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ENSAIOS




10/02/2010 - 17h52min

Desastres ecológicos

Meio-ambiente é tudo o que nos cerca

Fonte: Luiz Nogueira Barros-nogueirabarros@uol.com.br

Interação

Meio-ambiente é tudo o que nos cerca. A relação que se estabelece entre os seres vivos e tudo o mais que os cerca gera equilíbrios e desequilíbrios. Um sofre a ação do outro. Interação, é o termo que bem explica a vida no planeta.

Os choques da interação

Imagine-se um vidro submetido a muito calor, ou muito frio: termina estilhaçando-se, partindo-se. O ferro, submetido também a muito calor termina atingindo a forma líquida. A água sob intenso frio vira gelo. Um ser vivo sob intensas mudanças ambientais sofre choques tão grandes que poderão levá-lo à morte. De outro lado, choques menores mais prolongados causam danos que até podem a tingir a estrutura genética dos seres vivos levando-os a mutações, que são formas de sobrevivências. Daí a doutrina de que os animais sofreram enormes mutações ao longo dos tempos mudando de uma forma para outra. Mas aí estamos na fase de pura interação ser vivo e meio-ambiente. Estamos nos tempos dos choques naturais. Imagine-se o dilúvio, que deve ter coberto de águas parte da terra, dos tempos bíblicos. O vulcão que soterrou cidades como Herculano e Pompéia. Ou o tremor de terra que poderá haver feito submergir a Atlântida. O enorme meteoro que, caindo sobre a América, deu origem ao Golfo do México.

A interação quando o homem é agente transformador



A partir de certo momento o homem começa a mudar o curso dos acontecimentos. Ele doma os elementos da natureza e os põe a seu serviço. Dá-lhes uma utilidade, digamos doméstica, no início, direcionada para fins de prazer, comodidade. Saltando a etapa anterior ele descobre que a natureza poderá ser explorada, também, para fins de riqueza e poder. Então ele investe contra a ordem natural, mas também anárquica das coisas. Trava-se, uma luta entre a natureza e o homem, que busca assumir a condição de senhor das coisas do mundo. Os choques de interação homem e meio-ambiente, agora, são de outras proporções, mais das vezes devastadoras. Imaginem-se as guerras, que com seus cadáveres espalharam centenas de doenças que viraram epidemias. A explosão demográfica correndo na frente da construção de esgotos, da melhoria da qualidade da água, gerando detritos que, acumulados, viraram fontes permanentes de doenças. Não faz muito tempo, 1945, século passado, em Hiroshima e Nagasaki, Japão, tivemos o maior espetáculo de destruição que a humanidade conheceu. O Senhor da Humanidade, o homem, o novo deus, violando o equilíbrio natural das coisas, sem ainda poder avaliar todas as suas conseqüências.





A ideologia do progresso

Em 1824 Sadi Carnot, cientista francês, publicou a obra O poder motor do fogo ( Le pouvoir motrice du feu), e o homem, teorizando que as massas críticas geradoras de energias, que se transformavam em calor, e calor que faziam as transformações que a industrialização precisava. De certo modo nascia a ideologia do progresso, da era industrial. Progresso por progresso não é novidade na história da humanidade. Vem de longe, desde os tempos quase imemoriais, basta que se consultem as várias idades da terra do ponto de vista de evolução. Mas com Sadi Carnot esse fenômeno é ideologizado, criando um ideário para as classes dominantes, um paradigma.

Em 1854 Rudolph Clausius descobre a segunda lei da termodinâmica: uma massa crítica que gera energia, energia que gera calor, calor que realiza transformações, mas que sofre perdas por conta da irradiação, e que ao final do processo acumula um déficit, e déficit incapaz de realizar nova transformação. Imagine-se uma locomotiva alimentada por lenha que dá para certo percurso. Ao final o que sobra são as cinzas. Mas a locomotiva permanece aquecida, por algum tempo, entretanto incapaz de prosseguir em sua viagem. O fenômeno recebeu o nome entropia. Ainda estamos no campo do fenômeno físico, e da abundância de massa (matéria) crítica no planeta. Com algum cuidado isso poderá ser transportado para a sociedade ideológica dos homens, sobretudo a econômica.

O esgotamento da ideologia do progresso

Decorridos menos de duzentos anos o planeta parece esgotado. Alguns ciclos encerrados, ou então caríssimos para ainda serem explorados. Os grandes e preciosos elementos energéticos do mundo estão condenados a um fim. O petróleo ainda resiste, mas até quando. O carvão de pedra também está se esgotando. As montanhas que escondem urânio estão sendo demolidas, afetando o equilíbrio ecológico. Os vapores dos gazes industriais que impestam a atmosfera estão causando buracos nas proteções contra os perigosos raios que afetam a vida no planeta. As calotas polares estão ameaçadas de degelo. Os mares correndo o risco de virarem esgoto a céu aberto. Os mangues pedindo socorro. Os desertos prosperando. As matas destruídas. O ciclo das águas, perturbado.

O novo choque



O homem, ciente de que a ideologia do progresso não é mais infinita, que terá um fim, violou o espaço e está em busca de algo que poderá lhe socorrer. Mas o que seria isso, e como trazer para a terra? E por enquanto está apenas acumulando lixo eletrônico no espaço sideral, que aos poucos nos devolve, sobre nossas paisagens desoladas.

A morte do planeta



A ideologia ilimitada do progresso, a explosão demográfica, a ânsia de riqueza e poder, com certeza, são os mais graves problemas para a humanidade. E um desafio que não dá sinais de que esteja sendo tratado com seriedade. Que respondam a essa afirmação não os homens, mas os caranquejos dos nossos mangues, as borboletas e as flores das nossas últimas florestas.

Dentro de alguns anos a questão, para a humanidade, não será mais político-ideológica, socialismo ou capitalismo, mas de pura sobrevivência. A ideologia do progresso ilimitado matará primeiramente a ideologia e depois o homem, e com ele a humanidade.



Publicado no jornal Política e Negócios, de Maceió, Alagoas, ano I-número 5 -Junho 2004





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