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IN MEMORIAM




11/02/2010 - 10h48min

Geraldo Alves

Um manancial de sonhos e projetos...

Fonte: Luiz Nogueira Barros-nogueirabarros@uol.com.br

...o fascínio de uma amizade se em alguns perece à primeira tempestade, noutros se multiplica e envelhece com a dignidade incomum que caracteriza as almas gentis.....( Luiz Nogueira Barros )

Amanheço o dia e lá está a notícia de morte do meu amigo. Diletíssimo amigo, aliás. Um imenso choque percorreu minhas lembranças. Nessas horas a gente prefere que haja erro no nome. Procuramos alguma coisa que nos permita dizer que não se trata de quem imaginamos. Apeguei-me ao "dos", que liga seu nome a Santos, ao final. Mas sabia que ele não andava muito bem. E fui ao telefone. Era ele mesmo. E transportei-me aos nossos anos de faculdade. Num lapso de tempo as imagens saltam dos nossos arquivos e desfilam com a nitidez que um dia foram registradas. Lembrei-me de uma foto tirada numa daquelas piscinas, na verdade pequenos tanques para peixes, e lá estamos todos nós: vestidos de branco, felizes, os traços juvenis, o riso de sonho. Um monte de utopias lado a lado. Porque era e foi assim: só tínhamos sonhos ! E a ele tínhamos direito por uma duríssima conquista. Nossos sóis estavam a pino, no meio da linha do céu, no Equador de nossas vidas e nem pensávamos em crepúsculos...

Inquieto, magérrimo, cabelos louros, falante, inteligentíssimo, Geraldo era estridente nos sentimentos, nas emoções e no demonstrar uma amizade. Um manancial de sonhos e projetos...

Nossa amizade sempre correu por estreitos corredores domésticos. Fui amigo dos seus pais. Vi o martírio da morte de sua mãe. Nossas casas eram terrenos conhecidos para os nossos passos de alegrias e muitas vezes de tristezas.

Os anos passaram e nos distanciamos. Muito mais eu que ele. Levei a minha utopia para um plano social de lutas que julguei corretas. Quieto, lá, no seu projeto médico, Geraldo jamais deixou de ser meu amigo. E quantas gargalhadas dava quanto nos encontrávamos. E até ficava furioso quando eu silenciava por muito tempo.

Mas os fatos encresparam suas ondas para o meu o meu lado.. E um exílio voluntário, no Rio de Janeiro, aumentou a distância entre os nossos encontros. Muitas vezes reduzidos a um convite que sempre recebia para jantar com ele, quando por aqui vinha para passar férias. E lá um dia estivemos algumas vezes reunidos em sua casa, diante de uma mesa com um centro giratório. Era o mesmo, sem medo, sem preconceito, risonho, com aquela gargalhada dos nossos tempos juvenis. O mesmo afeto, o mesmo encantamento da antiga amizade. Eu é que havia mudado, Geraldo não, era o mesmo. Não que não lhe demonstrasse afeto, que sempre lhe reservei um carinho especial. O que me assustava, proscrito que era naquele momento, é que as durezas da vida, muito mais da minha, claro, em nada lhe afetaram os sentimentos de amizade. E compreendi que o fascínio da amizade se em alguns perece à primeira tempestade, noutros ele se multiplica e envelhece com a dignidade incomum que caracteriza as almas gentis. E Geraldo era e foi uma alma gentil num mundo de poucas gentilezas.

Morreu o meu amigo. E peço a gentileza ao Criador, justamente eu homem de poucos méritos diante Dele (imagino), que retribua as gentilezas que o meu amigo distribuiu na sua passagem pelo mundo com um justo lugar onde estejam os homens de boa vontade. Para mim, Senhor, fique certo, eu nem ousaria pedir alguma coisa senão que forças para continuar lutando, que esse tem sido o meu mister. Mas para o Geraldo, acredite, Senhor, estou Lhe fazendo um pedido. E um pedido de um homem sofrido não é um pedido, é um ato de extremo afeto misturado com desespero. E não deve ser negado, Senhor ! Não deve, Senhor, mesmo feito por alguém que até pode estar blasfemando, pois o meu amigo nada tem com isso !..



Geraldo Alves dos Santos foi meu colega médico, da turma de 1963. Professor de Medicina Legal, e tema sobre o qual publicou livro. O mais íntimo dos meus amigos afetivos e que ficaram longe da política, entre os quais Aldo Casado e José Adauto estão incluídos, todos de terníssimas memórias para mim...LN





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