Luiz Nogueira Barros
   
   
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CRONICAS




19/02/2010 - 08h39min

Icla da Silva

...uma luta que não foi pequena.

Fonte: Luiz Nogueira - nogueirabarros@uol.com.br



Icla da Silva está sepultada em Maceió no Cemitério Parque das Flores, entre eucaliptos que exalam um perfume típico, ao sabor dos ventos e que, contra o sol desenham sobre as sepulturas rasas e cobertas de flores sombras semelhantes às figuras, às imagens.

Icla da Silva descansa de uma luta que não foi pequena, nem para ela nem para os seus pais. Num final de tarde, observando as sepulturas fiquei a imaginar se ali estavam apenas alguns corpos levados pela morte. E mais que isso, se ali não estavam sepultados sonhos e mais sonhos,, fadigas e mais fadigas, das criaturas humanas que um dia iniciaram uma saga sobre o planeta, munidas de uma coisa que se chama vida – algo até hoje não totalmente definida pela condição finita das pessoas comuns, dos sábios, dos filósofos e dos teólogos. E me lembrei de Shakesperare :”Há mais sabedoria entre o céu e a terra do que pensa a vã filosofia”

Icla era uma menina que adorava andar de bicicleta, estudar, ver amiguinhas. Um sonho pequenino e próprio e próprio de sua idade.. Tinha um coração, uma alma e dois olhinhos inocentes que, juntos haveria de ter-lhe gerado um sonho de futuro radiante. Se não teve tempo para confessar seus sonhos em um diário, ou aos pais, ou aos amigos, foi porque de frágeis e ainda embrionários eles deveriam ser tímidos a um tempo, e a outro extremamente ousados e fato que requereu de Icla um segredo para ser revelado muito tempo depois e somente quando plena juventude a atingisse. E por essa razão, aquela razão, um segredinho tão precioso quanto aquele, da pequena Icla, pensei comigo mesmo, está ali sepultado para todos os tempos.

Final de tarde. Brisas suaves corriam sobre o cemitério em preparação para a noite. As estrelas começavam a piscar. Lembrei-me de que as crianças gostam, de recitarem um versinho no qual afirmam que vão buscar nas palminhas das suas mãos uma estrelinha que pisca. E pensei mesmo em pegar, tal uma criança, uma estrelinha e colocar sobre a sepultura de Icla para que ela, a estrelinha, semelhante a um sol, com sua luz, impedisse a noite de chegar. Depois ri de mim mesmo e me lembrei de que a noite foi feita para o silêncio, energia que recarrega o dia, nessa infinita seqüência que compõe o tempo. E que o mundo precisa do dia e da noite. E finalmente que Icla, fenômeno especial, foi sempre, e sempre, uma estrela.

Gazeta de Alagoas – 10.12.1997


Icla da Silva Foundation, Inc é nome de entidade criada nos Estados Unidos para a luta contra a leucemia. Os pais de Icla que durante anos lutaram para a cura da filha, ali, terminaram lutando para a criação de tal entidade. Hoje a fundação atua em escala planetária. O pai de ICLA, de nome ALCI, alagoano, foi o grande arquiteto da obra, que atualmente segue dirigida pelos filhos. Uma bela idéia para um futuro Prêmio Nobel.
De mina parte, tenho um diploma que me foi concedido pela Fundação Icla da Silva, emoldurada e na sala de leituras e trabalhos, em agradecimento à esta crônica.


A crônica também está publicada no livro “Vinte poesias e uma crônica”, de minha autoria, Editora Cepal, Maceió, Alagoas.





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