Luiz Nogueira Barros
   
   
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GUERRA




21/11/2009 - 20h36min

Conferência de Ialta - fevereiro 1945


Fonte: Luiz Nogueira (pesquisa)


A Conferência reuniu-se em torno de uma mesa redonda. À direita, Roosevelt ajeitando a gravata; ? esquerda, Stalin, pensativo; de costas, Churchill.
( A foto aqui inserida é externa à conferência)

Fevereiro, 1945 : os vexames dentro da guerra. Uma guerrinha de afirmações de autoridade, divisão de interesses e jogo de humilhações que poderiam ter piorado a guerra. A palavra felicidade foi usada, durante a guerra, por um cronista da guerra. Roosevelt está preocupado em dar um fim aos sentimentos colonialistas de Churchil e De Gaulle. E chega a imaginar que Stalin não um sentimento colonialista, nem imperialista. Alguém deixou de lhe informar sobre o Testamento de Pedro, Czar de todas as Rússias, datado de 1725, e um sonho de dominação do mundo, que tinha seguidores como Lenin e Stalin. Mas os americanos tinham, e não se pode omitir, sentimentos anti-colonialistas territoriais. Sabiam que no pós-guerra teriam condições para um novo tipo de colonialismo: o econômico-tecnológico-militar.

O desmembramento da Alemanha e a inclusão da frança no Estatuto das Grandes Potências eram temas delicados.. As cores das conquistas tremulariam nas bandeiras...

Realizada contra a vontade de Churchil, que Chegou a escrever a :" Poderíamos levar dez anos ? procura de um lugar tão detestável. Só é um paraíso para os piolhos". E sugeriu vários outros lugares com melhores estruturas, como Roma, Edimburgo, Chipre e Atenas...

Prevaleceu a exigência de Stalin: " Virão aquí, ou não haverá conferência". As razões de Stalin :primeiramente detestava avião; e depois, tinha problemas de afirmação de autoridade.

Roosevelt viajou no navio Quincy. A bordo, recebeu Ibn Saud, rei da Arábia Saudita. Na fotografia o coronel Eddy, da representação diplomática americana, aparece ajoelhado quando fala com o rei.

Roosevelt não está no melhor momento de sua saúde e ainda assim aceita as condições de Stalin, deixando Churchil sem alternativas.

Durante a viagem, em Malta, Churchil insistiu para falar com Roosevelt, que terminou por concordar. No dia 2 de fevereiro Churchil aguarda o Quincy no porto de Valleta. Fica arrasado com o aspecto físico de Roosevelt. O seu estado de saúde é segredo de Estado aos cuidados do almirante McIntire, que o prepara para a conferência. Um outro moribundo é Hopkins (Harry), que acompanha o Presidente. Ambos recebem relatórios sobre a Europa oriental, que talvez não possam ler o quanto seria necessário.

No encontro consta que Roosevelt recusou-se discutir qualquer assunto sobre Ialta.

Uma ponte aérea conduzirá as delegações anglo-americanas, em torno de 15O pessoas, para a Criméia, em difíceis condições de vôo. A Turquia termina por violar sua neutralidade para deixar entrar no mar Negro os navios Franconia, inglês, e o Cacoctin, americano, que iriam servir de bases flutuantes para estações de comunicações.

Os aviões pousam em Saki, na Eupatória, distante 2OO quilômetros de Ialta. Daí para frente a viagem é de 6 horas. Cidades e pontes bem guarnecidos. O estrago da guerra está por toda a parte, mostrando os altos custos da reconquista da antiga Estrada Romanov. Entre os soldados de Stalin estão algumas mulheres. O vento é forte. Os solavancos fazem mal a Roosevelt. A cidade de Sinferopol parece queimada até o chão.

Roosevelt chega cadavérico. McIntire disfarça: " Eu o conheço...Um pouco de cansaço...Logo estará remoçado".

Stalin vem de Moscou, por via férrea. Churchil resmunga. É acomodado no palácio VORONTSO, pilhado pela guerra. A senhorita Joan Brihgt manda alargar a cama de Churchil, coisa que ele não dispensava.

DELEGAÇÃO INGLESA: três marechais; dois almirantes; dezenas de generais; coronéis; a elite do Foreign Office, inclusive seu secretário perpétuo, Sir Alexander Cadogan.

Os mais graduados ficam com Churchil. Os demais vão para dois Sanatórios, distantes, com um banheiro para cada 2O generais, e um um único lavabo por alojamento.Um SOS é mandado para o Franconia, pedindo bacias e espelhos:ao menos a barba precisa ser feita com mais comodidade.

Os norte-americanos ficaram no palácio LIVADIA, residência de inverno do Czar Nicolau II, com um quarto para oito generais, ou dezesséis coronéis.

