Luiz Nogueira Barros
   
   
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15/02/2011 - 16h11min

Sessão Solene de Instalação da UFAL

Discurso estudantil

Fonte: Aquivos pessoais

Na sessão de instalação da UFAL, no Salão Nobre da Faculdade de Medicina, estiveram presentes o Governador Luiz Cavalcante, o representante do Ministério da Educação,o Arcepispo D. Adelmo Machado, e outros tantos professores e autoridades alagoanas. Na verdade, tudo foi considerado uma "aula inaugural".

Veja também:
- Depoimento sobre a Ufal: palavras inevitáveis

Falei em nome dos estudantes de Medicia e o prof. Nabuco Lopes em nome dos professores. Um evento tumultuado: meu discurso desagradou a todos, principalmente aos religiosos católicos, o Arcebispo, o Cônego Hélio e o Padre Pinho, assessor de ambos, acredito. Alguns episódios da noite nem pretendo revelar: as lembranças, também para mim, já não são muito claros. O mal estar causado voltaria à tona quando, em seguida, Flávio Sena, publicou o tal discurso. E mais, um pronunciamento mais ou menos juvenil e tolo, serviria de peça acusatória contra mim, na prisão política que sofri com a Revolução de Março de 1964. O assunto é longo e talvez dele eu volte falar em outra oportunidade, em tom de depoimento.

Observem a seguinte ordem para este documento:

1 - Cópias do jornal O Clínico, do diretório de Medicina
2 - O discurso digitado, par uma leitura mais aproveitável

         
                     

Agora o discurso:

Discurso pronunciado na Sessão Solene de Instalação da UFAL, publicado pelo jornal O Clínico, do Diretório Acadêmico Estudantil da Faculdade de Medicina de Alagoas.


"Colegas estudantes

Sendo hoje uma aula inaugural escolhi como tema “A função social da Universidade”. Acredito que, se não é um tema encantador para a noite de sonho, é pelo menos um tema substancioso. Baseio-me no Senhor Josué de Castro, pois, como é natural não possuo conhecimentos, senão aqueles que encontrei nos livros dos homens que se preocupam com os grandes problemas da humanidade. Aqui e ali coloco algo que li em outros livros que não o do Sr Josué de Castro. E em alguns momentos chego mesmo a emitir opiniões próprias. Talvez até um pouco atrevidamente. Mas, comecemos.

No trabalho do autor supracitado encontramos três títulos assim escritos:

1 - Pesquisa Criadora, ou Investigação Criadora; 2 - Ensino Universitário; 3 - Vigilância e Defesa da Cultura.

Estas são o que o autor chama de funções básicas de uma Universidade.

Vejamos o primeiro título, ou seja - Pesquisa Criadora. Vejamos duas razões pelas essa pesquisa tem sofrido, historicamente.

1 - Escolas com instalações insuficientes: tendem a se tornar assim escolas onde se acumula um monte de fatos e algumas vezes noticiosos. É a escolinha que apenas trnasmite o que ensinam as Academias doutas, como se estas também não cometessem suas falhas. E porque as escolas não possuem instalações suficientes? Muitas vezes vemos as verbas federais desviadas para grupamentos particulares fazendo com que os mesmos se tornem ricos às custas da comercialização do ensino. Existem muitas outras causas e, infelizmente numa como esta não me é possível relatar todas. Agora pergunto, justifica-se a presença do estudante na política? Claro, pois somente ele conhece os problemas e interesses da sua classe. Se o nosso Governo conhece, deve estar um pouco esquecido?

2 - Vejamos agora uma escola que possua instalações suficientes.

Antigamente era necessário abolir certos sentimentos intoleráveis, que, felizmente nestes últimos anos vêm desaparecendo. Um deles, por exemplo, a INTOLERÂNCIA. A intolerância, em “Ciência Católica”, podemos dizer são de dois tipos:

A - A católica que segue as idéias do Cardeal Newman, pois assim as Universidade tenderiam a se tornar simples conglomerados de escolinhas de ofício. Felizmente homens de visão,como Leavis, que modifica essas noções, e as universidades já de há muito começaram suas pesquisas.. O nosso cientista B. Houssay é um dos grandes entusiastas das universidades que pesquisam.

Historicamente temos observado intolerâncias científicas. Temos o exemplo de Pasteur. Temos o caso de Christian Eijkman, descobridor do Beri-Beri, na ilha de Java, e tido charlatão pelos cientistas de sua época. Mais tarde, no entanto, já às portas da morte, recebeu o Prêmio Nobel de Medicina, já não podendo estar presente pois se encontrava bastante doente.

Mas, para nosso melhor andamento, nesses últimos anos, essas duas formas de intolerância tendem a desaparecer, em nome da ciência pura.

Analisemos agora o segundo título: Ensino Universitário.

