Luiz Nogueira Barros
   
   
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SOBRE O AUTOR




22/11/2009 - 00h24min

Discurso de posse na Academia Alagoana de Letras


Fonte: Arquivo pessoal

Discurso de posse na Cadeira 12, de Heliônia Ceres de Melo e Motta, dia 02 de setembro de 1999, pronunciado ? s 20:30 horas no salão nobre da AAL. Primeira parte: agradecimento aos fundador e patrono da cadeira, e ? ultima ocupante. Segunda parte: a que de fato tratou do meu pensamento, como novo ocupante da cadeira.




"...e no entanto ela se move...", teria dito Galileu, de modo quase inaudível, segundo a crônica histórico-biográfica, após renunciar ? sua teoria sobre a terra se mover, não estar fixa no universo, ante a decisão que o levaria para a fogueira da Inquisição. A cultura também se move, apesar das fogueiras que os intelectuais precisam saltar, muitas vezes, posso muito bem parodiar Galileu nesta noite da cultura.

Senhor Presidente da Academia Alagoana de Letras, Dr. Ib Gatto Falcão , senhor presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, Dr. Jayme de Altavila, Sr. Presidente do Sindicato dos Escritores de Alagoas, Milton Oliveira, Sr. Diretor da Casa do Penedo, Dr. Olavo Machado, Dr. Geraldo Motta, esposo de Heliônia Ceres, Dr Arnaldo Camelo, vereador por Maceió e Dr Edson Alcantara, secretário desta academia.

Seria uma tolice especular sobre encontros que por vezes jamais agendamos. Chegar ? Academia Alagoana de Letras, antes de um projeto pessoal bem delineado, é muito mais uma enorme surpresa que as contingências da vida podem reservar a qualquer um. Nem sei se devo elaborar uma montanha de circunstâncias para a minha chegada a esta casa. Assim, prefiro ser grato aos que me acompanharam ao longo dos anos, tolerantemente, calmamente, por vezes até mesmo movidos por certa admiração pelo meu esforço com relação ao conhecimento, o saber. Entre tais pessoas, ? s quais dedico esta conquista, claro, meus pais, já mortos em suas obstinadas lutas pela existência, minha esposa, pois já comemoramos uma longa existência vivendo a dura luta pela sobrevivência, de mais de 30 anos de casamento, com filhas e netas, aqui presentes. Foi um longo caminho de dificuldades. Mas aqui estamos, inteiros, sólidos, contrariando as dificuldades e mostrando que elas existem exatamente para que sejam dobradas.

E quero destacar, entre os meus amigos, com todo o carinho, meu querido amigo Douglas Apratto, primeiro a lembrar meu nome para o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. E também importantíssimo quando da minha luta para entrar nesta casa de letras, sem que para fazer esta revelação haja que esquecer as deferências dos meus novos amigos acadêmicos, e, claro, a generosidade com que tratou da minha eleição o ilustre presidente desta casa da cultura alagoana, o mestre de todos nós, o professor Ib Gatto Falcão. E não poderia jamais me esquecer de Bráulio Leite Junior e Ismar Malta Gatto, cada um considerando-me de modo diferente na avaliação do que tenho sido como ousado produtor cultural. E lembrar uma pequena história: Ronaldo Andrade, jovem poeta, quando trabalhando na SECULT, foi de extrema importância quando da publicação do meu livro "A solidão dos espaços político", que Ismar Gatto levou para o Departamento de História da UFAL, onde os pareceres de Douglas Apratto Tenório e José Maria Tenório decidiram pelo destino de tal livro, uma porta aberta para um destino que se iniciava. Mais tarde foram os jornais. Inicialmente com José Otávio, que me entrevistou na revista "Última Palavra", do inesquecível Noaldo Dantas. Depois Stéfanes Brito em "O Jornal", secundado por Plínio Lins; Gilberto Braga, nas páginas de "O Diário" ; José Alberto e Rodrigues de Gouveia, de "O Repórter", e finalmente Claudemir Rodrigues, que me abriu as páginas da "Gazeta de Alagoas", e todos jornalistas aos quais dedico imensa e merecida gratidão. E finalizando este ítem falo de dois amigos mortos: José Mendes Filho, ator e diretor de teatro que, nos anos dificílimos de minha vida, montou e dirigiu minha peça de teatro de nome "O que se passa com o rei ?", e que já descansa nos Campos Elísios, gozando das benesses celestiais. E Arnoldo Jambo, de quem obtive a primeira autorização para publicar uma matéria, quando era diretor do Jornal de Alagoas, iniciando ali minha vida de escritor para jornais de grande porte. Arnoldo Jambo também era um entusiasta da minha candidatura para esta casa de letras. E há de estar, também, nos Campos Elísios.

