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CONTOS




21/11/2009 - 16h12min

Pedro Baia

Terminadas as festas Pedro estava desempregado...

Fonte: Luiz Nogueira Barros - nogueirabarros@uol.com.br

(Verdadeiramente, Pedro Baia no apenas aquela figura popular santanense. uma mistura de muitos Pedros que conheci, como criana criada no serto e, depois, como mdico, durante os anos que trabalhaei em vrios interiores. Portanto, uma montagem.)

ooooooooooooooo


No se sabia da sua origem. Indagado, respondia misteriosamente:

-O mundo grande! O mundo grande!...

Pedro Baia comeou pintando a mesma paisagem nos muros da cidade: uma campina com uma vegetao rasteira onde corria uma ema, com as asas abertas semelhando levantar vo, tendo ao fundo suaves montanhas.

Incomum, a pintura de Pedro despertou o interesse de todos, dividindo opinies. Mas a maioria no tinha dvidas:

- um grande pintor!

E logo Pedro conseguiu trabalho, pintando as casas para as festas de Natal e Ano Novo. Era visto cantarolando, feliz, nos degraus das escadas. Conseguira trabalho e um novo nome: de Pedro Baia havia passado a Pedro Ema, nome que de incio no lhe incomodava, soando-lhe como uma homenagem. Mas com o tempo Pedro foi se tornando um homem amargurado, sobretudo quando o seu nome era gritado em coro, por bandos de meninos-moleques, em todas as ruas. Socorrido pelas pessoas de bom senso Pedro ouvia:

- Bobagem Pedro, uma questo de inveja.

Pedro ficava feliz e prosseguia. Mas h sempre uma esquina na vida dos amargurados. Ao dobr-la, Pedro ouvia dos meninos, endiabrados, e s vezes de alguns adultos:

- Pedro, cad a ema?

E Pedro meditava, em sua tristeza:

- Vou parar de pintar!

Terminadas as festas Pedro estava desempregado.Mas chegava a festa de Senhora Santana e o Seu Edmundo, chefe do leilo da santa, colocou Pedro para vender as oferendas, nas noites da festa. Numa noite Pedro gritava:

- Quanto me do por esta dzia de ovos, quanto me do?

E l estavam os meninos acompanhando Pedro:

- Pedro, ovo de ema ou de galinha?

Aborrecidssimo, Pedro jogou os ovos sobre os meninos. Perplexo, o Seu Edmundo retirou uma cana de aucar da barraca da santa e a desferiu sobre a cabea de Pedro, que desmaiou.

Um dia Pedro foi trabalhar na casa do Padre Bulhes, cuidando de animais. Fez-se amigo de um macaco. Ao fim de algum tempo conseguiu convencer o padre de que poderia ganhar algum dinheiro na feira, pois o macaco havia aprendido os truques que ele lhe houvera ensinado. E, num dia de feira, o padre houve que pedir ao delegado para relaxar a priso de Pedro, e tambm a do seu macaco que, irritado, durante o espetculo, havia distribudo mordidas a um sem nmero de pessoas.

O prefeito da cidade, atendendo a um pedido do padre, colocou Pedro para trabalhar na construo do novo cemitrio do bairro Camoxinga, ao p do maico da Serra do Poo - sobra do desmonte da Serra da Borborema, acontecimento a por volta de quatro milhes de anos e por conta das intempries.

Pedro j era um homem agressivo. As pessoas desconfiavam da sua mulher, uma jovem na flor dos anos e que Pedro ainda no havia engravidado. Tanto que, agora, Pedro era chamado de Pedro Capo, um apelido que o magoava.

Numa tarde, pela proximidade da casa de Pedro do campo de futebol, a torcida gritava:

- Pedro Baia Ema Capo me d um tosto...me d um tosto!

Pedro ouvia e sabia que se referiam sua mulher. Pegou da espingarda e foi para o mato. De volta, ao final da tarde, torcedores retardatrios bebiam num boteco. Ao avistar Pedro um deles se aproximou e gritou:

- Pedro Baia Ema Capo me d um tosto...me d um tosto!

Pedro recuou. Armou a espingarda. E um estampido seguido de fogo e fumaa esfacelou a cabea do torcedor...

Anos depois, bastante envelhecido, Pedro saiu da cadeia. E l estava a sua mulher a esper-lo, um tanto envelhecida, j com algumas rugas ainda claras. E os dois seguiram, de mos dadas, pelas ruas de pessoas silenciosas. E atingindo o extremo da cidade, j na estrada, destamparam-se no "co do mundo, como se costumava dizer para com os de origens e destinos incertos...





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