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IN MEMORIAM




11/02/2010 - 19h12min

Ao Mestre Sílvio

"Philosophia est cognitio per ultima causa...."

Fonte: Luiz Nogueira - nogueirabarros@uol.com.br

"Philosophia est cognitio per ultima causa....", falava o Mestre Sílvio de Macêdo, nas suas aulas para nós secundaristas, no velho Liceu Alagoano, naqueles anos funcionando no Instituto de Educação. As suas aulas começavam às 21.15 horas, quando a estudantada já estava cansada e a noite já ia um tanto adiantada para os hábitos da época. Havia silêncio nos corredores do instituto e por aquilo a voz do mestre fluía, bem audível, imperturbável. E numa noite, enquanto o mestre falava, ao seu lado, numa urna de madeira e vidro, o esqueleto que ali estava levantava e balançava a mão. Todos se assustavam. O mestre olhava na direção do esqueleto e ria. Voltava a falar. E outra vez o esqueleto levantava e balançava a mão. O mestre ria outra vez. O esqueleto, então, aquietando-se permitiu ao mestre terminar sua aula. E saíamos todos, acompanhado o mestre. E só então ficaríamos sabendo da astúcia do nosso amigo "Gambá", autor da armadilha, que fazia o esqueleto balançar a mão através de um cordãozinho que o repuxava, brincadeira logo perdoada pelo mestre, aos risos, gesticulando, incrédulo...

Filosofia sempre foi a busca interminável do Mestre Sílvio de Macêdo. A última causa da sua procura, neste mundo de tantas aflições. Se não a desvendou, tudo bem, coisas da vida. Desde Sócrates - o último grande pensador - nada mais se tem feito que não a tentativa de conhecermo-nos, da máxima "conhece-te a ti mesmo". Lavoisier nos garantiu que "na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma". A humanidade e os pensadores continuam parados no tempo filosófico, tentando imitar os atos da Criação. Arnold Toynbee, historiador inglês, afirmou que vivemos a Era do conhecimento, mas não da sabedoria.

O Mestre Sílvio de Macêdo sempre procurou a sabedoria. Por ela deu toda a sua vida, seus estudos, seus melhores momentos da existência. Por ela se dedicou ao ensino, plasmando gerações que conservam o gosto pelas razões das coisas. Passava, sempre de branco, pelas ruas, parecendo ainda em busca das razões das coisas. Dir-se-ia, para alguns desavisados, que estava alheio ao mundo. Mas bastava ser parado e logo algum assunto do conhecimento filosófico entrava na pauta da conversa. De uma vez conversávamos eu, ele e Laurentino Veiga, num casarão antigo da Barão de Penedo, em demolição para ser transformado num estacionamento. Eu e Laurentino colocamos a questão da sua aceitação para Academia Brasileira de Letras. O seu olhar pareceu triste:

– Bem que sonhei! E lutei! A minha obra, com certeza, um dia, fará sombra ao meu vencedor. Coisas da vida!...

Sua última produção jornalística fala de pedras e flores. Suas últimas reflexões filosóficas o conduziram às dimensões cosmogônicas tanto dos Campos Elísios, quanto do Inferno e do Purgatório. Preferir as flores sempre lhe foi gesto antigo. Sua reflexão (última procura) pode ter sido a absoluta convicção pelas flores. Sua vida está justificada, portanto, como filósofo. A morte só o consagrou...

Gazeta de Alagoas - 24.03.98





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