Luiz Nogueira Barros
   
   
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CONTOS




21/11/2009 - 16h47min

"Seu" Lourival"

A matutada ficava extasiada com aquele homem de cabelos amarelos e olhos azuis

Fonte: Luiz Nogueira Barros

Poucos homens eram conhecidos pela matreirice como o Seu Lourival. De razovel porte fsico, alm de "galgo", em muitas ocasies se deleitava em enganar pessoas tolas, com um sotaque estrangeiro enrolado, e que traduzido no significava nada. A matutada dos distritos, das feiras e dos pequenos restaurantes de beira de estrada, ficava extasiada com aquele homem de cabelos amarelos, olhos azuis e exmio tocador de piston. Bomio, Lourival perdia noites em farras acompanhado por um ganso domesticado. Numa das farras, quando faltou tira-gosto, o ganso foi sacrificado e serviu de repasto aos bomios. Durante uma procisso, o bolso de algum estava furado e deixava cair moedas. Lourival se abaixava, parava de tocar deixando o padre Bulhes aborrecido, apanhava as moedas e as guardava no bolso, e voltava a tocar, criando verdadeira confuso entre os msicos. E ainda se falava que, em vrias ocasies deu belssimas carreiras mato a dentro quando descoberto em suas "estrangeirisses". Fiscal da Prefeitura, Seu Lourival fiscalizava no se sabia bem o qu. Era irmo de um rico e influente comerciante, o que o salvou de grave aborrecimento quando, numa farra, colocou uma gravata na esttua de D.Pedro II, na pracinha central de Santana do Ipanema.

Afora tais peraltices, Seu Lourival era um bom sujeito. Tanto que "Seu" Z Quirino, rico comerciante da cidade, terminaria por aceit-lo para um servio especial. Aps o balano da sua loja, seu gerente, o "Seu" Joo Yoy , mostrou para Z Quirino o montante de dvidas num livrinho do "fiado". Z Quirino deu de ombros:

Isso coisa perdida !

Gerente dedicado Joo Yoy insistiu:

Claro que no! E tenho um homem indicado para receber.

Mas quando falou no nome de Lourival Z Quirino ficou srio:

Mas logo o Lourival!

Depois, mais calmo, ordenou a Joo Yoy fazer a tentativa. Quando Seu Lourival chegou Z Quirino foi claro:

- Dou-lhe a metade da dvida se voc conseguir receber essas dvidas.

Seu Lourival no vacilou:

Aceito. D-me o livrinho e uma autorizao.

Nas semanas seguintes Seu Lourival somente era visto aos sbados e domingos, trazendo porcos, cabritos, perus e outros animais. Por vezes, saa durante a madrugada para alguma farrinha. Mas era s amanhecer o dia e sumia na estrada. O fato comeou a incomodar Z Quirino porque muitas pessoas j lhe perguntavam, com ironia, sobre o "trato" com Lourival. Dois meses depois, impaciente, Z Quirino foi ao encontro de Lourival mal ele havia acabado de tomar um banho, preparando-se para mais uma farrinha das suas madrugadas. Surpreendido, Seu Lourival no teve como evitar o amigo que dava mostras de impacincia:

Ento, Lourival? J se passaram dois meses e voc no me aparece. A dar ouvidos s pessoas parece que a sua tarefa no vai to mal assim!

Seu Lourival olhou para Z Quirino e falou:

J devia ter aparecido, verdade!

Z Quirino foi objetivo:

Claro que sim! E no estou lhe entendendo!

Seu Lourival no perdeu a calma:

O diabo que somente tenho conseguido receber a minha metade das dvidas. Mas assim que receber a sua metade vou aparecer...

Z Quirino pediu de volta a "autorizao para o recebimento da dvida" e o livrinho de anotaes das dvidas, encerrando os servios de Lourival...


Gazeta de Alagoas 03.1.93





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