E agora uma volta ao passado, com a figura do fundador da cadeira que hoje ocuparei, a de número 12, de Carlos Miguez Garrido, a quem devemos a máxima de que, como afirmei no início, com relação `a cultura "...e no entanto ela se move ", era baiano de nascimento, professor de História Militar da Aeronáutica, formado em Museologia, assessor do Serviço de Documentação do Ministério da Marinha, sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, jornalista com publicações em jornais alagoanos e escritor da obra "A Eucaristia e as Belas Artes", sobre os temas cristãos representados nos desenhos, pinturas, esculturas, gravuras e arquiteturas. A ele, Carlos Garrido, a nossa obrigação de manter a cultura em movimento.

Mas a cadeira 12 tem um patrono: José Antonio Duarte da Silva, médico formado pela Faculdade de Medicina de Salvador, Bahia, e mais tarde em Humanidades, em Maceió. Foi um dos fundadores da Sociedade de Medicina de Alagoas. Deputado Estadual e federal, dirigiu muitas entidades médicas alagoanas, além de ocupar cargos de destaque na atividade política alagoana. Professor de História Geral e participante da Campanha Abolicionista, também se destacou na campanha contra o perigo e alastramento da gripe mortífera que convulsionou o mundo, em 1918. O Jornal de Alagoas, com seu concurso "O mais popular dos nosso médicos" apurou como o mais indicado o Dr. José Antonio Duarte da Silva Braga, que também foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, cuja tese de Doutourado recebeu o nome de "Eletroterapia", uso da eletricidade em várias moléstias. Foi homem de muitos afazeres, na sua existência compreendida entre os anos de 1865 a 1919.

Outro elo preso ? cadeira 12 foi Raul do Rego Lima, cuja figura adquiriu foros de internacionalidade, ao representar o Brasil em congressos internacionais na Índia e Canadá, na área da Estatística. Foi promotor público no Governo Osman Loureiro. Mais tarde foi Juiz de Direito de Maceió, Secretário de Ministros de Estado e de senadores. Jornalista e tradutor, além de colaborador efetivo do "Diário de Notícias", Rio de Janeiro. Viveu de dezembro de 1911 a novembro de 1985. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, Pernambuco.

Falar tudo sobre Raul Lima tornaria esta fala cansativa. Mas algumas poderão ser lembradas, tais como os vários prêmios que recebeu ao longo da sua vida : Medalha Sílvio Romero, concedida pelo Estado da Guanabara ; Medalha do Centenário de Rui Barbosa, concedida pelo MEC ; Medalha Machado de Assis, concedida pela Academia Brasileira de Letras, e outras tantas, que poderão ser pesquisadas na Academia Alagoana de Letras, pelos interessados na vida de homens ilustres. Raul Rego de Lima foi tradutor incansável de obras internacionais de todos os quilates, de todos os valores universais. Suas publicações incluem : "Cartas do historiador Washington Luiz"; "A vida desconhecida do revolucionário alagoano Pe José Antonio Caldas", "Alagoanos titulares do Império" e "Madame de Sevigné brasileira ", entre outras. Ocasião na qual realizava pesquisas no Instituto Histórico Brasileiro.