Um trem veio de Moscou trazendo criados-mudos, vodca e uma série de outras amenidades. Cozinheiros, camareiros, garçons, etc...etc, foram solicitados dos hotéis Nacional e Metrópole. A crônica registra que eles pensavam estar sendo convocados para a Sibéria. Bastou uma observação do almirante Portal (inglês),e os tanques dos jardins se encheram de peixes. As laranjeiras e os ciprestes, para os jardins, vieram da Geórgia. A reclamção de um inglês de que faltava casca de limão para os aperitivos fez com que aparecessem limão em demasia. As moças russas, milagrosamente, apareceram de sapatos de salto alto, vestidos negros e lenços branços.

Stalin ficou na VILA KOREITZ, perto de Ialta. Em atenção a Roosevelt as sessões seriam no palácio LIVADIA.

Primeira sessão: 17 horas e dez minutos.

Antes, e com alguma dificuldade, Churchil havia conseguido falar com Roosevelt, apesar das suas objeções, e se utilizou da França como um motivo...

Durante a sessão, Stalin falou da amizade franco-soviética, estabelecida com a França: “Não creio que De Gaulle seja um personagem muito complexo, mas ele não tem realismo algum para apreciar o papel da França na vitória”. Roosevelt acrescentou: “Em Casablanca ele se comparou a Joana D’Arc e a Clemenceau. Em Moscou declarou-me que o Reno era a fronteira natural da França e que as tropas francesas deveriam ocupá-lo permanentemente... A propósito, pensam ser necessário conceder aos franceses uma zona de ocupação na Alemanha? ... Seria um presente de nossa parte!”

SALA DAS SESSÕES

É a antiga sala do trono, medindo 23x1O mts². Os lustres de Veneza; os apliques de cristal haviam desaparecido. O mar fica defronte, e lembra a cor da ardósia. Mas a escuridão chega cedo. A mesa de reúnião é redonda, figura geométrica que exprime igualdade protocolar dos Três Grandes.

Arco britânico : O único civil é Anthony Eden. Com exceções dos almirantes Cunnenghan, Brooke, Ismay, Portal e Alexander, todos usam uniformes de campanha, ou então o uniforme azul da RAF.

Churchil ainda demonstra irritação, eclipsado por Roosevelt e de quem tanto esperava, dada a sua obstinação desde l94O, sozinho na guerra. Na verdade, em Ialta, existem dois grandes e meio. A senhorita Bright havia alargado a cama de Churchil, mas na conferência ele não conseguia alargar a sua cadeira...

Arco russo: predominavam civis: Molotov, Gromiko, Maisky, Pavlov e o próprio Stalin, que apesar da sua farda de Marechal não parecia militar. Bem humorado, Stalin sabe que os seus exércitos estão perto de Berlim, e que os aliados tendem a inclinar-se pelos seus propósitos. A esse estado de espírito Raymond Cartier chama de " Coisas que fazem um grande homem feliz".

Arco americano : Roosevelt parece estar moribundo. Suas mãos tremem, as pálpebras caem, o pescoço parece mumificado e a face está cadavérica. Está entre Stettinus e Harry Hopkins (tão doente quanto o Presidente),e que limita-se ? sala de reuniões e o seu quarto. Mas a sua lucidez é impressionante e é ele quem manda bilhetes ao presidente e lhe fala ao ouvido, sempre que a prudência é necessária.

Roosevelt fala demais. Sua loquacidade parece perseguir alguma coisa que lhe está faltando :a vida ! Depois flete a cabeça e pede para que abreviem os assuntos que ele mesmo ampliou. Os demais americanos, Marshall, McFarland, King e Leahy, estão presentes.

O poderio americano é colossal. No Pacífico : faz do oceano um cemitério de navios e submarinos japoneses; sua força aérea arrasa a Alemanha, com as B-29, ou super Fortalezas-Voadoras; os Estados Unidos estão intactos; suas indústrias ainda não atingiram o limite de produção de material de guerra, e, finalmente, a bomba atômica poderá ficar pronta em algumas semanas. A lógica e o cinismo da guerra é que eles mandem e desmandem na conferência.. Mas, segundo o cronista (R.Cartier), os americanos ali chegaram com complexo de inferioridade, como pedintes, e com o desejo de que os russos participassem da guerra do Pacífico. Acontece que naquele momento o Japão está profundamente abalado pela guerra, e a participação russa após a rendição da Alemanha tinha apenas um valor relativo, hipotético. Mas os Estados Unidos insistiam e por aquilo pagariam qualquer preço...

Roosevelt parece contraditório. A bordo do navio Quincy havia dito: " Estou certo pelo menos de uma coisa: Stalin não é um imperialista !". E havia dito a Churchil: " Winston, você tem no sangue quatrocentos anos de conquistas. Não pode admitir que uma nação não se apodere de um território, se tem possibilidade de fazê-lo. Mas começou um novo período na história da humanidade e você deve adaptar-se a ele. Não posso admitir que combatamos o escravismo fascista e, ao mesmo tempo, nos recusemos a libertar todos os povos que vivem sob um sistema colonial.A paz não deverá tolerar a manutenção de nenhum despotismo".

