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ENSAIOS




11/02/2010 - 08h06min

Testamento de Pedro, o Grande Czar de todas as Rússias

No Ocidente, foi publicado pela primeira vez em l8O7, na França.

Fonte: Luiz Nogueira Barros-nogueirabarros@uol.com.br




No Ocidente foi publicado pela primeira vez em l8O7, na França, sob o título " Des Progrés de la puissance russe depuis so origine jusqu'aux commencement du XIX siécle"; a segunda edição desta obra data de l8l2 (Ed.Fantin, Paris).

Mesmo que os soviéticos tentem demonstrar que se trata de um documento apócrifo tanto os atos de Pedro, quanto os de seus sucessores desde Catarina, a Grande, até Lenine, Stalin e Brejnev - provam que, mesmo se as palavras por acaso foram apócrifas os atos que a elas correspondem não o são e jamais o foram.

Diz o testamento em seus vários itens:

1 - Nada negligenciar para dar à nação russa as formas e os costumes europeus, e,neste sentido, envolver várias cortes, principalmente, os sábios da Europa, quer aproveitando-se os seus interesses, quer utilizando-se os princípios filantrópicos, quer usando outros motivos para alcançar este alvo. beneficie-se das vantagens dos outros países sem nada perder das suas próprias.

2 - Manter a nação russa em estado de guerra contínuo, para dispor do soldado aguerrido e sempre em forma, deixá-lo repousar somente para melhorar as finanças do Estado, refazer as Forças Armadas e escolher os momentos oportunos para o ataque. Fazer, desse modo com que a paz sirva à guerra e a guerra sirva à paz, no interesse da grandeza e da prosperidade crescente da Rússia.

3 - Participar em todas as ocasiões, e de qualquer forma dos negócios e soluções na Europa - quer por força, quer por astúcia, e sobretudo no que diz respeito aos assuntos da Alemanha que, pela proximidade, nos interessa diretamente.

4 - Fazer com que as esposas dos príncipes russos sejam sempre escolhidas entre as princesas alemãs, para multiplicar as alianças de família, aproximar os interesses e unir a Alemanha à nossa causa, aumentando a ssim a nossa influência naquele império.

5 - Dilacerar a Polônia, provocando nela problemas e mantendo ali o estado de anarquia; conquistar os seus poderosos mesmo a peso de ouro; influenciar no seu Parlamento (DIETAS), corrompê-las, a fim de influenciar as eleições dos reis, colocar seus partidários, protegê-los, colocar as tropas russas no país, e lá deixá-las até que surja a ocasião de permanecer definitivamente. Se as potências vizinhas colocarem dificuldades,apaziguá-las momentaneamente através da divisão do país, até que se possa recuperar a parte que foi dada.

6 - Tomar o mais que se puder à Suécia e saber fazer-se atacar por ela para ter pretexto de subjugá-la. Para isso, isolá-la da Dinamarca bem como a Dinamarca da Suécia, e fomentar cuidadosamente suas rivalidades (N.de red: naquela época a Finlândia fazia parte da Suécia).

7 - Estender sem esmorecer em direção ao Norte, ao longo do mar Báltico, bem como em direção ao Sul, ao longo do mar Negro.

8 - Procurar de preferência a estreita aliança com a Inglaterra através do comércio, já que é a potência que tem mais necessidade de nós para sua Marinha, e que pode ser mais útil ao desenvolvimento da nossa. Trocar as nossas madeiras e outras produções por seu ouro; estabelecer até monopólio que possa exercer na Rússia para assim criar sua familiaridade com nossos mercadores. Os seus marinheiros e os nossos mantendo relacionamento contínuos, poderemos formar os do nosso país para aperfeiçoar e engrandecer a nossa Marinha, a navegação e o comércio, o que nos permitirá dominar o Báltico e o mar Negro.

9 - Aproximar-se o mais possível de Constantinopla e das Índias. Quem as dominar será o verdadeiro soberano do mundo. Em conseqüência provocar guerras contínuas, seja com os turcos seja com a Pérsia, estabelecer estaleiros no mar Negro; apropriar-se pouco a pouco desse mar, bem como do Báltico, o que é um duplo aspecto necessário ao sucesso do projeto; apressar a decadência da Pérsia; penetrar até no Golfo Pérsico; restabelecer, se possível pela Síria, o antigo comércio do Levante, e avançar até as Índias, que são o entreposto do mundo. Uma vez feito isso, não se necessitará mais do ouro da Inglaterra.

