. Eles aqui chegaram e ficaram, aborrecidos com a convivência com os homens. E muitos deles foram treinados e usados durante as guerras dos homens. Quem sabe, um deles poderia levar a tal mensagem se ainda houvesse tempo.

    O homem deu um claro sinal de esperança. E passou a perguntar sobre o tempo que passara desacordado. Outrossim, que velocidade um pombo seria capaz de atingir. Feitas as contas, o homem verificou que ainda poderia salvar sua missão, enviando um pombo com a cápsula. E se mostrou muito alegre, exclamando:

– Ainda há tempo. Tragam-me o pombo, por favor.

    O Professor Corujão fez um gesto para o Burro, que saiu da sala com muita pressa.

                                 fig23.jpg (11068 bytes)