Lembrando Carlos Moliterno em mais um ano de sua morte
Soneto da Viagem
Sobre as ondas, afoito, direcionou a quilha
e abriu, venturoso, as velas do veleiro,
que longe havia, além da fantasia, a Ilha
que nele incendiava o astuto timoneiro.
Foi que era Sol na hora da viagem,
pois o poeta, sempre irmão da claridade,
nutria-se, astuto, da luz e da miragem
com as quais teceu a sua eternidade.
Nem tanto o inquietava a hora de chegar:
Antegozava, sim, a vertigem da viagem,
que viver também lhe era parar de navegar,
num dia de tempestade, ou numa noite de luar.
Daí, ter avistado na ILHA uma paragem:
se o continente o entediasse. E precisasse amar !
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Maceió, 20.05.1998 - Republicado no octagésimo-sexto aniversário de
Carlos Moliterno, em Maio de 2000