Luiz Nogueira Barros
   
   
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IN MEMORIAM




06/05/2011 - 19h43min

Caríssimo Ródio

Ródio

Fonte: Time New Roman 12

Luiz Nogueira

Longos anos são passados. Os segundos, os dias, os meses e os anos são complexas injunções existenciais mergulhadas, perdidas, na eternidade e no infinito.. Para mim, irmão mais velho, que vi e ouvi seus primeiros ensaios para a palavra e seus primeiros passos em direção da vida, sua morte, prematura, foi um choque. Confesso-lhe: extemporânea! Evidente, sempre conversamos muito, desde que, um dia, com as possibilidades possíveis assumi continuar a criação de todos vocês em face da morte, também prematura, aos 61 anos, igualmente a você, do nosso pai. Tristezas e alegrias, das nossas vidas, e não somos exceção familiar, lá no fundo tempo, sempre analisadas, sem mágoas, sem ódios e sem ressentimentos. Rancores e ressentimentos sempre à parte, em planos secundários.
Os nossos céus não eram os tradicionais, mas o das boas ações. E nossos entendimentos de recompensas respeitavam a inteligência da Suprema Criatura, Deus, dos tradicionais ensinamentos. E jamais acreditamos em falcatruas, truques e jogos com fins à salvação celestial. Isso refletia um profundo respeito e temor de jogar cartas com Deus e o universo humano. As ações, os gestos e comportamentos possíveis em nossas humanas limitações. O restante, com o Juízo Final, insondável, longínquo, e fantasia que os humanos pretendem haver decifrado. As ações, sempre as boas ações que Deus há de ter olhos e ouvidos velando o Universo e as pessoas, sem as também as tradicionais ameaças de um céu teológico, de chumbo, pesando, maltratando ainda mais nossa pobre e fatigada condição humana das longas caminhadas neste planeta de dores, sofrimentos, mas também de alegrias.
Mas havia, e por vezes conversamos, o céu da mitologia, um céu de brincadeira, um céu de fantasia. Para a ele chegarmos seria necessário atravessarmos o Rio Letes. Nele, um banho obrigatório para a perda da memória da vida recente. E somente então, na outra margem os Campos Elísios, de certo modo, uma visão pagã do céu teológico. Por conservar um certo paganismo, tal visão ainda permitiria truques como, por exemplo, não tomar um banho completo e assim ser possível a conservação de alguma memória passada que permitiria identificações de almas lá nos domínios dos Campos Elísios. A engenhosidade humana não abre mão dos truques, das jogatinas. Mas o seu, caríssimo irmão, há de ser o céu teológico: a balança que pesa as boas e más ações o julgará. .
Após regressar do Rio de Janeiro, um exílio a que me obriguei por duríssimas razões, encontrei-o trabalhando no Jornal de Alagoas. E lembro, muito bem, do apoio que me deu, publicando minhas produções, vezes de página inteira, com ilustrações, tornando-me visível. E me permitiria citar, Claudemir Cavalcante, Stéfani Brito , Valmir Calheiros, Gilberto Braga, Luiz Otávio Rocha, Plínio Lins, Denis Agra, Noaldo Dantas, todos de inestimável, diria decisivo, apoio em meu sofrido retorno.
Cecília Meireles nos diz em um dos seus sonetos, falando sobre a vida: “...vivemos do que perdura / não desse acaso do que foi visto e amado / o prazo do criador na criatura...” A vida não é mais que isso, esse prazo que o Criador põe na Criatura. Cabe-nos, portanto, fazer da vida, desse prazo algo que permita “...os ventos falarem de nós, ao longe...”.
Os ventos, caríssimo irmão, demorarão falando sobre você, acredite...

Obs: Jornal EXtra - 06.05.2011





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