Um frasquinho despertou a curiosidade de todos. O Professor Corujão leu o rótulo, onde estava escrito "Tranquilizante". E depois a indicação: tome dois por dia, um de doze em doze horas.

    O Rato perguntou para que serviam aquelas pedrinhas, ou bolinhas. E o Burro também perguntou que utilidade poderiam ter aquelas pedrinhas para os homens.

    O Professor Corujão ponderou que havia lido alguma coisa sobre as tais pedrinhas, Mas que elas não eram simples pedrinhas. Mas substâncias calmantes, capazes de melhorar as ansiedades dos homens. Na verdade, repetia o Professor Corujão, as pedrinhas são chamadas de comprimidos, e também de drágeas, de outras vezes.

    O Rato estava pensativo e perguntou:

    – O que quer dizer, exatamente, "Homo Sapiens", algo que já vi escrito nos livros dos homens, mas numa estranha linguagem? E insistiu dando a entender que se tratava de homem sábio.

    O Professor Corujão respondeu:

    – Parece que os homens gostam e precisam da angústia, das inquietações. E talvez não possam passar sem elas. Se não as encontram mais perto, procuram-nas em lugares mais distantes. E mesmo assim, se não as encontram, então, apelam para as suas capacidades criativas: inventam angústias e inquietações.

    O Rato e o Burro estavam quietos. E o Professor Corujão continuou:

    – Vejam esse aí, que veio de tão longe. E quando os homens encontram as angústias e inquietações, então, fabricam os tranqüilizantes, esses comprimidos mágicos que os projetam numa outra realidade, a realidade da fuga, o que, de certo modo, deve ser outra forma de angústia : a angústia de fugir da angústia...

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