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ENSAIOS




10/02/2010 - 15h20min

Admirável mundo novo


Fonte: Luiz Nogueira -nogueirabarros@uol.com.br

Ao longo da história a humanidade vem experimentando todos os tipos de sociedade. Por vezes foi a da idolatria ao guerreiro conquistador - com guerras de conquistas. A dos santos - adorados tais coisas inquestionáveis. A dos "tótens"- divindades que materializam as forças primitivas. A dos reis e imperadores - representantes das forças divinas. A do consumo - representada por dógmas expostos nos "shopings", que dão aval a um estilo de vida altamente refinado, ou então altamente miserabilizado e representado pelo trágico varejo da sobrevivência, exposto nos melancólicos e sujos mercados públicos. A política - que terminou ideologizando a felicidade - num debate entre (que terminou apenas para os tolos) o capitalismo e o socialismo.

Quem leu "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, "um prognóstico pessimista, uma terrificante utopia", nas palavras de André Maurois, fica perplexo diante do fato de que se continue tentando erigir uma sociedade com base apenas no comportamento. Se por um lado, um dia, a humanidade nasceu do comportamento de Adão e Eva, os seus condicionamentos não se tornaram hereditários, no sentido genético. Aliás, o "mito do judeu primitivo" (Adão) , como origem da humanidade, já foi desfeito pelas teorias de Charles Darwin e Teilhard de Chardin. O primeiro, argüindo a origem do homem em ancestrais primatas - macacos mais evoluídos. E o segundo, argüindo que a natureza, num trabalho de bilhões de anos criou a matéria animada, destinada "à hominização", ou seja, à formação do homem - o que não invalidou a teologização da evolução, por parte do piedoso e culto Teilhard de Chardin, o descobridor do "Sinantropo Pekinense", ou "Homem de Pekin".

O livro de Huxley tem, propositadamente, como personagens nomes russos e serviu a uma alegoria de que o socialismo tentou a formação de castas burocráticas superiores, uniformes, e castas inferiores também uniformes, embora o "Chefe do Mundo se chame Ford", mas não se sabe se Henry, Stalin, ou outro qualquer.

Se o processo laboratorial utilizado foi a "Boskanoviskzação", escolhido intencionalmente, Bernard Marx, personagem principal, teve seu sangue com um maior teor de álcool, daí porque não se sentir um igual entre os seus iguais e sofrer a tragédia de manter um certo encanto pela força da paixão e pelo mundo como algo mais primitivo.

Nada contra as mudanças. Quem se detiver no exame do livro de Huxley descobrirá que os intelectuais somente são condicionados depois de perderam as caudas. Antes disso, reagem às mudanças que pretendem uniformizar o comportamento - como perigosa atitude que exclui a paixão e pode criar estereótipos volúveis e voláteis. Ao longo da história, os intelectuais têm se dividido entre os que aceitam tudo repentinamente, quase por modismo, perdendo a cauda instantaneamente, e os que resistem até melhor entendimento do sentido das mudanças. Se os primeiros podem se tornar fulgurantemente hilariantes, os segundos, com toda a certeza, poderão se tornar "jurássicos" - para se usar o termo mais em moda, ao conservarem as suas caudas.

Com quantas repetições se faz uma verdade? Com milhares, durante longos períodos. Com algumas palavras e expressões pretende-se formar uma civilização de comportamento. Exemplos: jeans, mídia, atraso, modernidade, produtividade, realização, competição, abolição de fronteiras, otimização da economia, controle de qualidade, fraternidade universal, etc...

Se o livro de Huxley serviu de alerta contra a modernidade irracional e teve como paradigma a experiência socialista, malgradamente, ele também serve de paradígma para o Neo-Liberalismo que pretende uniformizar o comportamento através de palavras e expressões que atentam contra a individualidade dos povos e nações, já manifestadas nas guerras de libertação alimentadas por problemas de natureza racial, religiosa e geográfica - como está ocorrendo na Europa.

Estamos muito longe de uma sociedade de comportamento, porque todo comportamento é circunstancial, transitório. E, pensando bem, o Neo-Liberalismo já poderia mandar erigir uma estátua de Ivan Petrovitch Pavlov, o criador da Teoria dos Reflexos Condicionados; e outra para o senhor Francis Fukuyama, o criador do mundo "pré e pós-histórico", pelo menos até que as pessoas e as nações, ofendidas em grau máximo não reajam ferozmente, primitivamente, individualisticamente.

O Diário. 21.09.95





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