Luiz Nogueira Barros
   
   
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11/02/2010 - 19h02min

Macilon

Não fosse a generosidade do Hospital Universitário

Fonte: Luiz Nogueira - nogueirabarros@uol.com.br

Não é de agora que tenho escrito matérias sobre a "onda privatista", "estabilidade de funcionário público" e "desnacionalização".
Escrevi temas como "Brincadeira com a saúde?", nos quais mostrei como liquidaram com a "saúde pública" no Brasil. Recentemente perdi um irmão com "carcinoma de pulmão", aposentado do sistema previdenciário. Propriamente não perdi: ele me foi tragado, "tomado", grosseiramente porque, não fosse a generosidade do amigo Eduardo Jorge, da Santa Casa de Misericórdia, eu ainda teria que arcar com as despesas até mesmo de uma "tomografia computadorizada"; não fosse a generosidade do Hospital Universitário (professoras Denise e Conceição) eu não teria como suportar as despesas de um hospital particular. Na verdade o meu irmão morreu como indigente, sendo segurado do INSS, tendo direito apenas a uma modesta sonda de oxigênio nasal, analgésicos (alguns até comprados por mim), a minha angústia e a sua obstinação expressada por um olhar de profunda tristeza, quando fugi da sua enfermaria - nos últimos instantes - para chorar pelos corredores.
O que estou querendo dizer é o seguinte: doente final é considerado uma perda que não deve ser "bancada" (dificultando obter internação hospitalar), como se seres humanos fossem objetos de avaliação em "Bolsas de Valores de Doença e Saúde".
Trinta e cinco anos de serviço público e qualquer hora também estarei correndo o risco de ser recusado em algum desses "opulentos hospitais" que cobram a "bagatela" de R$ 10 a 15.000,00 reais de "caução", baste que o convênio com antiga "Patronal", hoje "GEAP", haja sido suspenso, caso em que morrerei pois minha família "está desautorizada" a vender qualquer dos pouquíssimos bens (dois carros usados e um computador) adquiridos através de "consórcios"; uma casa do Sistema Fianceiro Habitacional, com saldo devedor na "ionosfera" (última camada da atmosfera).
Ambulatório de saúde pública virou tragédia. Ali os médicos cumprem "fé de ofício", seguindo a "trilha dos mortos anunciados", impotentes, perplexos, desmotivados.
Em conversa com as pessoas verifico como é difícil pagar um plano de saúde particular da Golden Cross, Unimed e Bradesco, devido "tempo de carência" , tipos de direitos oferecidos e uma série de outros absurdos contratuais, em época de salários arrochados.
Recentemente o meu amigo Epitácio Mendes, proprietário da IMUNILAR, pagando R$ 436,79 (quatrocentos e trinta e seis reais e setente e nove centavos) mensais precisou se operar, em São Paulo. Pois bem: de uma despesa de pouco mais de R$ 7.000,00 (sete mil reais) teve como reembolso menos de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando, em Maceió, não havia atendimento para a sua cirurgia, segundo me mostra, com "recibos de ressarcimento" emitidos pela Golden Cross.
E, pura ironia da minha vida: estou sendo considerado reacionário porque não aderi ao modernismo. Continuarei assim, desejando que o meu nome esteja desvinculado de tal modernidade que somente leva em conta as pessoas enquanto capacidade produtiva de gerar riquezas que, infelizmente estão direcionadas para grupos usurários ficarem cada vez mais ricos e prepotentes.
Não está havendo um processo de privatização, mas usurpação dos direitos de cidadania - sob a máscara da modernidade. Até aceito a parceria, não a dominação, a capitulação. Quero o meu nome longe, bem longe, quando todo o patrimônio nacional público (não só da área de saúde) passar para mãos usurárias. Já me basta ser de uma geração que apoiou e está vendo o desmonte de um Estado que, razoavelmente, dava assistência aos cidadãos aos quais cobrava impostos. Prefiro que os modernistas assumam o compromisso com o desmonte, e que, daqui a 20 ou 30 anos (os mais jovens) possam avaliar os seus erros ou acertos com a modernidade que trata seres humanos como títulos resgatáveis, ou não, na imensa Bolsa de Valores do "time is money ", frio e movida a cifras...

O Diário. 23.11.95





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