E antes de mim, finalmente, mais um elo da cadeira de número 12, Heliônia Ceres de Melo e Motta, titulada em Letras Neo-Latinas pela Faculdade de Filosofia do Recife, e mais tarde professora dos Colégio Estadual, o velho Liceu Alagoano, e por último professora da Universidade Federal de Alagoas, a única mulher que ocupou a cadeira 12 desta academia, merecida e inequivocamente, tal o volume da sua obra nos diversos campos da atividade intelectual. Mas Heliônia também realizou cursos de especialização nos grandes estados do sul, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Entre tantas das suas obras citaria apenas : "Rosália da visões" , "Olho de Besouro", "Cabras-Machos", e uma enorme coleção de biografias de personagens notáveis, além da sua participação nos jornais alagoanos. Heliônia vai do romance ao conto, da biografia ao ensaio com uma naturalidade que lhe permite ir compondo suas obras que por certo terão imensa importância para os que se iniciarem nas artes do escrever bem. Heliônia não foi apenas a mulher escritora, foi a professora universitária e a esposa dedicada que soube construir um lar. E mais que tudo foi a doce amiga, aquela que nos contemplava em silêncio e que com um sorriso sempre tinha uma palavra amável. Não foi apenas Eva, nem apenas Pandora, foi a encarnação da inteligência feminina materializada na sua produção cultural, e um exemplo para as mulheres do seu e do próximo século. E revolucionária, quando ousou, numa sociedade preconceituosa de então, fazer a biografia de Octávio Brandão Rego, notório comunista nacional e internacional, demonstrando a coragem histórica a que o escritor não pode se furtar, mesmo que para tal haja que enfrentar desconfianças e olhares transversos e maldosos. Sinto-me profundamente honrado, portanto, substituindo, aqui na academia, a uma mulher da estatura de Heliônia Ceres.

A humanidade, meus senhores e minhas senhoras, conheceu quatro grandes momentos:

1 -Quando os dóricos ( dórios ), povos guerreiros do Norte da Grécia, invadiram o Sul os aqueus (micênios) evadiram-se para a Asia Menor. E ali realizaram a passagem da mentalidade mitológica para a mentalidade teorizante. E logo as primeiras audácias no campo da teorização legaram ao mundo a vastidão de conhecimentos que a Grécia doou ? humanidade...

Quando as sucessivas ondas de frio expulsaram as tribos indo-iranianas do Norte da Europa e das estepes siberianas, elas se dividiram em dois grupos. O primeiro foi para a Índia e se mesclou ? s antigas civilizações, fundando as religiões místicas, nas quais os seres humanos, através da beatitude celestial ( o nirvana ) retornam ao seio da natureza a ela se reincorporando. O segundo ficou nos planaltos do Irã e do Afeganistão, com Zaratustra, o grande profeta. E foi ele que realizou a passagem do homem nômade para o homem que se fixou ? terra, através da agricultura. Zaratustra também fundou a religião profética, ao aceitar a " revelação divina, dos profetas ". Nascia, portanto, um deus monoteísta em contraposição ao politeísmo e o antropomorfismo dos antigos gregos. A eliminação dos sacrifícios sangrentos, uma nova relação com a terra. Nascia um Deus ético e uma nova postura econômica diante do mundo, que se transformava num campo de batalha contra tudo o que se opusesse ? humanização do homem, que se tornava sujeito e responsável pela sua ação histórica. Cada um, portanto, na doutrina de Zaratustra, é responsável pela sua escolha, eis o toque fundamental de tão antiga doutrina.

Mas Zaratustra parece ter sido o primeiro a se preocupar com o surgimento dos nômades, verdadeiros homens homens-lobos – que passaram a pilhar as colheitas dos que se fixaram ? terra, plantando, sobrevivendo, e donos dos seus destinos. Estes homens-lobos hoje estão mais nutridos, mais fortes, e pilham , lá do alto dos seus edifícios de concreto-armado, através das poderosas máquinas cibernéticas que controlam o mundo, principalmente nas Bolsas de Valores, os homens que trabalham duramente.

Pela brecha aberta por Zaratustra passaram os profetas do judaísmo e do cristianismo....

3- O Movimento Iluminista, que realizou a passagem da Idade Moderna ( Renascimento, Reforma Religiosa, Descobrimentos Marítimos, e Formação dos Modernos Estados Nacionais ) para a Idade Contemporânea, através da Revolução Francesa de 1789 ) O homem econômico portanto, consolidava-se e, com ele, a sociedade competitiva, agora organizada ? luz de uma doutrina racional que podia ser exportada e controlada ? distância. As monarquias tremeram em suas bases. Os reis e imperadores já não eram os representantes de Deus, na terra. Ruía por terra o que havia da antiga ética e das superstições. Com o Iluminismo a crítica e a razão sobrepujaram a fé, liquidando o Fideísmo como resquício da Idade Média ( pelo qual todo conhecimento tinha como fonte a fé), e o Teocentrismo ( Deus como centro de tudo). Com Denis Diderot ( França-1713-1784 ), pai da Enciclopédia Francesa, o " o primeiro passo para a filosofia era a incredulidade" Com Julien-Ofrroy de la Mettrie ( França-1709-1741) o homem foi comparada ? máquina. Tal comparação, de caráter irremediavelmente irreligioso e ateísta, permitiu que as leis da mecânica fossem transportadas para a sociedade humana. Com Etiene Bonnot de Condillac ( França-1715-1771, religioso e abade ) o conhecimento nada tinha de sobrenatural ou transcendental, senão que era fruto dos sentidos, como audição, tato, paladar, visão e gustação. Nenhum século foi mais materialista e ateísta que o Século das Luzes, dos pensadores iluministas, ouso afirmar, mesmo quando não nutro qualquer nostalgia pela Idade Média e seus obscurantismos. O Iluminism9 colocou o hoem como o principal elemento dentro do contexto universal. Diria mesmo mesmo que realizou um Teocentrismo invertido, colocando o homem no lugar de Deus. E não estamos conseguindo sair de tal situação de modo confortável. E poderemos, outra vez, reindagar se o homem realmente substituiu Deus. Eis o dilema arquitetado no século das luzes, portanto...

