Luiz Nogueira Barros
   
   
 nogueirabarros35@gmail.com  
.
         
Luiz Nogueira Barros
   

_____________

. Principal

. Notícias

. Entrevistas

. Crônicas

. Contos

. Poesias

. Ensaios

. Fábula

. Teatro

. Fallas
  Provinciais

. Governadores
  da República

. Mensagens
  Presidenciais

. 2ª Grande
  Guerra

. In memoriam

_____________

. Maceió

. Manifesto dos
  Estudantes

. Sessão Solene
  de Instalação
  da Ufal

_____________

. Sobre o Autor

_____________

 
 



Visitantes:

contador de visitas

 

ENSAIOS




11/02/2010 - 07h58min

Ordem Rosacruz

Criado no Sec. XVII, com a publicação de três manifestos rosacruzes,

Fonte: Luiz Nogueira Barros-nogueirabarros@uol.com.br

Ordem Rosacruz


Fenômeno ocidental e sua história cronológica remonta à Europa da Idade Média. Sua popularização ocorreu no começo do Sec. XVII, com a publicação de três manifestos rosacruzes, ainda hoje vigentes, mas já com algumas modernizações. É uma instituição fundamentalmente mística, não-comercial, não-religiosa, apolítica, educacional, cultural e fraternal. Se por vezes foi considerada uma seita, por não haver sido demasidamente pública, o fato se deveu a perseguições, o que gerou um sentido de proteção dos seus membros. A palavra "cruz", da ordem, não tem o mesmo significado que tem no cristianismo, embora o Cristo permaneça com as características do Salvador da humanidade. Ela representa os desafios da vida, na concepção dos antigos místicos. A palavra "rosa", representa a rosa vermelha centrada no cruzamento dos braços da cruz e significa o desabrochar do ser humano. Para a ordem, misticismo significa apenas a possibilidade de o indivíduo conhecer, de modo direto, a Fonte de todo o Saber, aprendendo a lidar com os mistérios, como dirá Albert Einstein. É a possibilidade que o ser tem para conhecer o seu "eu reprimido" pelos processos de institucionalizações a que se está submetido desde a infância, o que é capaz de castrar as mentes mais privilegiadas. De certo modo a ordem adota Platão, quando afirmou que " ...o conhecimento é pura reminiscência...", abrindo uma janela para o passado, fato mais tarde contestado por Santo Agostinho, que preferia "...o conhecimento ser um ato divino do presente, dado por Deus no ato do nascimento", recusando-se a uma relação com o passado. Entre Platão e Santo Agostinho está o problema da reencarnação, que a tradição cristã somente admite para o Cristo.

Na Ordem Rosacruz o pensamento e a liberdade de cada um continuam preservados. Daí que todos a ela podem pertencer. E foi o que aconteceu no último domingo, em Paripureira, no Sítio Velho, de Braúlio Leite e sua esposa, Édina Pontes Leite, ou melhor "Soror Edina", coordenadora de um Grupo Rosacruz. Ali estiveram reunidas todas as correntes do pensamento e atividades humanas. Inclusive, e vale salientar, os conferencistas não eram da ordem, o que fazia D. Édina exultar, convencida da interação entre iniciados e leigos.

O Encontro

Encontro para troca de idéias e informações espirituais. O primeiro acontecimento da manhã foi uma saudação ao Sol, o Astro-Rei, o grande anunciador do dia e fecundador do universo no qual vivemos, criaturas humanas cheias de defeitos e virtudes.

O restante do dia foi palestras. Professora Eliana Cavalcanti: bailarina. Fundadora do "Ballet Íris" :

"A dança é a interação perfeita, corpo e espírito, através da linguagem do movimento. O narcisismo do bailarino, ou bailarina, diante do espelho não é bem o narcisismo tal qual nos fala a lenda (mito ) do Narciso, que morreu perplexo com a sua beleza diante do espelho. O narcisismo do bailarino, ou bailarina, é muito mais a busca da perfeição do gesto, essa coisa que colocamos no vazio do espaço no qual dançamos. É uma superação do corpo físico. É exaltação do gesto, que busca transmitir um estado de espírito quando interpreta alguma coisa, que bem pode ser uma história, uma lenda, um mito . Todo o universo dança, através dos seus movimentos. A dança é a representação dos movimentos do universo, através dos nosso corpos, como obra máxima da Criador, ou Deus. Meu sonho é transformar o ballet num espetáculo de massa"

Talvez Sebastião Bastos, Flávio Gomes de Barros e Toroca, magos do esporte, pudessem analisar a possibilidade de levar o ballet para a abertura de clássicos do futebol alagoano. Afinal, o futebol, como arte perseguida e desejada por todos, é um ballet em campos grandes e gramados. E o ballet poderia ajudar a diminuir a violência dos estádios. Fica a sugestão.

