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21/11/2009 - 16h54min

O cinema

A fantasia do bem e do mal, com novos símbolos...

Fonte: Luiz Nogueira Barros

Os anos quarenta pareciam despertar a cidade do marasmo das histórias do cangaço e das vinditas comuns, fossem políticas, fossem morais ou fossem aquelas ligadas aos velhos problemas da terra por posses indevidas e violações de fronteiras.

O ar soprava novidades. As revistinhas da “Dona” Afra nos mostravam um novo mundo, longínquo, cheio de heróis incríveis. Uns até voavam, como os Capitães Marvel e Marvel Jr. Outro, como o Super-Homem, fazia túneis na terra a altas velocidades. Um outro manejava a "máquina do tempo" permitindo viagens incríveis. Em meio a tudo um cientista do mal desafiava os defensores do bem. Era natural que tal cientista terminasse derrotado. A fantasia do bem e do mal, com novos símbolos, ia substituindo os símbolos das nossas brincadeiras, os policiais e os cangaceiros, tornando-as coisas do passado.

Um dia "Seu" Marcelon, um português baixinho, inventou o picolé. Na verdade, nada mais era do que um suco de frutas colocado numa forma de gelo, tendo em cada cavidade um palito. Endurecido pelo frio o suco se transformava em delicioso picolé, que nós, os meninos, adorávamos comprar. “Seu” Marcelon ficaria conhecido como “Marcelon Roi-Roi”, porque a energia era desligada após as dez da noite e ele costumava sair pelas ruas com uma lanterninha que, acionada por um pequena manivela, fazia um barulho identificado como “roi...roi...roi...”

“Seu” Marcelon Roi...Roi” era proprietário de uma pequena mercearia na qual seu principal funcionário, “Tonho de Marcelon”, tinha sempre um sorrriso largo e gentil. Muitos de nós ali comprávamos rapadura, confeitos, cocadas e o que mais ali fosse vendido. Tonho de Marcelon ria por qualquer coisa. E recordo que o primeiro livro que li, em minha vida, foi-me por ele emprestado e se chamava “A Cachoeira de Paulo Afonso”, um longo poema épico de Castro Alves.

Mas um dia chegou o cinema. E lá estávamos todos reunidos, felizes. Um tela em branco havia sido colocada no frontispício das lojas vizinhas da farmácia do “Seu" Carola”. O vão entre as lojas e a pracinha D.Pedro II estava lotado, todos sentados no chão de pedras antigas. Esperávamos o filme com o Gordo e o Magro, de nome “Rua da Paz”, uma verdadeira confusão dos dois recém-admitidos comediantes no Corpo de Bombeiros de uma cidade americana. Não me recordo de maior contacto com a modernidade como aquela que o cinema nos proporcionava, envelhecendo o rádio e o telégrafo. Nem mesmo aquele “Show do Zé Mocó”, na mesma pracinha, no qual eu e Emir cantamos como “calouros”, me havia proporcionado tanto encantamento.

Tempos depois, Zé Filho, que havia chegado da Segunda Guerra Mundial, instalaria um cinema permanente no velho sobradão que ficava defronte ao Hotel Central. Com aquilo, trazia um mundo que tinha movimentos, fosse nos filmes de guerra, de faroeste, de extermínio dos índios pelos soldados americanos e, finalmente, fosse nos noticiários nos quais homens sempre vestidos de inseparáveis capas escuras e chapéus decidiam o destino do mundo nas conferências de paz, ou de guerra.

O cinema, portanto, trazia-nos um mundo que não imaginávamos existir, muito além dos nossos horizontes visuais embora um tanto próximo das nossas fantasias juvenis.





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