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IN MEMORIAM




11/02/2010 - 10h54min

Arnoldo Jambo

Socialista na juventude, manteve acesa a chama da utopia na maturidade

Fonte: Luiz Nogueira Barros-nogueirabarros@uol.com.br

A vida é um imenso lago (azu ), já disse um poeta. Tem sido assim: imenso lago no qual lutam o fluxo da vida e o da morte. Mas um lago cheio de diques com suas comportas, também é verdade, por indicativos da biologia. Na juventude pleno, cheio, deixando resplandecer em suas águas os raios do sol. Por vezes seca um pouco ante o calor da existência. E logo recompõe suas águas, que as chuvas tardam mas não faltam. Mas os fluxos da vida e da morte operam em silêncio. O primeiro, mantendo a vida e propiciando a existência - necessária representação da condição humana no planeta mergulhado no Universo. O segundo, forçando os diques que contêm o lago e tentando violar as suas comportas. E há sempre um dique mais frágil, uma comporta mais suscetível de ser aberta. E por lá o fluxo da morte tenta esvaziar o lago da vida. De repente é contido, fecham-se as comportas e a vida ressurge e segue. Mas ele está sempre de volta, que há sempre outro dique no qual as comportas poderão ser abertas e por elas serem esvaziadas as águas do lago que se derramarão pela planície da morte - entidade tanatológica imensurável.

Enquanto a luta dos fluxos da morte e da vida operaram no lago azul de Arnoldo Jambo ele sempre fez da existência o maior dos presentes recebidos da criação: duríssimo nos juízos sobre a honestidade e valor dos textos intelectuais, e fragilíssimo quando se tratava de solidariedade que a vida exige dos homens de mentalidade superior, sempre prontíssimo, portanto, para um grande gesto pelo qual jamais avaliou conseqüências, baseado, talvez, na loucura lúcida a que a vida por vezes nos conduz.

Socialista na juventude, manteve acesa a chama da utopia na maturidade. É verdade, uma maturidade um tanto abismada deste mundo de hoje e com o qual ele jamais sonhou: este mundo de contrastes ensurdecedores, opacificantes das nossas melhores visões, perverso, portanto. Mas ainda sonhava, ainda assim escrevia, ainda assim preparava seus livros ainda não publicados, ainda assim, com a visão maltratada pela opacificação que os anos trazem, vivia sua biblioteca de 5.000 livros adquiridos ao longo da existência e aos quais tratava como se fossem rebentos da sua passagem pela existência. Tanto que, preocupava-se muitas vezes que destino teriam eles após a sua morte.

Vitorioso nas letras, no amor e na vida, Arnoldo Jambo pressentiu que o fluxo da morte estava rompendo as comportas dos diques do seu lago azul - a vida - e derramando suas águas sobre a planície da morte, num espetáculo que as nossas mentes de vivos recusam-se a imaginar, mas que deve ser devastador e somente poderia ser retratado pelos que estão morrendo, os que por vezes o retratam se o olhar ainda conserva alguma lucidez, alguma convicção de que há um fim, finalmente, para as coisas.

E ainda ressoa em meus ouvidos, na UTI, com a fala embargada, a sua última frase:

- Nogueira, estou morrendo ! E o Bráulio ?





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