A O.N.U. é a menina dos olhos de Roosevelt. Stalin aceita sua participação, mas exige voz das dezesséis repúblicas na Assembléia Geral. Há recusa, por parte dos seus planejadores. O assunto será contornado, ao final...

IALTA foi um conferência sem pauta e por isso desorganizada. Os acordos entre os escalões inferiores não deram maiores resultados. Muitas vezes a condição física de Roosevelt fez com que se suspendessem sessões e assuntos fossem encurtados. O sonho americano é que o mundo saia da guerra para o triunfo da democracia. Churchil sabe que o mundo sairá da guerra mais dividido que nunca. Alí, talvez tenha elaborado o título do seu terceiro volume de memórias: "Triunfo e Tragédia".

INCIDENTES EM IALTA:

Vichinsky ( futuro promotor de acusação durante "Os Processos de Moscou" ) diz para Bohlen: " Vocês devem ensinar os americanos a respeitarem seu governo".

Stalin diz para Churchil:" Você parece aterrorizado pela Câmara dos Comuns e pelas próximas eleições". Churchil lhe responde: " De nós três sou o único que pode ser afastado a qualquer momento pelos representantes do meu país, e orgulho-me disso".

Churchil e Eden defendem calorosamente a França. Em maio de 194O Churchil havia dito que, vitoriosa, a Inglaterra restauraria a França: "in her dignity and greatness".

Em Ialta, Roosevelt e Stalin só conseguem ver a Europa como um monte de ruinas, de escombros. Churchil, sabendo decretada a rendição incondicional da Alemanha, e a França impotente (não restaurada como grande potência), imagina a ventosa russa atingindo o Canal da Mancha. E deseja que a França entre no Estatuto das Grandes Potências...

Stalin mostra-se impiedoso: " Os sofrimentos da França foram menores que os da Bélgica e da Holanda. Sua participação na guerra, com oito divisões, é inferior ? da Iuguslávia, com nove, ou ? da Polônia de Lublin, que tem 11. A França abriu suas portas ao inimigo".

Obs: Mas Stalin está esquecido de que, em l94O, quando ainda aliado de Hitler, a seu mando, o Partido Comunista Francês boicotou a defesa nacional francesa.

E insiste: " Se ingleses e norte-americanos pretendem dar ? França zona de ocupação, que dêem das suas partes. Não peçam isso ? Rússia".

Persistente, Chrchil termina vencendo: a França é incluída no Estatuto das Grandes Potências. Terá igualdade em todas as mesas diplomáticas. Retomará a palavra e poderá influir nos acontecimentos futuros.

O princípio do desmembramento da Alemanha é mantido em Ialta. Um plano russo prevê o desmonte das indústrias em torno de 8O% e a sua distribuição pelo critério de perdas de guerra, ficando a França de fora.

Stalin não abre mão da Polônia, a quem a Inglaterra havia jurado garantir a integridade física e política. Churchil dirá para Stalin:

- Para nós é uma questão de honra

Stalin lhe responderá:

- Para nós é uma questão de vida ou morte...Os exércitos levam consigo a ideologia das nações a que pertencem...Tudo o que for conquistado com a bandeira vermelha será vermelho".

Costuma-se dizer que, em Ialta, 1OO milhões de europeus foram colocados ? disposição dos soviéticos. Quando a conferência se reuniu os russos já haviam conquistado a Romênia, a Hungria, a Bulgária, a Polônia, a Iuguslávia, a Prússia, a Silésia e parte da Techoslováquia.

Ialta foi um cartório de registros públicos....

Mas os americanos saíram satisfeitos com as garantias russas. Haviam conseguido duas coisas:

1- A participação da URRS na ONU, com apenas três vozes na sua Assembléia Geral.

2- A participação russa na guerra do Pacífico, dois ou três meses após a rendição alemã, pelo seguinte custo: 12.OOO toneladas de gazolina de cem octanos ; 3O.OOO caminhões ; 5OO aviões ; as ilhas Curilas (Kurilas) ; parte sul da ilha Sakalina ; Porto Artur como base para operações militares ; Dairen, como porto de comércio ; co-administração nas estradas de ferro do Leste Asiático e do sul da Mandchúria.

Sem notificar o seu secretário de Estado (Hopkins), Roosevelt dispôs do que pertence ao seu aliado Chiang-Kay-Check. E quando solicitou a Satlin alguma moderação, ouviu:

-Só desejamos restabelecer o Extremo Oriente ao tempo que era antes do antepenúltimo Czar da Rússia

Roosevelt provavelmente não conhecia o Testamento de Pedro, o Grande, Czar de todas as Rússias, do ano 1725, um plano de dominação da Europa. E se o conhecia preferiu tomá-lo como um documento apócrifo...





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