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ENTREVISTAS




21/11/2009 - 19h34min

Entrevista após eleição para a Academia Alagoana de Letras


Fonte: Gazeta de Alagoas

"Alagoas passa por um vitorioso momento cultural"

(Entrevista / Luiz Nogueira a Valmir Calheiros)

Alagoas tem mais um médico entre os imortais da sua Academia de Letras, com a recente eleição do pediatra e escritor Luiz Nogueira Barros para suceder a escritora Heliônia Ceres. Nogueira participa de Antologia de Contos, editada em Uberlândia, Minas Gerais. É o consagrado autor de ‘‘A Solidão dos Espaços Políticos’’, sobre a história alagoana nas décadas 30/50, e uma fábula sobre a guerra de nome ‘‘O que se passa com o rei’’. Luiz Nogueira é sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e é colaborador dos principais jornais alagoanos. E, analisa, em entrevista exclusiva, que publicamos a seguir, a cultura alagoana sob os diversos aspectos. Exalta alguns dos principais nomes do universo intelectual do Estado, do qual participa. Lembra a contribuição de Dona Leda Collor de Mello para a cultura em Alagoas, e afiança: ‘‘Estamos bem e vamos melhorar ainda mais. O momento cultural é vitorioso’’.

- Como tem sido o movimento cultural ao longo dos anos?

Diria que foi notável. Tivemos uma geração de intelectuais que está presente no cenário nacional. Nomes como: Aurélio Buarque de Holanda, Pontes de Miranda, Diégues Junior, Jorge de Lima, Lêdo Ivo, Arthur Ramos, Waldemar Cavalcante, Povina Cavalcante, Arnon de Mello (que juntamente com José Lins do Rêgo e Jorge de Lima teve importante papel, em Alagoas, com relação ? Semana de Arte de 22, assunto que já está nas abordagens de Moacir Medeiros de S‘Antana), Graciliano Ramos, Mendonça Junior, Costa Rêgo, Romeu de Avelar, Oliveira Litrentos, Judas Isgorogota, Alberto Passos Guimarães, Octávio Está em Maragogi, secretariando a cultura municipal. É hoje um nome com conotação internacional. Eu diria, finalmente, que o momento cultural alagoano, ao longo dos tempos, é vitorioso...

- Eles jamais voltaram para Alagoas. Alguma razão especial?

-Eu não posso determinar com exatidão os motivos dessa.permanência deles lá pelo Sul do País. Mas com certeza a grande metrópole, o Rio de Janeiro de então, lhes oferecia maiores incentivos, maiores motivações. Estácio de Lima foi para a Bahia. A Maceió provinciana, com uma política cultural, governamental, acanhada, imagino, pode ter deixado eles escaparem. É verdade que muitos ficaram por aqui. Jayme de Altavilla ficou e realizou uma grande obra. E até deixou transcrito, num verso, o problemados que partiram e dos que ficaram. Costuma-se dizer que teria feito muito mais se houvesse partido. E dessa questão de partir e ficar tenho ouvido, muitas vezes, que homens do porte de Guedes de Miranda e Ib Gatto Falcão cometeram enorme equívoco ao não tomarem o rumo das grandes metrópoles. Mas eles, Ib Gatto, e Guedes de Miranda estavam destinados a manter, juntamente com Jayme de Altavilla, um núcleo que poderia estar extinto, no caso de haverem partido. E nisso avisto o grande mérito dessas figuras notáveis. Vale salientar o papel de D. Leda Collor, fundadora da Aliança Francesa e a Cultura Artística Alagoana, grande estimuladora de acontecimentos culturais em nosso Estado. E, finalmente, os eventos da criação das Secretaria Estadual de Cultura e da Funted, fatores estimulantes para a atividade cultural, mesmo pesando-se os sacrifícios econômicos a que sempre estiveram dependentes. Portanto, a atividade cultural mantém seu elo, apesar de, por vezes, enfrentar dificuldades. Não falo sobre o papel da universidade porque, no momento, não disponho de dados efetivos. Sei que a Ufal está ajudando o nosso Instituto Histórico e Geográfico, com estudantes que estão codificando inúmeros materiais de arquivos históricos que poderiam estar sendo perdidos, por conta de um recente convênio assinado entre as duas entidades.

-Mas tem decaído o número de novos intelectuais no cenário nacional

Intelectuais não surgem do dia para a noite. São longos anos de preparação e muitas as circunstâncias. O começo do século, marcado pela República de Deodoro e Floriano, a longa intervenção da família Góis Monteiro (através da Revolução de 30), a Semana de Arte de 22, o Rio de Janeiro como sede da capital política e cultural do país, o nascimento dos grandes jornais e outros tantos eventos, com certeza, fermentaram o ingresso de alagoanos na vida cultural do país. Esses fatos compõem um quadro que dificilmente se repetirá. Os novos intelectuais surgirão, com certeza, mas terão muito mais dificuldades. Dirceu Lindoso é típico exemplo. Eu conheço sua luta, isolado, lá no Rio de Janeiro, ganhando concursos literários, tendo o nome e obra estudados por estrangeiros, mas sem nenhum apoio de grupos de intelectuais, num momento no qual Alagoas já não tinha atividades intelectuais dos grandesgrupos do passado.

- E tem havido, de fato, renovação dos quadros culturais alagoanos?

