Luiz Nogueira Barros
   
   
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GUERRA




21/11/2009 - 20h59min

Hiroshima: 50 anos depois !


Fonte: Luiz Nogueira (pesquisa)

Dados colhidos no site - http://www.atomicarchive.com/Notebook/Testing.shtml - nos dão conta das seguintes explosões nucleares:

China........1964 1996.......................45

França.......1960 1996.....................210

Índia..........1998.................................06

Paquistão...1998................................06

URSS..........1949 1990....................710

EEUU...........1945 1992..................1030


"No princípio Deus criou o céu e a terra. A Terra, porém, estava vazia e as trevas cobriam a face do abísmo, e o Espírito de Deus movia-se sobre as águas" (Gênesis.1)

Falar sobre a guerra requer reflexões bem amuderecidas, diferentemente de se falar sobre a batalha, que apenas requer descrições, precisas ou imprecisas, apaixonadas ou intrigantes.

Não satisfeito por haver criado o céu e a terra, Deus também criou o homem e a mulher. Depois os animais e tudo o que mais por aqui existe. E só então descansou...

Mas logo houve que castigar Adão, que dele se escondeu, por sentir-se nu, entre as árvores: " Mas quem te fez conhecer que estavas nu , senão o ter comido da árvore de que eu te tinha ordenado que não comêsses" Adão se defendeu dizendo que a mulher que Deus lhe havia dado por companheira o havia induzido, que por sua vez se defendeu dizendo haver sido enganada pela serpente. E Deus fez da serpente um animal maldito. E ainda disse: " Porei inimizades entre ti e a mulher; entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar".

Mais tarde o próprio Deus castigou Adão, de modo mais severo: " Eis que Adão se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal; agora, pois, (expulsemo--lo do paraíso), para que não suceda que êle também tome da árvore da vida, e coma, e viva eternamente". Após a expulsão de Adão Deus colocou Querubins diante do Paraíso brandindo uma espada de fogo, para guardar o caminho da árvore da vida...

A descrição bíblica da expulsão de Adão está no plural, quando Deus diz que Adão se tornou "um de nós", conhecedor do bem e do mal, portanto, e algo talvez apenas reservado aos Deuses. E a defesa da Árvore da Vida, do Paraíso, ficou reservada aos Querubins, munidos de espada de fogo...

Não é tranqüila, portanto, a origem teológica da humanidade. O próprio Deus não previu muito bem a futura conduta da sua creacão suprema : o homem !

Zaratustra, o Profeta do Islã, não se limita apenas a mudar o Deus cósmico em Deus ético, mas também se recusa a aceitar a concepção antropomórfica de Deus dos antigos gregos, primando pelas suas imanência e transcendência. Depois torna o homem responsável pelo seu destino(uma escolha implica num compromisso ativo), prendendo-o à terra e tornando-o o seu guardião. Com Zaratustra o homem ainda pode se dedicar ao mal, mas também poderá trabalhar desde a aurora, para o crescimento do dia, podendo alcançar a libertação, pois a vida é um combate. Mas Deus é bom porque deu a liberdade ao homem, com a qual ele tanto pode ser bom quanto mal. Zaratustra é o fundador da agricultura, ao prender o homem à terra. A criação da agricultura, portanto, não é apenas um acontecimento banal, mas também moral e religioso:pela primeira vez o homem deixa de depender totalmente da natureza, embora ainda tutelado pelas suas forças brutais, naturais. Mas o homem, agora, tem outro problema: as tribos nômades, que continuavam saqueadoras. É preciso organizar uma resistência contra elas:o homem lutará contra o homem, inevitavelmente.

Jean-Jacques Rosseau um dia escreveu:" O verdadeiro fundador da sociedade...foi o primeiro homem que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas... simples para acreditá-lo. Quanto crimes, guerras, assassínios... não pouparia ao gênero humano aquele que.. tivesse gritado...: Defendei-vos de ouvir esse impostor... os frutos são de todos... e a terra não pertence a ninguém..."

Arianismo: doutrina de Arias, famoso heresiarca de Alexandria (280-336), Segundo o qual Cristo era uma criatura de natureza intermediária entre a divindade e a humanidade.

Ariano:relativo aos árias. Raça dos árias. Entre os defensores do racismo alemão diz-se dos europeus supostamente superiores, puros, não descendentes de judeus.