Haidêe Torres e o nosso velho jornalista Carivaldo Brandão, do "O Jornal de Alagoas", que se complementaram sobre o significado da "Projeciologia":

" Projeciologia estuda os fenômenos enquanto irradiação da energia dos seres vivos além do corpo físico. Dessa forma o campo energético que os seres possuem em torno de si está impregnado da sua essência psíquica. Pensamento, sentimento e energia se fundem e envolvem o seu emissor constituindo-lhe a "aura", muitas vezes realizando-lhe a vontade bem antes que ele a comande objetivamente. Daí a necessidade do auto-conhecimento e da ética na seleção dos pensamentos que cultivamos como fatores de equilíbrio pessoal e harmonia social, por sabermos que as relações entre as pessoas se estabelecem primeiramente no plano extra-físico.

A Projeciologia considera ainda a teoria das múltiplas existências da consciência humana, fornecendo explicações para os diversos problemas existenciais e para muitos fenômenos mentais ainda não explicados pelas etapas nas quais se encontram as ciências, em nossa época."

Olga Soares de Lima, candomblecista e estudante da UFAL, Cadeira de História, primeiramente nos informa que a história sobre a África foi retirada do currículo, forçando a quem desejar preparar uma tese sobre temas que envolvam os negros ter que ir buscar fontes em Salvador, Bahia. Mas eis suas palavras sobre o Candomblé:

" Culto Afro-Brasileiro. Percebido como religião por alguns - iniciados e simpatizantes. E como seita para outros - observadores e críticos. O candomblé pouco revela de si mesmo a aqueles que não estão interessados em compreendê-lo. Mesmo entre os iniciados na tradição, há dificuldade em perceber-se o que ele realmente representa. As casas de culto, no Brasil, tiveram, efetivamente, o papel de centralizar, proteger e coordenar a resistência negra diante do processo de aculturação que os negros sofreram. E é dessa forma que o candomblé irá reproduzir a sociedade africana, no Brasil. Ao leigo resta uma visão estreita ( menor ) de uma religião suspeita. Ao pesquisador e "buscador" pertencerá a visão de uma ciência antiga e profunda, que já não é mais visível a todos, mesmo internamente, dentro das casas de culto."

Mirna Porto falou sobre seu livro, ainda não editado. Trata-se, segundo entendi, de uma historinha para crianças. Pelas suas colocações, entretanto, se os símbolos de que se utiliza são didáticos e com fins a atingir as crianças ( mais sensíveis a uma nova educação ), o tema também é dirigido aos adultos, que jamais souberam viver no paraíso e que, quando levados ao trabalho e à acumulação de riquezas terminaram por apresentar mudanças de comportamento, perturbando o planeta e o seu equilíbrio natural desde os tempos imemoriais.

Luani Albuquerque Macário, estudante de direito, coordenadora de expansão e cultura da "ordem" no Nordeste, falou sobre o tempo (eternidade) e espaço (infinidade sobre a condicão humana, por vezes pequena e por vezes grandiosa, respondendo aos grandes desafios da vida.

Também tivemos uma hora de arte: a declamação de um poema sobre a água como fonte criadora do universo, por Augustinho Filho, rosacruz. E outro, declamado por Raimundo Nonato, também rosacruz, sobre "certos convites" para "certos caminhos", esclarecendo que os caminhos devem ser procurados por cada um. Abel Zeferino cuidou da sonoplastia.

