Luiz Nogueira Barros
   
   
 nogueirabarros35@gmail.com  
.
         
Luiz Nogueira Barros
   

_____________

. Principal

. Notícias

. Entrevistas

. Crônicas

. Contos

. Poesias

. Ensaios

. Fábula

. Teatro

. Fallas
  Provinciais

. Governadores
  da República

. Mensagens
  Presidenciais

. 2ª Grande
  Guerra

. In memoriam

_____________

. Maceió

. Manifesto dos
  Estudantes

. Sessão Solene
  de Instalação
  da Ufal

_____________

. Sobre o Autor

_____________

 
 



Visitantes:

contador de visitas

 

ENSAIOS




10/02/2010 - 06h43min

Roger Garaudy

Um gênio contemporâneo

Fonte: Luiz Nogueira Barros-nogueirabarros@uol.com.br

Roger Garaudy, pensador francês, é um autor que todos deveriam ler. O humanidade muito lhe deve, em matéria de haver-nos alertado contra os graves riscos que abalam o mundo. Sua versatilidade nos dificulta por onde começar. Sua obra "Apelo aos Vivos" é o mais expressivo documento sobre a morte do mundo, assassinado friamente pela usura humana. Angustiado, ele chega a nos dizer: " Optar pela energia nuclear é assassinar nossos netos".

Em "A Grande Virada do Socialismo", que lhe valeu a expulsão do Partido Comunista Francês (1957), Garaudy nos dá a dimensão do filósofo. Do homem que não pode se limitar a interesses partidários, se a humanidade está sob o risco de algum desastre. O livro é grandioso e nos mostra que o homem violou três infinitos. O INFINITAMENTE PEQUENO: ao domar o átomo e liberar a sua fantástica energia. O INFINITAMENTE GRANDE: ao transpor as barreiras da Terra, viajando pelo Cosmo. O INFINITAMENTE COMPLEXO: através da Cibernética.

Agora, os computadores seriam aqueles instrumentos que inverteriam a equação "tempo \ trabalho", diminuindo o trabalho, favorecendo o lazer e a criatividade do homem. Assim era que " Uma revolução da ciência preparou uma revolução pela ciência".

Mas nada evolui sem que não dê nascimento a "mutações". Toda a saga humana, violando três infinitos, não repartiu equanimente os frutos de tais vitórias. Ao contrário, tendeu para a concentração de poderes nas mãos dos seus detentores. Garaudy estava alerta e nos advertiria: " Não acredito que, pelo simples jogo da entropia histórica o mundo atual alcance necessariamente o equilíbrio, o regime capitalista socializando-se pela força das coisas, e o socialismo liberalizando-se pela mesma força das coisas". Tal a preocupação de Garaudy, que ele nos alertou sobre o fato de que tais "mutações" precisavam ser analisadas. E muito mais: que para as novas mudanças criadas a partir da revolução pela ciência, os homens precisavam de " inciativas" (novas) para a superação de tais mutações. Mas, ao contrário, foi silenciado pelo Ocidente e Oriente, que travaram uma batalha econômica à sombra do fantasma dos cogumelos atômicos. E quase tivemos a guerra nuclear. O capitalismo não se socializou, continuando concentrador de poderes. E o socialismo se liberalizou, mas, também buscando o caminho da concentração de poderes. Capitalismo e socialismo (conclusões pessoais) não conseguiram definir uma doutrina sobre as reais necessidades humanas.

O entropismo histórico falhou. Garaudy tinha razão! E ainda não sei a que serviu sua razão.

Fosse poeta, eu temeria fazer um poema de apologia à revolução pela ciência. Mas, homem comum, estou no aguardo de que a ciência não seja apenas um instrumento de dominação política.

Muitas vezes me pergunto: até quando poderemos confiar no frágil equilíbrio do mundo atual? Que futuro ele nos reserva? O capitalismo fez duas guerras mundiais. A utopia era a de que o socialismo serviria de contraponto ao desenlace de uma terceira. Já não temos socialismo. E as iniciativas para conter o poder e a usura da revolução pela ciência não me parecem convincentes. E agora?


Diário-24-10-93

Roger Garaudy II


Mudança é sempre alguma coisa problemática. E provoca, em muitas pessoas, temores imprecisos. Os motivos passam por interesses pessoais irredutíveis, medos, sentimentos conservadores e egoístas e outras tantas situações. Mas a grande mestra, a natureza, vai nos mostrando, no dia a dia, a mudança como uma necessidade de adaptação a novas situações e sem a qual o futuro estaria terminantemente comprometido.

Mas há pessoas refratárias às mudanças. E por isso estão perdendo de conhecer os grandes temas da humanidade. Para elas eu indicaria o livro " Viagem Solitária no Meu Século", de Roger Garaudy, filósofo francês que ao longo dos anos manteve aceso o diálogo entre marxistas e cristãos, numa Europa que ardia sob as cinzas da guerra fria. Garaudy nos mostra o que estas pessoas estão perdendo.Por exemplos:

- De meditarem sobre se as religiões podem outorgar ao homem um destino fatal e irrevogável, ao invés de entenderem que o homem é capaz de construir a sua própria história.

- De meditarem sobre a perspectiva histórica do homem, na hipótese de o juízo final acontecer.

- De meditarem se, para se chegar a Deus, o homem tem, necessariamente, que voltar as costas para a matéria e para o mundo.

- De meditarem se a Teologia da Libertação emanou mesmo do presumível messianismo dos oprimidos que forneceu, aos padres operários, os instrumentos que os fizeram sair das antigas atitudes de espera e orações para as novas atitudes do agir, da ação, não para criarem o Reino na terra, mas ao menos para melhorar a terra.

- De meditarem se as condições concretas para uma revolução social (sem a obrigatoriedade das armas) ou qualquer outra, são a única razão para que elas aconteçam.

- De meditarem porque, muitas vezes, as condições objetivas, concretas, estão aí e os homens não fazem as suas revoluções. Se isso, por exemplo, a realização da revolução, não passaria pelo fato da exigência de que os homens transcendessem a si mesmo nas suas mesquinharias e deformações. Transcendência sem a qual de nada adiantariam as condições objetivas, maduras e concretas do fato histórico. E mais: se esta transcendência não seria o fato salvador do que se convencionou chamar conquista revolucionária. Sim, porque muitas, depois, foram destruídas pela própria deformação e mesquinharia humanas.

- De meditarem se o fim último de toda ideologia é apenas a hegemonia das suas convicções, ou se é possível um esforço universal pelas complementaridades entre elas, com base no diálogo.

Temos visto episódios mais ou menos recentes: Hélio Jaquaribe, Walter Barelli e Luiza Erundina desatendem aos seus partidos e vão para o governo. E os seus partidos afirmam:"Vão por conta própria!".Jamais dizem: " - Temos orgulho de que o nosso partido possa oferecer alguém digno de ajudar ao país". A Partitocracia (governo dos partidos), em nosso país, não leva em conta os interesses maiores do seu povo, mas seus interesses ideológicos e solitários.

E me pergunto:adianta ter condições concretas para uma revolução política, se os homens não transcendem às suas mesquinharias?

Gazeta de Alagoas-3O-1-93





Não foi possível realizar a consulta ao banco de dados