Quando Charles Darwin publicou " Origem das Espécies " , argüindo nossa ancestralidade ligada a um " primata superior " , automaticamente liquidou com o " mito do judeu primitivo " ( Adão ), como o ponto de partida da raça humana. A luta pela sobrevivência nos reinos inferiores ( mas que conseguia ser harmônica ) foi, automaticamente, transportada para a sociedade dos homens com o pomposo nome de " sobrevivência do mais apto " pelo filósofo britânico Herbert Spencer. Thomas Hobbes, então, construiria seu famoso axioma: " bellum omnium contra omnes " ( a guerra de todos contra todos ). Não houve a preocupação de se analisar que o animal agia por instinto e o homem pela inteligência. E tão perversa transformação serviu como uma luva para os países colonizadores. E hoje continua alimentando o homem-lobo, das preocupações de Zaratustra – o profeta do islã.

O " mito do judeu primitvo " voltaria a ser rompido por Teilhard de Chardin ( padre, filósofo, arqueólogo, sobretudo antropólogo, etc ) aos nos afirmar em " O Fenômeno Humano " , " que o homem é o fruto de um trabalho de bilhões de anos realizado pela natureza, ao criar a matéria com estado anímico ", embora o mesmo Teilhard, piedosamente, teologize a evolução quando nos afirma que " o fim último e superior da matéria anímica é a hominização, determinada pelo Divino ". Nem por esta conclusão final o piedoso teólogo evitou ser punido pelo Vaticano. Cumprindo pena na China, descobriu, nas Grutas de Chucutien, esqueleto humano, parece que de mulher, e que recebeu o nome Luci, e talvez o mais antigo ancestral da raça humana, batizando-o com o nome de Sinatropo Pekinense ( Homem de Pequim ), passando ? história muito mais como arqueo-antropologista que como teólogo.

4- O quarto grande momento teria sido a implantação do Socialismo na ex-União Soviética. Segundo a intenção de Karl Marx ( discutí-lo exigiria um trabalho em separado, e mesmo já está visto que nem precisaria dele para assustar a muitas pessoas ) o homem voltaria a ser ético e a sociedade cordial. Não deu certo. O " culto ? personalidade ", o " ultracentralismo ", "o ateísmo oficial", duas guerras mundiais, uma terrível guerra civil ( com um inventário de 40 milhões de mortos), além os bloqueios econômicos europeus, e outros tantos fatores, liquidaram o homem ético e a sociedade cordial, pelas pressões do " homem econômico " , aquele mesmo lobo de Zaratustra, de Thomas Hobbes e de Herbert Spencer , e maior símbolo da sociedade competitiva. E a ex-União Soviética abandonou o seu destino socialista, sem tempo para refelexões e em estado de convulsão social para avaliar para questionar o seu futuro e o futuro final do socialismo..

Benjamin Barber, da Universidade Rutgers, Nova Jersey, Estados Unidos, nos fala da " MacDonaldizadção do mundo " , doutrina do otimismo econômico da globalização da economia que tenta suavizar as fronteiras mundiais, a um tempo, e a outro nos fala do "Dijihad ", ou seja, das " regressões tribais " que explodem por uma Europa que tenta se unificar. As regressões tribais estão ligadas aos nacionalismos, quer dizer : todos aceitam a unificação européia, desde, é claro, que suas nacionalidades e raças sejam respeitadas. Recentemente Francis Fukuyama, teórico das macro-economias, dividiu o mundo em pré e pós-histórico. No pré-histórico colocou as guerras, os nacionalismos e as questões religiosas. No pós-histórico colocou a paz, a harmonia e a suavização das fronteiras. Mas é exatamento no suposto mundo pós-histórico, dos ricos e dos supostamente felizes, onde os problemas do suposto mundo pré-histórico, dos pobres, acontecem os maiores desatinos, e em maiores escalas.

