Luiz Nogueira Barros
   
   
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CRONICAS




28/11/2009 - 20h00min

Maceió


Fonte: Luiz Nogueira



Maceió - Rua do Comércio : foto antiga


Do alto do velho farol - que tombou numa noite de chuva - são vistos, ofuscantes, os pontos históricos da cidade. Alguns irradiam os tempos pretéritos imortalizados nas casas e nos sobrados coloniais, por vezes esquecidos em ruas antigas. E outros, dos tempos de hoje, imortalizados pela modernidade do asfalto e espigões de cimento apontados para o céu, vigiados pelas seculares torres das igrejas.

Pela frente tem os mares: O mar epopeico de Camões, o mar lusíada; O mar político de Cabral, o mar colonizado; O mar do general Labatut, que nestas águas prestou serviço à Coroa portuguesa combatendo o general Madeira, que caudilhava a Bahia desobedecendo as ordens do Imperador e, em nossas águas ameaçaria as naves de guerra que seriam construídas na Praia do Francês, o mar de guerra; O mar doloroso de Castro Alves, o mar dos escravos, em cujas praias alvas areias rangem sob o passo dos viventes que por ali transitam com seus sonhos e suas queixas, em busca dos coqueirais incessantemente batidos pelos ventos.

E há, para quem desejar ver e ouvir, fantasmas que ainda nos rondam. Uns que se mostram ao nosso olhar sedento de passado. E outros que nos falam pelas vozes dos ventos antigos. São tantos: Zumbi, que pode ter sonhado um Estado negro; Os Fonsêca e Peixoto, heróis da República; Aurélio Buarque de Holanda, ainda criando e decifrando palavras; Jorge de Lima, assustado com o sumiço dos lampiões antigos; Artur Ramos, em busca dos últimos enigmas antropológicos; Jaime de Altavilla,à cata de algum poema que não lhe deu tempo para ser escrito; Pontes de Miranda, ainda debruçado sobre o constitucional e o inconstitucional da condição humana na sociedade; Graciliano Ramos, tonto de espanto por ver a fartura das águas e a secura do seu sertão; e finalmente Tavares Bastos, assustado com a política dos dias de hoje.

Lá em baixo está a planície litorânea, dominada pelas praias, terraços marinhos, cordões litorâneos, recifes da costa, terrenos semipantanosos dos mangues e terras de inundação dos rios que chegam ao mar diretamente, ou então através de pequenos deltas interiores, da obra do professor e geógrafo Ivan Fernandes. A planície é ligada ao planalto sedimentar dos tabuleiros pelas encostas que, do lado marinho são conhecidas como falésias, e do lado das lagoas e dos rios são conhecidas como ribanceiras. Os tabuleiros ligam a cidade aos antigos vales úmidos da Mata Atlântica que, no passado, forneceram madeira para o Reino de Portugal fabricar suas embarcações colonizadoras e hoje estão cobertos por um tapete de cana de açúcar.

Ao Sul ficam as lagoas, que ao longo dos anos matam a fome dos pobres com o peixe e sururu. Ao Norte estão os grandes ancoradouros dos tempos coloniais.

Lá adiante, num verde-azul perolado pela luz do sol, está o mar de Pajuçara, imortalizado por Aldemar Paiva, o mar imortalizado - com suas águas mornas a banharem, num ritual eterno, os seios e os cabelos das mulheres que se bronzeiam para os atos do amor.




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