Também me pronunciei sobre os longos e duros caminhos da fé, desde o politeísmo e antropomorfismo dos antigos gregos. Da mudança da mentalidade mitológica para a mentalidade teorizante, realizada pelo aqueus, gregos antigos. De Zaratustra, o Profeta do Islã, que fundou a agricultura, prendendo o homem à terra, tornando-o responsável pelo seu destino, acabando com os sacrifícios de animais, aceitando a Revelação Divina ( o que lhe permitiu criar as condições para as religiões proféticas), colocando-se, desde já contra o futuro antropomorfismo e politeísmo dos gregos antigos e, enfim, marcando o mundo com um grande momento da sua história. Mas tarde a fé se defrontaria com os iluministas do século XVIII, na França. E agora, os pensadores já não aceitavam que o "conhecimento" tivesse origem na fé, a sua única e exlusiva fonte. Os sentidos tomavam o lugar da fé. Foi um abalo porque, com tal mudança de comportamento, ruiu o Fideismo - a fé como única fonte do conhecimento; e o Teocentrismo - Deus como o centro de tudo. Mas apesar de tudo o sentimento religioso não mudou e continua dentro das pessoas. Se alguns países - calvinistas e luteranistas - não mais colocaram os princípios humanísticos da religião como princípios de Estado, agiram com o intúito do não desgaste das religiões, passando-as para um plano secular, privado e inalienável, que todos têm direito a uma religião - talvez o mais antigo sentimento da humanidade e colocado entre o medo da perda do paraíso e a esperança de viver dignamente. Finalmente, examineio problema da fé ( convicção) quando é exercitada dentro de pequenos grupos e as maravilhas que é capaz de realizar. Mas também a dificuldade da fé ( conviccão) quando aplicada em proporções elevadas, por exemplo, quando aplicada ao que se chama humanidade, essa totalidade das raças, tornado-se, ao invés de altamente maravilhos, problemática e capaz de gerar conflitos de proporções insuspeitadas, tais os quadros mundiais de conflitos entre nações.

Outra vez Cláudio Brito me interrogou, levando em conta a seguinte questão: se eu não via na busca individual - premiando o esforço de cada um - o verdadeiro caminho para a humanidade, na medida em que somente a partir do conhecimento e respeito a si mesmo o ser humano é capaz de respeitar e amar ao outro. E que, se tal caminho, encontrado, não traria uma solidariedade mais confiável entre as pessoas, e fato que poderia abalar as próprias religões.

Então, reportei-me ao fato de que a individualidade também poderia estar na Bíblia, quando nos ensina que "devemos amar ao próximo como a nós mesmos". E tentei explicar que para chegarmos a tal individualismo (não confundir com egoísmo) ainda teremos um longo caminho. Primeiramente porque as religiões não abrem mãos das suas essências para disputarem as suas verdades no campo da ciência, como um dia desejou Bruno Bauer, pensador alemão. E ainda porque seria preciso que a ciência chegasse a um impasse de tal natureza que apenas as religiões pudessem fornecer material para a sonhada fraternidade universal. Refleti sobre o fato de que o ser humano precisa descobrir - para fundar uma nova sociedade - a via mais eficaz para atingir seu pico máximo da individualidade capaz de apoiar as demais individualidades, criando uma coletividade contraditoriamente individualista, a um tempo, mas a outro de cumplicidades nas suas individualidades. E que, se a via for a científica, ou a religiosa, ou as duas, conjugadas, tanto religião como ciência continuarão importantes para as nossas vidas. E finalmente me defini como um "agnóstico" - capaz de examinar o mais tênue raio de luz , desde que ele sirva à humanidade.

Ao final do encontro Bráulio Leite, decano do teatro alagoano, se pronunciou agradecendo o acontecimento e desejando que ele se repetisse, sempre que possível. E logo D. Édina ( Soror Édina ), sua esposa, leu, no que foi acompanhada por todos, a "Oração do Rosacruz" :

"Ajuda-me ó mestre, a aprender e a praticar a paciência. Quando eu estiver tenso com as coisas materiais, que meus passos sejam mais lentos e meus pensamentos mais tranqüilos. Quando eu for tentado a encolerizar-me por causa da violação real ou imaginária de meus direitos, lembra-me que vivo em comunhão contigo. Inspira-me o pensamento de que, antes de agir, devo consultar-te. Ajuda-me a ser bondoso, manso, humilde diante de insultos, de privações e de todas as injúrias. Divino Mestre, ensina-me a paciência, a mansidão. Ensina-me a paz "

O por do sol encerrou os trabalhos, trazendo as primeiras brisas e zéfiros da noite.

O Diário, 11. 06. 95








Não foi possível realizar a consulta ao banco de dados