Mal encerramos o século, ainda submerso na Idade Contemporânea, e nos defrontamos com a estruturação da chamada Sociedade de 20 / 80, ou sociedade de um quinto, quer dizer, sociedade na qual apenas 20% da mão de obra ativa produtiva será absorvida pelo mercado, deixando ao abandono 80% de desempregados, por conta do fato da era cibernética, da loucura da informática, da falsa teologização do computador como o novo Deus do universo, embora, lá no fundo de tudo isso, dissimuladamente, esteja ocorrendo a grande mudança do capitalismo, sua maior atividade no campo do lucro especulativo, e muito menos o lucro baseado em gerar empregos e indústrias, robustecendo ainda mais o homem-lobo. , que já citando nesta oração. A decisão exdrúxula da sociedade de 20 / 80 foi tomada em setembro de 1989, no Fairmont Hotel, em São Fancisco, Califórnia, Estados Unidos, e não deixa de ser um fato assustador, por conta da ousadia de decidir o destino final da humanidade num ato inexplicável e intolerável.

E aí, meus senhores e minhas senhoras, uma doutrina, a Economia, na ronda dos séculos, foi afastando e culminou, em tal reunião, no afastamento de todas as demais correntes do pensamento, a Filosofia, a Teologia, a Sociologia, Antropologia,, etc...etc, da formulação de juízos sobre a noção de Estado. E tal uma serpente louca que um dia engolirá a própria cauda quando nada mais tiver para engolir e digerir, reina absoluta contabilizando nossos destinos nas Bolsas de Valores deste sofrido planeta Lá nas Bolsas de Valores tanto podemos encontrar o céu, quanto o paraíso e o inferno, na mais estranha das Teologias de que tenho notícias. O problema é que ali, a partir das decisões tomadas no Farimont Hotel, trabalho escrito pelos cientistas sociais alemães Hans Peter Martin e Herald Schumam, no livro "Armadilha da Globalização , o céu de um será sempre o inferno do outro, feliz ou infelizmente.

Henry Kissinger, em "Diplomacia das Grandes Potências",, na verdade recebendo apenas o nome de "Diplomacia" recentemente lançado no mercado, com revisão de tradução da parte de Heitor Aquino Ferreira, da Editora Francisco Alves, nos afirma que os impérios não têm vocação para a política de equilíbrio do poder, doutrina atribuída aos ingleses, para uma Europa que se debatia entre uma tirania do mar, a própria Inglatrerra, na compreensão dos pensadores e políticos americanos, e uma tirania de terra, a França das razões de Estado, de Richelieu, o cardeal do poder francês de então. Os impérios, Kissiger suspeita e até nos garante, são "o próprio poder", não admitindo relações de divisão do poder com seus inferiores, de certo modo repetindo a fábula de La Fontaine, a conhecidíssima história do lobo e do cordeiro, ou o homem-lobo de quem tenho insistido tanto nesta pequena oração. Mas logo o homem-lobo, a serpente da ronda dos séculos, logo começará a comer a própria cauda....

Meus senhores e minhas senhoras, o próximo século será a maior das incógnitas na qual estaremos mergulhando. Mas será, também, o século que poderá fazer renascer os nacionalismos, as buscas das identidades perdidas, o que o próprio Kissinger prefacia e também profetiza, de certo modo, no seu volumoso livro, e que deveria ser lido por todos.

Portanto, meus senhores e minhas senhoras, talvez fatigados pelas usuras da globalização os povos hajam que escolher entre os impérios e os nacionalismos. E esta será uma decisão para as gerações futuras.

Por enquanto, seria necessário lembrar que as mudanças do mundo também exigirão mudanças em Alagoas. E creio mesmo que teremos de sair daquelas posições nas quais apenas os vários setores da sociedade fazem reuniões nas quais tratam dos seus interesses e esquecem do destino maior de Alagoas neste final de século, e postergando o destino coletivo de um Estado. Alagoas está carecendo de um debate, um inadiável debate, sem o qual temo pelos seus rumos futuros. Faz-se necessário que todas as camadas que decidem rumos de Alagoas discutam os gravíssimos problemas que o próximo milênio trará, diminuindo um pouco suas preocupações em resolveram apenas seus interesses, aplacando um pouco o homem-lobo que ainda se exercita dentro, nem diria de todos, .muitos homens de grande envergadura e responsabilidade social.

