Luiz Nogueira Barros
   
   
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ENTREVISTAS




21/11/2009 - 19h16min

Entrevista a Arriete Vilela

Publicada em 03.08.99

Fonte: Gazeta de Alagoas

Médico pediatra. Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, onde é segundo secretário. Eleito para a Academia Alagoana de Letras, na vaga de Heliônia Ceres.

Publicações:

1 – "A solidão dos espaços políticos", ensaio histórico sobre os anos 30 50 da História política alagoana.

2 – "O que se passa com o rei ? ", fábula sobre a guerra, na qual são os animais que interrogam e interpretam o homem.

3 – Participação em Antologia de Contos, publicada em Uberlândia, MG, sob a coordenação de Whisner Fraga, escritor mineiro. Participação em nova antologia de n9ome, "Literatura Século XXI", com dois contos: "A que exigiu uma estrela-candente"e "A sepultura da estrada". E participação na revista da Editora Blocos,32, de Leila Míccolis, RJ,, com dois contos : "Dona Marinita" e : O que não tinha sorte"

4 – Matérias publicadas em todos os jornais alagoanos. Mantém Homepage na Internet, o que lhe permite inúmeras correspondências nacionais e internacionais, com o endereço: http://www.luiznogueira.com.br

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Entrevista a Arriete Vilela: perguntas a partir das colocações de alguns escritores.

1 – "Um grande poeta é menos inventor que iluminador"? ( Jorge Luís Borges )

Resposta: o poeta é as duas coisas. Inventor de temas e iluminador dos mesmos, mostrando sua capacidade de arquitetar o que parecia impossível., com o seu estilo de mostrar os fatos. Embora inventar pareça uma tolice, pois em verdade o que o poeta faz é abstrair de certas realidades um tipo de material que transcende ? elas mesmas, muita vez duras, e torná-lo suportável e até, ele o tipo de material novo, agradável para as nossas existências. Costuma-se se dizer que o poeta inventa, e nele tudo dispensamos, prazeirosamente, tal a capacidade de mexer, arrumar, e até mesmo de nos brincar com tudo isso. que tem sido a vida, sem a preocupação filosófica..

2 – "Os livros são amigos, frios e seguros"? ( Victor Hugo )

Resposta : certamente que sim. Mas para o atributo frio diria que Victor Hugo pode apenas haver pensado no fato que são imóveis. E não se lembrou de que na mudança das suas páginas, durante uma leitura, as nossas emoções dançam com as páginas, e nisso o livro pode ser extremamente quente, aquecedor.

3 – "A razão é inimiga da imaginação" ? ( Martin Heidegger )

Resposta: assim isolada, sem as circunstâncias nas quais a reflexão foi originada, diria que sim. Partindo de Heidegger, entretanto, certas considerações poderiam ser examinadas.

Heidegger, por muito tempo, foi considerado das grandes figuras representantes do existencialismo. Seu livro "Ser e tempo" lhe conferiu fama e notoriedade. Foi reitor da Universidade de Freiburg, Alemanha, e onde aderiu ao nazismo e participou do desmonte do espírito de liberdade ali reinante.

Heidegger teorizou sobre as vidas inautêntica e autêntica. Para a vida inautêntica ele imaginou os atributos de : Facticidade, Existencialidade e Ruína. Pela facticidade o homem estava jogado no mundo sem que houvesse participado de tal decisão. A existencialidade consistia nos atos de apropriação das coisas do mundo, por parte de cada indivíduo. E finalmente, pelo exame da existência humana, pelo último atributo, a ruína, o indivíduo a ela chegava pelo seu afastamento do projeto original de sua vida, mergulhado no desgaste do cotidiano.

Para a vida autêntica Heidegger teorizou sobre a angústia, sentimento indefinido que poderia estar em todos os lugares e em lugar nenhum, mas capaz de fazer o homem elevar-se da traição cometida contra si mesmo quando dominado pelas mesquinharias do cotidiano, diluindo o seu "eu" nas coisas do mundo. É que a angústia, levando o homem ? inquietação, esta última estruturaria o homem dentro da sua temporalidade, prendendo-o ao passado, mas também lançando-o para o futuro, garantindo sua presença no mundo, o que lhe permitiria ultrapassar o estágio de angústia e se tornar senhor do seu destino. Portanto, a temporalidade se constitui, para Heidegger, na dimensão fundamental da existência. A teoria é longa e excitante, e deveria ser lida com mais vagar por aqueles a quem o tema pareça interessante.

O problema de Heidegger, ao fazer tal afirmação acima, tanto pode ser considerado ? luz do Iluminismo, que fez a razão sobrepujar a fé (que operava com base na imaginação especulativa ), quanto tentar explicar uma contingência política por ele vivida ao assumir a doutrina nazista, saudando-a efusivamente, baseado no fato de que a sua Alemanha estaria esmagada entre duas grandes potências, os Estados Unidos e a União Soviética, o que pode ter lhe parecido suficiente para justificar tal atitude. Seu pecado foi haver esquecido de que o "super-homem ariano", com uma natureza étnica, racial, portanto, nada tinha a ver com o "super-homem" de Friedrich Nietzsche, que tinha uma natureza ética, relativa a conduta histórico-filosófica.

A frase, portanto, traz, infelizmente, a carga histórica de uma vida perturbada, a do pensador alemão Martin Heidegger. E por isso precisa ser bem analisada porque, justamente Heidegger, das teorizações das vidas inautêntica e autêntica, não transcendeu a si mesmo através da inquietação que a angústia provoca, e a sua temporalidade, já categoria filosófica, não lhe permitiu uma definição sobre a dimensão fundamental da sua existência.

Heidegger morreu solitário na sua casa de campo, na Floresta Negra. Antes havia se afastado de Edmund Husserl, seu mestre fenomenologista, por ele ser judeu...

4 – "Para alguém parecer culto, basta ficar atento ao que o interlocutor ignora"( Millôr Fernandes )

Resposta: com certeza ! Mas tudo muda se esse alguém se defronta com outro interlocutor realmente culto. Millôr brinca com situações verossímeis e inverossímeis, algo que apenas o humorista consegue fazer...

5 – "Os temas para o escritor estão por aí, no ar, a flutuar"( José Saramago )

Resposta : claro que sim. Bertolt Brecht já afirmava que "Não existem temas esgotados. Existem mal escritores". E Drummond de Andrade, numa lição aos poetas, afirmava: "Mergulha fundamente no reino das palavras lá estão os poemas que precisam ser escritos..."

Cabe, portanto, ao escritor, respirar e ver melhor, quando se tratar de arte...





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