Luiz Nogueira Barros
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POESIAS
21/11/2009 - 18h36min
Rquien para Mayakovsky
( ou contra-poema do amor cativo )
Fonte: Luiz Nogueira Barros
E foi dessas colunas, num certo dia de flautas vertebradas,
Do poema "Flauta Vertebrada", de Mayakovsky,
que de tantos cantos entoarem sobre as dores do amor
que o crnio do poeta se elevou em taa
e vinho aspergiu em honra das amantes mortas,
para a tristeza das Silfides ,
ainda vagueando soturnos e noturnos cemitrios.
. E jamais daquelas outras, de Atlas
- que sustentavam o mundo
que entre os homens e mulheres
malgrados os triunfos e blasfmias,
deitou razes e floresceu o amor
nos bosques onde ninfas e funos
ouviam sons de flautas mgicas.
E foi que Deus,
temeroso de blasfmias mas prudente,
fez do amor um cativeiro.
E fez do homem um Prometeu Acorrentado,
e fez da existncia um penhasco sobre as guas,
e fez do calor de certos seios imprevistos
nos roteiros delirantes das paixes humanas,
fonte nica do amor dos peregrinos dessa arte.
E disse:
- Carregars o peso que te atormenta,
tal a leviandade com que pensaste e temeste
o verdadeiro e nico amor !
E foi, tambm, e a, que o poeta Maiakovski,
temente ao amor-nico como fim ltimo da existncia,
blasfemo, insone, sem companhia na noite,
o peito ardendo tal o inferno
na noite fria de Nevski,
o pensamento incandescido,
pedindo a Deus ser amarrado cauda de um cometa
para em seu giro se estraalhar nos dentes das estrelas,
ou ento ver na Via Lctea a forca merecida
onde Deus o esquartejasse,
que o grito primitivo saiu do fundo
de uma alma amargurada pelo medo
e pela negao de um Ser Supremo:
- Mas afasta, Deus, de minha vida,
a que me escolheste como a verdadeira amada !...
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