Luiz Nogueira Barros
   
   
 nogueirabarros35@gmail.com  
.
         
Luiz Nogueira Barros
   

_____________

. Principal

. Notcias

. Entrevistas

. Crnicas

. Contos

. Poesias

. Ensaios

. Fbula

. Teatro

. Fallas
  Provinciais

. Governadores
  da Repblica

. Mensagens
  Presidenciais

. 2 Grande
  Guerra

. In memoriam

_____________

. Macei

. Manifesto dos
  Estudantes

. Sesso Solene
  de Instalao
  da Ufal

_____________

. Sobre o Autor

_____________

 
 



Visitantes:

contador de visitas

 

CONTOS




21/11/2009 - 16h13min

Seu Moreninho

O seu cachorro tinha o mesmo defeito...

Fonte: Luiz Nogueira Barros

Dono de uma das farmcias da cidade, Seu Moreninho era sempre um homem brincalho e disposto a uma boa conversa. Eternamente de bom humor, tinha um andar defeituoso devido a um problema na perna esquerda. Costumava dar gargalhadas porque o seu cachorro tinha o mesmo defeito. E ria dele mesmo e do cachorro. Era a imagem da pessoa de bem com a vida, sempre solidrio com todos. Tocava a vida fazendo amigos. Nas horas vagas substitua o mdico da cidade "prescrevendo" medicamentos. Na dvida, obrigava o paciente a procurar doutor Arsnio, o velho mdico que viera dos lados da Bahia e com quem fizera grande amizade, afirmando:

Agora procure o doutor .Arsnio.

Num jogo do meu time, O Sete de Setembro (do grupo escolar), cujo tcnico era Jos Gonalves (Zezinho), tive o brao quebrado por uma "escora" de Z Galego, do time dos homens, dirigido por "Seu" Lucena. Fui atendido por "Seu" Moreninho, uma vez que o doutor Everaldo, o novo mdico, no estava na cidade. Meu brao foi enrolado com ataduras recobertas de "elixir sanativo". Dia seguinte doutor .Everaldo me atendeu. Encaminhou-me para Palmeira dos ndios, onde fui atendido pelo doutor Remi Maia, que nada fez e me devolveu (com a radiografia da fratura) para o doutor Everaldo. Por falta de gesso tornei a voltar ao doutor Remi. Finalmente tive o brao engessado. Numa das viagens vomitei o carro do "Seu" Dota, um homem conhecido como cuidadoso, quase po-duro. Armou-se uma mal-estar. Meu pai ameaou comprar-lhe o carro. Depois se acalmaram. Apesar de tudo eu estava feliz porque o jogo havia sido "empate" com o time dos homens, para o espanto geral. Na manh seguinte, Thomazinho desenhou Zezinho (numa cartolina) imitando o "O Pensador", de Rodin, defronte a "Seu" Lucena usando uma "chupeta" pendurada no pescoo como se estivesse chorando. O desenho foi exposto no bar de Antonio de Marcelon.

J sem o gesso passei a fazer massagens com "Seu" Moreninho. E de outras vezes com o prprio doutor Everaldo. E foi um dos seus livros "Os Caminhos de um Cirurgio" (que li de emprstimo) que definiu a minha vocao para mdico. Era a histria de um cirurgio italiano que fizera carreira na Inglaterra.

Mas a cidade crescia e um dia tivemos outro mdico de nome Oswaldo que, coincidentemente, tambm tinha um defeito da perna, tal o "Seu" Moreninho. Diferentemente dos doutores Arsnio e Everaldo, esse novo doutor Oswaldo no era homem para intimidades. Bastante mope usava culos que mais pareciam fundos de garrafa. E jamais tirava o seu chapu. Nunca era visto sem palet chovesse ou fizesse sol, diferentemente dos seus colegas, mais das vezes vistos usando camisas. E a cidade no teve boa vontade com relao sua beleza do novo doutor Oswaldo.

Algumas vezes o "Seu" Moreninho j havia sido chamado a ateno pelo novo doutor. E brincar com "Seu" Moreninho, doutor Oswaldo no sabia, poderia no ser boa coisa. Tanto que, um dia, aps interpelar "Seu" Moreninho ele ouviu, perplexo:

Perfeitamente, colega, no vou mais passar medicamentos para ningum!

Espantadssimo, o doutor .Oswaldo retrucou:

No estou lhe entendendo: colega? Que histria essa de colega?

O ambiente ficou tenso. A conhecida capacidade de improvisar, em horas crticas, fez com que "Seu" Moreninho olhasse para o doutor Oswaldo com seriedade. Depois, pensar um pouco e responder-lhe:

No se afobe, doutor. coleguismo de feira. S isso!



Gazeta de Alagoas, 04. 4. 93





Não foi possível realizar a consulta ao banco de dados