Luiz Nogueira Barros
   
   
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CRONICAS




02/10/2011 - 13h35min

LAÍS NASCEU...

...Albert Sabin morreu!

Fonte: Luiz Nogueira Barros

No passado as trombetas e os clarins anunciavam as mortes dos homens notáveis. Mas homem notável não é a mesma coisa que homem virtuoso.
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Foste um virtuoso, Albert Sabin! E as crianças do mundo agradecer-te-ão, eternamente, pela tua "gotinha mágica" que as libertam do fantasma da paralisia infantil. Tu não foste o primeiro. Antes de ti o Dr.Salk cuidou do assunto. Mas foi a tua gotinha mágica, Dr. Sabin, que teve uma linguagem mais universal e se fez obra para milênios...
Vi a notícia da morte (num primeiro momento) através da televisão, que substitui as velhas trombetas e clarins, cheias de tédios e limitações. A televisão integra o mundo em milésimos de segundo....
O Dr. Sabin foi mais que um homem, porque será imortal. Foi um virtuoso. E se insisto no conceito de virtude à luz do pensamento de Friedrich Nietzsche, isso não quer dizer que concordo com a totalidade do seu pensamento. Nenhum pensador é completo: a completude é sempre um mistério que pode estar no todo, e, contraditoriamente, não se encontrar nos fragmentos do seu pensamento. O Profeta Zaratustra (antiga Pérsia) falou aos homens que acabavam de sair da vida nômade (vida erradia e em busca de alimentos) e entravam na fase da agricultura, quer dizer, tornavam-se autores da sua própria obra pela fixação à terra. O Zaratustra, de Nietzsche, fala aos homens posteriores a isso, e que imaginaram fundar isso a que chamam de civilização. Mas Nietzsche, através do seu Zaratustra, nos fala dos virtuosos. Desdenha dos falsos virtuosos, dos que querem ser pagos. Dos que fazem da justiça uma vingança. Dos que apodrecem nos pântanos e que falam por entre o caniçado: "Virtude é estar quieto no pântano". Nietzsche se diverte dizendo que eles têm um "tique-taque" a que chamam de virtude, ironizando: "onde quer que encontre tais relógios dar-lhes-eis cordas com a minha ironia, e não terão outro remédio senão pôr-se a andar". Mas enaltece os verdadeiros virtuosos: "Assim a luz da vossa virtude caminha ainda, mesmo depois da obra cumprida. Fique, pois, esquecida e morta: o seu raio de luz prossegue a sua viagem. Toda a obra da vossa virtude é como estrela que se apaga: a sua luz caminha ainda e continua caminhando. Quando deixará de caminhar. Sois demasiado limpos para a mancha da palavra vingança, castigo, recompensa, represálias..."
Para o teu feito, Dr. Sabin, não há pagamento. Nem deveríamos fazê-lo e nem o senhor aceitá-lo, pois não há moeda para isto. Mas alguma coisa é possível e todos nós podemos fazê-la: é te conferirmos o diploma de "Virtuoso da Humanidade" em nome das crianças; nossos filhos, filhas, netos e netas para os tempos vindouros. Portanto, com a autoridade de pai e avô, (e em nome de todos eles) "confiro-te" a condição de "imortal". Porque, tu, como o Profeta Zaratustra e Nietzsche, criaste uma obra para milênios. Mas nem por isto cobras alarde da tua virtude de cientista mesmo realizando um grande acontecimento. Afinal: "Os acontecimentos maiores não são os mais ruidosos, mas as nossas horas mais silenciosas."
E assim, no silêncio dos laboratórios, criaste o milagre que as crianças esperavam: a "gotinha mágica". E minha primeira neta, Laís, que acaba de chegar ao mundo, também te agradece pelo misto de virtude, mito e genialidade que foste!...
Luiz Nogueira Barros é médico e integrante da Associação Alagoana de Imprensa e IHGAL






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