Luiz Nogueira Barros
   
   
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CONTOS




21/11/2009 - 16h15min

Tenente Aquino

Santana do Ipanema, sediava o Quartel-General do Comando de Caça a Lampião

Fonte: Luiz Nogueira Barros

Passando pela rua, franzino, imberbe e jovem, Aquino não dava a impressão de um homem amargurado. Mas o seu olhar era triste e parecia procurar alguma coisa vaga e situada num passado doloroso. Numa longínqua manhã, Português, famoso cangaceiro do bando de Lampião, havia tomado a fazenda do seu pai, e ele, ainda menino, gravaria as cenas de selvageria do pequeno grupo de cangaceiros.

Mal completou dezoito anos Aquino procurou o coronel Lucena, pedindo-lhe ajuda para ser admitido na polícia. Foi aceito. A cidade, Santana do Ipanema, sediava o Quartel-General do Comando de Caça a Lampião. O próprio coronel, um dia, havia sido o matador do pai de Lampião e, agora, comandava as "volantes" que se embrenhavam pelo mato atrás do famoso cangaceiro. E sabia que Português, apesar do seu pequeno bando, era perigoso e capaz de tudo.Tanto que, havia assassinado o pai de Aquino, deixado seus "cabras" violentarem mulheres, roubarem armas e dinheiro, além, era claro, de haver mandado matar animais que lhe serviriam de alimento durante fugas e caminhadas pelo mato.

Por vezes Aquino era visto jogando sinuca no bar do Seu Vandir, que havia sido incoporado às forças militares que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Por aquilo, Seu Vandir tinha um halo de mistério e heroismo que o cercava, além do fato de ser um seresteiro e nas noites de luar mexer com o coração das moças cantando uma canção inesquecível:( Talvez alguém me esteja ouvindo / ao som desta linda canção lamentos de uma grande dor / de que fala o meu coração...)

Observado pelos amigos, enquanto jogava sinuca, Aquino revelava haver sido o único que não havia chorado durante o acontecimento na fazenda do seu pai, morto porque não tinha muito dinheiro após chegar de viagem na qual havia comprado algumas cabeças de gado. E falava da irritação de Português, por ele não haver chorado durante a morte do pai. E de uma frase de um dos “cabras” de Português:

– Mate a cobrinha, que ela pode crescer e lhe morder.

E que, num acesso de fúria Portugês havia respondido:

– O meu veneno é mais forte.Vou esperar. Fosse um cabra maior eu matava agora mesmo. Mas é só um menino...

Fazia anos Aquino participava de "volantes" que combatiam os cangaceiros, sem se defrontar com o bando de Português. Sabia que teria de matá-lo em combate, antes que ele se entregasse à Justiça, que teria obrigação de protegê-lo, conforme ouvira do coronel Lucena.

Apesar do insistência em participar das “volantes”, seu esforço até então havia sido em vão. Com a morte de Lampião, a maioria dos cangaceiros estava preferindo se entregar, negociando algum acordo com a polícia, uma vez que haviam perdido o grande protetor, causando inquietação em Aquino.

Um dia ele jogava sinuca, no bar do Seu Vandir, quando alguém chegou e lhe disse:

– Português acabou de se entregar. Está no quartel.

Aquino soltou o taco e tomou aquela direção. Português ainda aguardava, no páteo, a chegada do coronel Lucena para se entregar. Ladeado por alguns “cabras” Português empertigou-se quando Aquino, movido por vaga lembrança, o inquiriu :

– Você é o Português?

E Português respondeu empertigado e debochado:

– Sou. E sob a proteção da lei. Por quê?

Aquino afastou-se e lhe disse:

– Eu sou aquela cobrinha que você não matou, quando matou o meu pai, naquela pequenina propriedade onde seus cabras violentaram mulheres e roubaram gado.

Em questão de segundos Português tombou, com o peito e o rosto ensanquentados, estertorando, embora ainda houvesse tido tempo de sacar o seu revólver.

Aquino foi preso e enviado para a capital, a fim de responder a processo. Anos depois foi promovido a sargento. E depois a tenente...

Gazeta de Alagoas-25. 02. 93





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