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CONTOS




21/11/2009 - 16h50min

Os retratistas: "Seu" Constant

Assim eram chamados aqueles homens que faziam os retratos das pessoas...

Fonte: Luiz Nogueira Barros

Assim eram chamados aqueles homens que faziam os retratos das pessoas. Eles eram a garantia de uma posteridade na qual elas podiam rever as suas juventudes. Em volta deles, havia uma certa magia. As pessoas se preparavam, solenemente, para aquele instante da eternidade. E eles, mágicos, tinham sempre a mesma frase para chamar a atenção dos seus personagens:

– Atenção! Olhe para a câmara !

E quando se tratava de criança:

– Olhe o passarinho!

E logo um clarão, vindo de um "flash", iluminava os que sonhavam com a posteridade. Depois daquilo os sorrisos eram mais que naturais. E até os abraços.

"Seu" Constant, e sua velha máquina, durante anos registraram as pessoas para a eternidade que elas sonhavam. Morava defronte a Igrejinha do Monumento, onde as cabeças dos "cabras" de Lampião, separadas dos corpos, haviam sido expostas. Não há cidade, nem do interior nem do mundo , que possa passar sem o seu retratista. O retrato é a garantia da posteridade e o retratista o seu autor.

Mas um dia chegou outro retratista. E foi morar numa velha casa um pouco abaixo do "sobradão" onde morava Dr. Otávio, aquele homem de estatura incomum, altíssimo, louro, parecendo um ser de plagas longínquas. Invariavelmente de chapéu e terno, doutor Otávio usava óculos devido a acentuada miopia. Houvera chegado para dirigir o Fomento Agrícola. Era espantoso ver aquele homenzarrão passar sempre solene e estranhamente sério. Suas filhas, lindas e louras, gostavam de ficar na varanda do "sobradão". E despertavam a admiração dos meninos que, debaixo dos pés de " Ficus Benjamin ", da Praça da Matriz, deleitavam-se com aquelas tranças longas e aqueles olhos azuis, emoldurados por uma varanda colonial, privilégio singular numa cidade onde as casas estavam todas ao " rés-do-chão" e as outras moças se contentavam com as janelas. Uma delas, Nídia, lá da sacada do sobradão, era nossa colega de ginásio e irradiava uma alegria contagiante.

O novo retratista precisava de afirmação, vez que "Seu" Constant era o retratista das elites. E assim houve que buscar as feiras-livres para o início das suas atividades como "lambe-lambe". Só mais tarde descobriu um meio de atrair as pessoas. Primeiro os meninos, com um "concurso de pose" e para o qual distribuiria, como prêmio maior, um "postal", entendido como uma foto em tamanho ampliado. Desde, era claro, que a nossa "pose" ficasse igual àquela que ele nos mostrava numa foto colorida. Pouco demorou e muitos de nós ali estivemos para o tal concurso. Ao final tivemos mesmo que comprar muitos retratos, inclusive postais, porque não houve vencedores. Decepcionados mas satisfeitos, ninguém poderia se pensar " mais posista" que o outro. No meu postal, que ainda conservo, estou com uma camisa (amarela) de xadrez. E era impossível condenar o retratista, pois ninguém havia conseguido repetir a pose do homem daquela foto que nos havia sido mostrada, um astro de Hollywood que a memória ainda me diz se chamava Clark Gable, do filme "...E o vento levou "

E nunca ficamos sabendo se o mesmo "concurso de pose" foi instituído para os adultos, com base em atores e atrizes famosos.





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