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IN MEMORIAM




11/02/2010 - 19h15min

Rholyne Sondy

Cumpria a pena de prisão perpétua, o único no Brasil.

Fonte: Luiz Nogueira - nogueirabarros@uol.com.br

Ironia é o único termo que encontro para a morte de Rholyne Sondy Cavalcante Silva, no último sábado, às 11 horas da noite, num cruzamento da Avenida Comendador Leão, quando, saído da noite, alguém, alucinadamente e numa A.20, voou a mais de 100 kms por hora sobre a sua "Elba", enquanto ele aguardava, parado, a abertura do sinal de trânsito e o outro, o "agente da morte", violava o sinal de trânsito e a quietude da noite - desarrumando as suas camadas de silêncio.
Rholyne, menos conhecido das novas gerações, foi, num passado ainda muito vivo, personagem nacional e internacional, chegando a ser entrevistado pela revista "Newsweek" e pelo jornal "Time", ambos americanos, quando ali, ainda muito jovem, respondeu a perguntas sem a maturidade necessária, sobre a sua inclusão na lista dos quarenta para a libertação do embaixador americano Elbrick, seqüestrado e trocado por prisioneiros políticos e entre eles o hoje deputado federal Fernando Gabeira.
Rholyne foi o único a não ser entregue pelo governo brasileiro, pois àquela época cumpria a pena de prisão perpétua, o único no Brasil, além, e aquilo era uma excrescência jurídica da época em que se vivia, respondia a outros processos por atividades políticas contrárias ao regime, como se tivesse cinco ou dez vidas para responder perante os tribunais de todos os tempos.
De família classe média em ascensão social, tem irmãos engenheiro (pró-reitor, administrador de empresa), médica e militares (coronel e general). Seu próprio pai era militar. Tal situação familiar pode deixar claro como lhe foi difícil uma opção pela luta sócio-política, quando era um próspero funcionário do Banco Nacional do Norte, que lhe abria excelente oportunidade.
Morrer, é coisa natural, se a morte é ato da fatalidade biológica, ou vontade de Deus, como muitos preferem. Morrer estupidamente, não. Sobretudo para quem teve uma vida tumultuada, cheia de riscos.
Jovem, e cumprindo pena de prisão perpétua (à época quase chegamos à pena de fuzilamento), Rholyne conheceu Fátima Torres, jovem engenheira movida pelo romantismo. O destino armaria, para os dois, uma linda história de amor. Fátima se tornaria uma espécie de "Cinderela" para o seu Príncipe (porque Rholyne tinha a figura e os gestos refinados) contido entre as grades da exdrúxula condenação que violava os limites de tempo concedido ao sêres humanos.
Tudo corria suavemente, como se o príncipe e a cinderela - agora com três filhos - houvessem que envelhecer felizes, talvez cercados de filhos, de netos, e até de bisnetos, para que se cumprisse a mais romântica das fábulas.
Mas a noite, mais preferida pelas tragédias, fez surgir uma máquina mortífera, apocalíptica, veloz, com seus "cavalos-de-força", desgovernada, roncando, dirigida por um insano, para, numa tragédia que durou segundos, fraturar a fábula, levando o seu príncipe para o além, para a eternidade, para um prisão perpétua que em vida o poder político tentou lhe impor.





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