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IN MEMORIAM




13/03/2011 - 16h44min

Dirceu Falcão - genialidades e loucuras

Viver, viver e viver...eis o lema !

Fonte: Arquivos pessoais

Sua coluna vergou


Fonte: Luiz Nogueira - nogueirabarros@uol.com.br

Há homens que nasceram para viver além do seu tempo biológico. São aqueles que se antecipam ao futuro, talvez perseguidos por estranhas determinações. Se são santos, as determinações são chamadas de revelação divina. Se sábios, são chamadas de obstinações. E finalmente se guerreiros, são chamados de lutadores. E todos, invariavelmente, vêem a vida como um simples prazo que o Criador colocou na criatura, como diria Cecília Meireles. Mas um prazo nobre e no qual é preciso fazer alguma coisa. Se possível que transcenda ao tempo biológico, por acontecer no tempo social e depois se fazer histórica. E por isso são homens antecipados, fadados a algum tipo de realização.
Dirceu foi um desses homens. Foi um guerreiro e seu tempo social foi de luta. Alterou a ordem da medicina tradicional e provinciana, de uma Maceió vetusta e de vetustos médicos que mais pareciam deuses quando passavam pela rua do comércio, concedendo aos mortais o direito de admirar-lhes; que freqüentavam conferências e seminários e depois guardavam os seus aprendizados para a fáina profissional. Se um ou outro, por vezes, permitia que algum estudante o acompanhasse em seu aprendizado, com alguma certeza, tal estudante jamais ultrapassaria a condição de pálida cópia do mestre - coisa mostrada pelo tempo.
Rebelde, Dirceu mostrou que era possível democratizar o conhecimento. Que conferências e seminários deveriam ser assistidos, estimulados e depois rediscutidos por todos. Aquilo, pensava Dirceu, significava "fazer escola" despertando valores e vocações. E essa foi sua luta social fadada a se tornar histórica, alterando a velha ordem. E assim, pela magia das suas mãos e do seu bisturi, a estudantada viu e compreendeu o que era a um tempo ser gênio, e a outro ser um guerreiro. Dirceu virara, portanto, o exemplo vivo da sua pregação. E quantas gerações de médicos não sofreram a sua influência, alçando vôos ousados para se especializarem ali ou acolá.
Como mortal comum, poeta e boêmio, Dirceu lembra aquele "que sabe viver como que se extinguindo, porque são os que atravessam de um para outro lado. E que jamais se escondem por detrás de uma estrela buscando uma razão para morrer", como nos diz Nietzsche em "Assim Falava Zaratustra".

Dirceu sempre buscou razões para viver e amar, não se domando diante de situações pequenas. A vida, essa loucura transitória e maravilhosa, é uma estrada de sonhos, certezas e aventuras a exigir prudência dos amantes - mas não a castração do amor !
O tempo biológico de Dirceu foi curto. Aos poucos, não foi suportando o peso do seu coração ávido e cheio das coisas do mundo. Pesava-lhe também um cérebro privilegiado. E sua coluna vergou.
O que foi grande em Dirceu foi o seu tempo social, onde se fez pequeno deus, mito e lenda-viva. Ascender a tal condição é próprio dos homens que garantem permanência em suas passagens pela terra, assombrando os medíocres. A marca da grandeza é perdurar na obra realizada e na lembrança dos amigos. É conhecer a dimensão da permanência.

Diário, 09. 08. 92

Abaixo, a reportagem de A Última Palavra

- Genialidades e loucuras?- 1.91 Mbs





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