10 - Procurar manter com zelo a aliança com a Áustria; apoiar, aparentemente, suas idéias de dominação futura da Alemanha, e excitar, contra ela, sub-repticiamente, o ciúme dos príncipes. Procurar fazer com que lhe solicitem socorro a Áustria, tanto uns quantos outros, e exercer sobre o país uma espécie de proteção que prepare a dominação futura.

11 - Interessar a Casa d'Áustria em expulsar os turcos da Europa e neutralizar seus ciúmes por ocasião da conquista de Constantinopla, seja provocando uma guerra com os antigos
Estados da Europa, seja doando-lhe uma porção da conquista, que se retomará mais tarde.

12 - Aproximar e reunir em torno de si todos os gregos desunidos ou cismáticos que estão espalhados, seja na Hungria, seja na Turquia, seja no interior meridional da Polônia; ligar-se a eles por todos os meios para obter seu apoio, denominar-se seus protetores para obter uma espécie de domínio ou supremacia sacerdotal. Eles serão amigos que se terá dentre cada um dos inimigos

13 - A Suécia desmembrada, a Pérsia vencida, a Polônia subjugada, a Turquia conquistada, nossos exércitos reunidos, Mar Negro e o Báltico guardados por nosso barcos de guerra, deve-se então propor em separado e muito secretamente, primeiro à Corte de Versalhes, depois à de Viena, a partilha do Império do Universo. Se uma das duas aceitar, o que é inevitável, aproveitar-se dela para esmagar a outra, através do estímulo à sua ambição e ao seu amor-próprio. Depois esmagar por sua vez a que restar, empenhando-se contra ela, em uma luta que não seria duvidosa com a Rússia já possuindo com exclusividade todo o Oriente e uma grande parte da Europa.

14 - Se, o que quase não é possível, alguma delas recusasse a oferta da Rússia, dever-se-ia suscitar atritos entre elas e fazer com que uma desgastasse a outra. Então, aproveitando-se de um momento decisivo, a Rússia faria com que se lançassem suas tropas, já reunidas anteriormente, sobre a Alemanha, enquanto elas avançariam até o Reno, seguidas por massas populacionais nossas, ao mesmo tempo em que duas frotas consideráveis partiriam, uma do mar de Azov e outra do porto de Arkhangel, repletas das mesmas hordas asiáticas, sob escolta das frotas armadas do mar Negro e do mar Báltico. Avançando pelo Mediterrâneo e pelo oceano, elas inundariam a França de um lado enquanto a Alemanha o seria por outro; esses dois países vencidos, o resto da Europa seria subjugada facilmente e sem lutas. Assim deverá ser subjugada e vencida a Europa. ( Síntese do livro "L'Art de la Politique" de Gaston Buthol, com permissão da Universidade de Brasília, e publicada pelo Jornal do Brasil de 2O de Janeiro de l98O, caderno suplementar).

Ainda em continuação sobre o testamento de Pedro, levar em conta a consideração de George Kennan:" a nação russa sempre teve interesses de Estado extremamente nítidos. Coloca-se então a questão, aliás fundamental, de como interagem as razões de Estado e as razões ideológicas. Em que aspecto divergem, e em que aspecto convergem representando uma duplicação nas frentes de batalha. Bzezinsk afirma que em 1917 a Revolução Russa não apresentou uma ruptura com o passado, do ponto de vista de razões de Estado, expansionistas. Recentemente, no Jornal de Alagoas, escrevi um trabalho com o nome de Testamento de Pedro e Castigo de Lenin, face aos últimos acontecimentos na União Soviética, e mostrei o processo.

No Ocidente foi publicado pela primeira vez em l8O7, na França, sob o título " Des Progrés de la puissance russe depuis so origine jusqu'aux commencement du XIX siécle";a segunda edição desta obra data de l8l2 (Ed.Fantin, Paris).

Mesmo que os soviéticos tentem demonstrar que se trata de um documento apócrifo tanto os atos de Pedro, quanto os de seus sucessores desde Catarina, a Grande, até Lenine, Stalin e Brejnev - provam que, mesmo se as palavras por acaso foram apócrifas os atos quea elas correspondem não o são e jamais o foram.

Diz o testamento em seus vários itens:

1- Nada negligenciar para dar à nação russa as formas e os costumes europeus, e, neste sentido, envolver várias cortes, principalmente, os sábios da Europa, quer aproveitando-se os seus interesses, quer utilizando-se os princípios filantrópicos, quer usando outros motivos para alcançar este alvo.