O livro " A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado ", de Friedrich Engels, quando estuda os " Estágios Pré-Históricos da Cultura ", no momento da "barbárie", em sua fase média, nos informa que semitas e arianos comeram carne e leite nesta fase, o que poderá ter-lhes dado condição cerebral superior, afastando-os da barbárie. E se utiliza do exemplo de que os índios "Pueblos", da fase de "barbárie inferior", no México, comeram carne e leite, daí porque eram diferentes daqueles outros da fase superior.

Entusiastas do nazismo chegaram a propagar que os arianos comeram carne e leite primeiramente que os judeus( semitas), e por tal razão apresentaram, precocemente, uma condição cerebral superior a eles. Mas jamais li um documento que comprovasse tal fato, com bases científicas definitivas. Maquiavel nos afirma, em "O Príncipe ", que "...os homens ou são conquistados ou exterminados ". Os nazistas não deram a impressão de que poderiam ser conquistados, propiciando a loucura da guerra, com a morte de milhões de criaturas e o ensaio para o apocalípse - com o advento da bomba atômica.

O estígma da luta

E tivemos a Segunda Grande Guerra Mundial. Enquanto corpos humanos eram despedaçados nos campos de batalhas, outros homens decidiam pelos seus destinos de vivos e de cadáveres, nos jogos diplomáticos que dissimulavam os seus profundos interesses econômicos, morais, políiticos, raciais e religiosos, em cerimônias consideradas civilizadas.

O esfôrço era para conter o nazi-fascismo, que tinha como dissimulação para a guerra a convicção de que uma raça superior precisava dominar o mundo, sem apresentar nada de genialidade na sua concepção de superioridade racial...

Se por algum tempo e pela má fé manipuladora de muitos o "Super-Homem", do pensador alemão Friedrich Nietzsche foi modelo para o "super homem ariano", isso não passou de uma interpretação distorcida. O "Super Homem" de Nietzsche tinha uma natureza ética e não étnica, e era apenas a convocação do homem para utilizar todas as suas capacidades mentais bloqueadas pelo obscurantismo ainda remanescente da Idade Média. O próprio judaísmo, maior vítima do nazismo, na Enciclopédia Judaica Castelhana, publicada no México, em 1950, diz de Nietzsche: "Filósofo e poeta lírico alemão, 1844-1900. Seus escritos têm exercido profunda influência, e foi ele quem cunhou as expressões tais como super-homem, transmutação de valores, espírito senhorial, etc. Os nazistas a princípio adotaram conceitos nietzschianos, mas tiveram de abandonar as obras de Nietzsche ao se darem conta de que as obras dele estavam muito longe de oferecer fundamentação ideológica ao nazi-fascismo." E com razão tais palavras estão na enciclopédia, pois o notável pensador alemão jamais acataria a vaidade humana no nível do nazismo e nem de qualquer outro. Suas palavras são claras quando censura a vaidade dos homens (embora ele próprio exercitasse um certo grau de vaidade pessoal ), como escritor : " De qualquer coisa se sentem orgulhosos. Como se chama então, isso de que estão orgulhosos ? Chama-se civilização: é o que os distingue dos cabreiros... terei que principiar por lhes destruir os ouvidos para que aprendam a ouvir com os olhos ?...ou só acreditarão nos gagos ?..."

Seja o princípio da criação, seja a criação já materializada, o homem continua problemático. E nada nos pode grantir que a Segunda Grande Guerra não haja sido um ensaio para o Apoclípse, malgradas as intenções ainda não confiáveis de uma paz adjetivada como eterna, e dos discursos considerados retóricos pelos pensadores que pensam a humanidade como algo fraterno.

Albert Camus, no seu livro "Estado de Sítio" , raia ao bsurdo quando reflete:

" O homem é a madeira da qual se fazem as fogueiras...Os homens não estão em ordem, estão em fila. Bem alinhados, a fisionomia plácida, maduros para a calamidade".

E Simone de Beauvoir, em seu livro "Todos os Homens são Mortais", também absurdiza o tema:

" O futuro está alhures...o que existe são homens divididos...eternamente divididos ".

Não posso aceitar ser o homem a madeira apropriada para as fogueiras, senão quando ele próprio perder o sentido da civilização. E aí já não saberei fazer a destinção entre o Apocalípse como castigo divino, e a insanidade humana como auto-castigo inconsciente...

Hegel continua com razão: " A história não é o reino da felicidade. As épocas de felicidade são suas páginas vazias..."

Mas será que teremos de continuar escrevendo a nossa história sem podermos tomar o atalho das guerras ?...

Nada é possível contra a serpente ?...

O Diário 06.08.95





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