A - Universidade Medieval e mesmo a Universidade Renascentista, promoviam um tipo de ensino que era, em sua tese, e que se pode chamar : organização de sábios e enciclopedistas. O homem formado tinha pois uma noção geral de todo o conhecimento da época. Naquela éoca, no entanto,, o saber era reduzido, e cabia, como diz Josué de Castro, no acanhado recinto de uma cérebro humano. Naquela época, no entanto, as Universidades não passavam de amontoados, como já disse, de fatos na sua maioria noticiosos. Eram um armazém de fatos. Passou, no entanto,, a época dos sábios e enciclopedistas. O tremendo impacto da ciência já consente esse tipo de ensino. Ela é muito extensa.

Hoje é o século da especialização, e cada um se agarra ao pouco que sabe. O exagero da especialização fez com os homens se tornassem cada vez mais especializados, e cada vez míopes para outros assuntos que lhe rodeiam. É a ignorância por tudo o mais que está em seu redor..

Nas universidades européias e norte-americanas podemos observar esse fato. Homens cada vez mais aumentam a sua visão técnico-científica, e inversamente de dplorável miopia política. Ortega Y Gasset chamou-os de ‘os novos bárbaros”,- homens cada vez mais sábios e cada vez mais incultos.

Este tipo, no entanto, é o que domina as nossas elites. Rathenau , chama a isso “invasão vertical dos bárbaros”.

Há mesmo quem afirme que eles concorreram para a decadência da cultura ocidental. E vai, neste caso, uma parcela de culpa para as Universidades que os formaram. Elas possuem, também, uma missão de defesa da cultura.

O excesso de especialização fez com que o homem perdesse aquela liberdade criadora.. É o homem saindo da Universidade para esconder-se em casa. Ou sai de casa para se esconder na Universidade. Lã fora há o cinema, há o teatro, a política, e muitas outras coisas, mas ele nada disso entende, a não ser do seu microscópio, do seu teodolito ou do seu boticão. Pierre Janete, melhor os define com as seguintes palavras ”:...Hoje, o número de deprimidos é enorme, de indivíduos que não possuem energia suficiente para se ocuparem da causa pública, porque têm pavor da ação, principalmente da ação social. Sentem uma necessidade enorme de orientação e de proteção, e daí a idéia de ditadura lhe seduzir sobremodo”.

Nesse momento é que triunfam os novos magos da política, ilusionistas da cultura, cheios de gestos teatrais hipnotizam as massas sofredoras. Assim ele promete o desaparecimento de problemas insolúveis. E desaparecem por um momento. Mas hoje já começam a voltar. Nós conhecemos o desastre. Europeu das últimas guerras. Felizmente o câncer nazi-fascista foi banido do organismo social.

Agora somos nós, os brasileiros, eternamente colônia, a optarmos entre os gestos quase maternais, e falsos, de uma liberal-democrata, os gestos ditos másculos, poderosos, de um ditador. A angústia nos consome. Perdemos a noção dos nossos símbolos, do que somos e vivemos, necessitando da mesma proteção de que nos fala Pierre Janet, e daí não sabermos nem mesmo optar entre democracia e ditadura.Somos presas fáceis de um ou de outro. Claro, não passamos de técnicos. Nenhuma tintura de outros conhecimentos podemos dispor. Aqui, fique bem claro, não estou fazendo apologia à Universidade Medieval e Renascentista, porque eram falsa, mas acho que o homem moderno moderno deve se lembrar que elas concorreram para a precipitação dos fatos históricos e, conseqüentemente que ele deve saber se defender nestes momentos difíceis, isso falando em universalidade. Internamente, o problema é amior. Nada sabemos fazer fora das escolas. Nem mesmo votar, que deveria ser um ABC para o eleitor.

Agora, torno a perguntar, deve ou não o aluno se interessar pelos problemas políticos? Para finalizar, analisarei o que diz Taine um sábio sem filosofia não passa de um obreiro, o artista de um diletante. Ele se referia, naturalmente, ao consenso universal. O homem deve ter uma visão unitária do mundo, e não somente se limitar a reaidade para o que chama cultura. Ele terá noções: Beleza artística; verdade científica, conceito filosófico, estrutura política e fé religiosa.

Conhecendo pelo menos isso o homem andará não à busca de proteção, porque saberá se definir em todas as situações. E todas funções devem ser básicas numa Universidade. Funções que tornam a humanizar o homem.

Não fazendo assim, as Universidades falham, como vêm falhando as euroéias e norte-americanas, também as russas, ultimamente com seus excessos de especializações se não melhorarem as condições de cultura geral dos seus homens

Nós, brasileiros, somos jovens e com muita dificuldade teremos que lutar para não cairmos no mesmo erro.

Quanto à defesa da cultura, que seria o último título, pouco resta a dizer, senão que, as Universidades são guardiães da cultura contra as possíveis forças do obscurantismo. Colegas, eu os convido para, conjuntamente com os nosso professores de mentalidade sábia, fazermos uma universidade mais humana.

Colegas, eu os convido a se tornarem universitários.

Somente, colegas."



..............continua......





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