2 - Chamar, por todos os meios possíveis os povos mais instruídos da Europa, capitães durante a guerra e sábios durante a paz, para que a nação russa ocesso divergente em 1917: as razões de Estado, expansionistas, haviam sido mantidas; mas as razões ideológicas haviam sido mudadas, saindo da monarquia para o capitalismo. No quadro anexo vejamos as conquistas russas: Durante os séculos que vão do reinado de Pedro, o Grande, ao fim da dinastia dos Romanov em 1917, a Rússia tzarista incorporou:

a - Asia Central, entre outras áreas: atuais repúblicas soviéticas de: Casaquistão, Tadjiquistão, Usbequistão e Quirquistão.

b - A Sibéria oriental até a costa do Pacífico, e parte da Mongólia até a fronteira da China.(A URSS anexou aqueles países)

c - As regiões finlandesas de Petsamo e Viipuri (Wiborg), que deram à URSS o acesso maior à costa navegável do Mar Ártico, colocando-a ao lado da fronteira da Noruega, e ampliando o acesso russo ao mar Báltico.

d - Os Estados antes independentes de Estônia, Letônia e Lituânia, que alargaram o acesso da URSS ao Báltico.

e - A parte setentrional da Prússia oriental (com Conigisberg, transformado em Kalinigrado, que permitiu à URSS consolidar seu papel de potência marítima no Báltico.

f- As regiões orientais da Polônia, incorporadas, respectivamente, à Bielorússia soviética, Lituânia e à Ucrânia soviéticas.

g - O território oriental da Techeco-Eslováquia (Rutênia Subcarpática), incorporada à Ucrânia soviética.

h - Os territórios romenos da Bessarábia (como Kishiniev), transformada na República Soviética da Moldávia, e de Bucovina (com Chermovitz), incorporada à Ucrânia soviética.

i - O país independente embora pouco conhecido, situado em plena Asia Central, Tannu Tuva, com a capital em Kzyl, hoje região autônoma soviética.

j - O Sul da ilha Sakalina, antes pertencente ao Japão, que antes da guerra de 1945 fazia parte integrante do Japão.

k - Além destas conquistas diretas, que a posição oficial soviética jamais considerou como anexações, porque segundo o Kremlim, uniam-se a um país que formalmente constitui uma união das repúblicas socialistas e que as aceitou para em comum lutar em prol do futuro radiante do homem. Além destas conquistas, repetimos, a URSS praticamente incorporou à sua área de influência política direta, na Europa, ainda os seguintes países:A Romênia : que lhe dá a saída ao mar Negro, e o domínio do curso do Danúbio ; a Hungria, que prolonga seu domínio sobre o Danúbio; a Bulgária, que torna a URRS a potência marítima do mar Negro; a Techoslováquia, que reforça a sua posição nas áreas
anteriormente austríacas (às quais alude Pedro,o Grande);a Polônia, a cujo território foi incorporada uma terça parte da Alemanha (sendo dela expulsa a população germânica (autóctone), reforçou a posição russa na Europa central e aumentou sua posição de potência marítima no mar Báltico.

A Alemanha Oriental, ou seja, a outra terça parte da Alemanha, o que coloca a Rússia no coração da Europa e aproxima a saída do Báltico para o mar do Norte e Atlântico.

A Finlândia, antiga possessão sueca, independente e totalmente neutralizada pela URSS. A Mongólia, de onde surge a ameaça sobre a China. O Afganistão, de onde parte o caminho em direção dos mares do Sul. A Coréia do Norte, que reforça a posição marítima da URSS no Pacífico. O Iémem do Sul, que permite a saída para o Pacífico e para o oceano Índico. O Vietnã, Laos e Camboja, que abrem a saída para o Pacífico

Na América este domínio abrange Cuba.

Na África, o domínio soviético incorpora Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Etiópia e Guiné-Conacry.

Mesmo que se omita a menção dos outros países que ideologicamente gravitam na área soviética, é forçoso reconhecer que o testamento de Pedro, o Grande, está escrupulosamente sendo realizado por seus sucessores. Passo a passo, o Ocidente não o conhece, é verdade. Mas é bom lembrar que, em l939, poucos leram Mein Kampf, de Adolf Hitler, embora publicado em pleno centro da Europa. E se leram não acreditaram na validade dos intúitos que ali foram claramente expostos. O testamento de Pedro, o Grande,é muito mais nebuloso e longínquo. Muito mais ignorado, para que se acredite que pudesse ter sido engendrado, diante dos nossos olhos, com pretextos por ele sugeridos, com alvos por ele determinados.

O texto leva a assinatura de Gaston Buthol, e consta do livro "L'Art de la Politique"-Ed. Seghers-Paris, 1808)

O Jornal do Brasil, em 1982, publicou esta versão, provavelmente simplificada, ou até incompleta, com permissão da Biblioteca do Senado Brasileiro, cujo texto original encontra-se em seus arquivos.




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