- Claro que sim. Está aí, como prova insofismável, o surgimento de novos intelectuais. Na área de História Moacir Medeiros de Sant’ Ana é o maior exemplo. Assim como Douglas Apratto Tenório. Dirceu Lindoso está revendo a História da Cabanagem. Leda Maria acaba de lançar o primeiro livro sobre o ‘‘17 de Julho’’, data do afastamento do poder político do então governador Divaldo Suruagy. Eu, modestamente, tratei dos anos 30/50 da vida política alagoana, quando me vali de historiadores do passado, todos citados no meu livro, que também tem inúmeras pesquisas feitas na Biblioteca Nacional. Entre os poetas, para quem tem dúvidas, estão aí Luiz Gonzaga Leão, Francisco Valois, Christiano Fernandes, Jurandir Gomes, Sidney Wandeley e tantos outros que aqui ficaria difícil citar. Na área do romance estão Theomirtes de Barros e Aldo Rubens Flores. Também lembraria Walter Pedrosa, fora de Alagoas. Precisariam de maior apoio, de maiores estímulos. Felizmente os jornais, alagoanos têm sido generosos, quando divulgam tais escritores, o que é um alento. Impossível, numa simples entrevista, citar todos os novos autores. As pesquisas na área de História andam bastante avançadas, com a revelação deuma geração de escritores. Delmiro Gouveia, por exemplo, está sendo revisitado por esses novos valores da cultura alagoana...

- Entrar para a Academia Alagoana de Letras é um privilégio?

- Com certeza! Mas é bom que se diga que também pode ser um sacrifício, ? medida que você terá que trabalhar muito para justificar tal evento em sua vida.

- No seu caso, alguma circunstância especial quando da sua eleição?

- Nada de especial. O tradicional. Os acadêmicos me acolheram em homenagem a uma atividade que tenho desenvolvido no campo da atividade cultural, mas também pelo relacionamento honesto que com eles tenho mantido. Ainda pequena, a minha obra, honestamente, tem muita seriedade, o que pode ter sido fator que os sensibilizou. Tanto que meu conturbado passado político não os influenciou. Daí que minha eleição teve uma conotação meramente cultural e algo que me acalenta, pois da eleição estiveram ausentes as motivações político-partidário-ideológicas Fato importantíssimo, na minha eleição, foi o espaço para mim aberto pela GAZETA e outros jornais alagoanos, sem os quais o que produzi estaria no anonimato.

-Esse fato lhe confere independência tanto na Academia quanto entre as esquerdas políticas?

- Evidentemente que sim. A Academia é um evento, não o fim da minha atividade cultural. Entre os acadêmicos serei o Luiz Nogueira que eles conhecem: sempre preocupado com os assuntos culturais e sem compromissos partidários dentro da instituição. Hoje estou de tal maneira ligado ao fato histórico que até posso ser confundido como uma pessoa que pode parecer estar retroagindo. A História não perdoa certos silêncios. Na minha idade um homem ou se cala, ou então fala. Eu falo. E pior: escrevo! E escrever é registrar um depoimento que poderá estar contra mim mesmo, no julgamento das futuras gerações. Mas o que fazer, se elas nos julgarão. Gostemos ou não!

- A Academia mudará neste fim de século?

- Mudanças são coisas normais. Nem sempre dependem do fato de que numa instituição entraram novos nomes. A dinâmica do tempo faz isso. O Instituto Histórico, pelo dinamismo de Jayme Lustosa de Altavilla, está basicamente informatizado. Logo terá uma Homepage na Internet, que eu mesmo estou fazendo, para facilitar a vida dos pesquisadores. Nossas atas já estão no computador. Logo teremos CDs sobre nossos arquivos. Logo estarei preparando outra Homepage para a Academia Alagoana de Letras. E ambas as entidades poderão se comunicar diretamente com o Ministério da Cultura e com as Secretarias Estaduais e Municipais de Cultura. Estaremos saindo da ‘‘geração mata-borrão’’, que eu chamaria daqueles homens notáveis que faziam documentos na base do bico de pena, tinteiro e mata-borrão (aquele papel poroso que se passava sobre a tinta recém-colocada no papel para que ela fosse absorvida, evitando os borrões), para a geração dos teclados digitais dos computadores. É um fato novíssimo. E nesta hora estaremos colocando documento, imagens, feitos por aqueles homens notáveis, numa forma de homenageá-los, para que as novas gerações saibam do amor que eles dedicavam ? satividades culturais.

- O professor Ib Gatto Falcão na presidência da AAL, o que pode significar?

Muita coisa. Começa que estamos num fim,, de século, fato capaz de forçar mudanças. O professor Ib Gatto, não lhe bastassem as virtudes, viverá o privilégio, dramático, de ver eleitos e dar posse a um número singular, historicamente, de acadêmicos. Claro, diante de um fato indesejável e de certo desconfortável: o recente, o imprevisível número de acadêmicos mortos, num período relativamente pequeno.Mas vale salientar o dinamismo que tem marcado a vida do velho professor, do decano de todas as instituições alagoanas: a inquietação e o poder de edificar, de construir, de sempre estar a fazer algo, e tenho a convicção de que ele preparará a Academia para o próximo milênio. Ninguém se engane.

Publicada em 01.08.1999





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