Alagoas está carente de um grande debate. E não lhe faltam entidades de grande porte para tal debate. Aí estão o os três poderes, o Executivo, o Legislativo, o Judiciário, a Universidade Federal de Alagoas, O Instituto histórico e Geográfico de Alagoas, a Academia Alagoana de Letras, a Igreja, ou as Igrejas, os partidos políticos, a Ordem dos Advogados de Alagoas, as Organizações Não-Governamentais e outras tantas que nem consigo anotar todas, para, num esforço supremo, descobrirem alguma teoria que nos salve, que permita prosseguir, saindo da Aurora para o final do dia. Do contrário, temo muito pelo nosso futuro

Hille Schwartz, prêmio Nobel, no seu livro "Final de século", nos alerta que todo final de século transforma a humanidade numa raça de bobos, de tolos, propiciando o surgimento de messianismos e de profecias, claro, falso de um modo geral. Mas final e o início do próximo, tais os problemas de que estão pejados, com certeza nos fará refeltir se a humanidade mesmo é de filósofos ou de profetas. Um dos dois estará nascendo, é o meu desejo para o próximo século. Teilhard de Chardin teorizou a matéria anímica como destinada ? "hominização", ? formação homem, com um sopro do Divino e apto para o exercício do humanismo. Os economistas teorizam o homem-máquina de Julien-Offroy de la Metrie, sobre quem já falei. E vão mais além: robotizaram o homem, metalizaram-no, tiraram-lhe a alma e o coração, e os ensinaram que a existência é apenas lucros e acumulação de riquezas. Pois bem: é contra este homem, o velho lobo de Zaratustra, que estou no aguardo da vinda de um grande filósofo, ou de um grande profeta, malgrado o alerta de Hillel Schwartz. A Idade Contemporânea esgotou-se em tragédias e guerras mundiais. Seu amior tento parece ter sido tornar impraticável a guerra atômica. Ela foi riquíssima em tecnologia, mas paupérrima em humanismo. O mundo está a necessitar de uma Idade Futura, na qual os homens se reencontrem e outra vez possam se dar as mãos.

Finalizo citando dois grandes poetas brasileiros: Francisco José Soares Feitosa e Christiano Nunes Fernandes.

O primeiro, criador do poema "Salomão", sobre o qual escrevi longo trabalho que está no "Jornal de Poesia", página da Internet mantida pelo poeta, uma homenagem ? figura do negro na história do mundo, travestido em todas as grandes figuras que ele conseguiu ser, desde Eliezer, professor cearense que não tinha braços, até Luther King e outros tantos, porque, como diz Soares Feitosa, "Quem é livre-dentro-de-si jamais é preso, em si ", dizendo, ainda, mais adiante: "As obras de papel e pedra ficam / ficam também as obras da fé / ...e no século cem serão jogadas todas as obra / só as obras ; / os homens não". E para arrematar, Soares Feitosa nos brinda com esta pérola, quando fala da Aurora: " Que a Aurora jamais será branca .../ nem preta / Veja nos céus..."

O segundo, sem a pretensão do filósofo, que dominava não apenas os temas do amor e da existência social, mas também aqueles que implicavam em conteúdos filosóficos. Tanto que, num único quarteto de um dos seus poemas ele resumiu o que os filósofos levam anos para uma conclusão: a fatalidade das coisas, sejam elas sócio-históricas, ou sejam de natureza emotivo-doméstica dos homens. É assim, portanto, que Christiano resume a fatalidade: "Tinha de acontecer, por necessário / E inúteis foram todos os enganos. / O instante redimiu o calendário / e os dias serão novos como os anos".

Aguardemos, portanto, a Aurora do próximo século, do próximo milênio, que a cultura estará em movimento, sugerindo um destino para a humanidade. E meus enormes desejos de que as próximas gerações bem usufruam do lento trabalho dos pensadores, dos homens que continuam o trabalho dos seus ancestrais.

Rumo ? Aurora do próximo século, portanto, e que os dias sejam sempre novos, como os anos que virão !. Tudo se move : Galileu tinha razão, sinto-me com razão com relação ? cultura !

Muito obrigado !




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