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ENSAIOS




10/02/2010 - 15h09min

Igreja :quinhentos anos depois

Papa João Paulo II pediu desculpa por a Igreja haver apoiado a escravidão

Fonte: Luiz Nogueira -nogueirabarros@uol.com.br

Nesta sua viagem, o Papa João Paulo II pediu desculpa por a Igreja haver apoiado a escravidão. Palavras tardias mas que chegaram, finalmente. Faz pouco a Igreja deu por encerrada a "infalibilidade do Papa", um privilégio remoto. Afinal, era difícil provar em qual documento da "Revelação Divina" estava escrito que um homem comum, mesmo com auras de santo (portanto não santo, ainda) poderia ter um dom somente atribuído a Deus e aos santos.

Mesmo que se considere a desculpa como sinal de uma Nova Igreja e dos novos tempos, a desculpa não apagará os episódios de tristezas e perversidades perpetradas contra a raça negra, e a reboque a dos índios. O apoio à escravidão não foi unânime. Os jesuítas, aqui mesmo no Brasil e na época das Missões (Rio Grande do Sul), conviveram com dificuldades com tal situação, sobretudo com relação aos índios. Se tivemos um padre Manoel da Nóbrega, escravagista, perverso, defensor não apenas da escravidão do negro mas também do índio, que, se resistisse, deveria ser aniquilado ou colocado em aldeias, o quer dizer reduzidos (reducionismo) a animais, tivemos o piedoso José de Anchieta (em processo de canonização) capaz de pressentir nos nossos aborígenes o fato de que eles também eram criaturas de Deus. E até a compará-los com uma "tábua rasa" para os ensinamentos, o que quer dizer eles poderiam aprender tudo o que lhes fosse ensinado. A escravidão foi um episódio de horrores. Quem não sabe disso ? E será que a desculpa, mesmo vinda do Papa, apagará a angústia das palavras de Castro Alves em seu poema "Ao romper d'Alva":( Senhor, não deixes que se manche a tela \ Onde traçaste a criação mais bela \ De tua inspiração.\ O sol de tua glória foi toldado...\ Teu poema da América foi manchado,\ Manchou-o a escravidão. )

Não é comum chefes de regimes políticos, que cometeram perversidades, virem de público pedir desculpa por atos dos seus governos. A isso somente chegam perante os tribunais da história, quando se consegue levá-los aos bancos de réus. Muitos morrem calmamente (e até admirados) nas suas casas de campo. Uns poucos chegam ao suicídio. Outros são fuzilados. Mas a maioria morre em exílios cheios de amarguras, desgarrados da terra (país) a que fizeram males.

A herança da escravidão, fonte de misérias e racismos, legou ao mundo uma legião de deserdados da sorte (andarilhos perdidos) pedindo esmolas e dormindo nas portas das Igrejas, num tempo em que elas não estavam cercadas por grades de ferro. As mansões e os castelos estão sempre com suas portas fechadas e bem vigiadas.

A "Desculpa Papal", se considerada estratégia para lidar com os deserdados da sorte, abre duas questões: a primeira, a Nova Igreja poderá confiar (para tão dura tarefa) nos antigos parceiros deste processo histórico que deveria se encerrar no pedido de desculpa, já que fez opção pelos pobres? A segunda, obriga-se a rever o castigo de Leonardo Boff pela sua Teologia da Libertação, uma vez que o socialismo (marxista) já não é a " besta do Apocalípse?".

A "Desculpa Papal" não pode se reduzir a figura de retórica!.

Gazeta de Alagoas- 28-8-93





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