Luiz Nogueira Barros
   
   
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CRONICAS




02/10/2011 - 13h42min

CECÌLIA NASCEU

As boas vindas

Fonte: Luiz Nogueira Barros


E não sei se Cecília, Cecília Meireles, a musa da poesia. Ou se Santa Cecília, padroeira dos músicos. Sei que nasceu Cecília Nogueira Tobias Granja. Calculado sonho vivido por André e Valéria, ao trazerem para o mundo uma dulcíssima criança.
Do meu jardim, de avô, e vendo a tarde que se contorce entre os ventos, as chuvas e um sol quase gelado, sem o fulgor dos dias de verão, penso que tipo de boas vindas eu lhe daria, minha caríssima neta. Dizer que você é linda, que o mundo é seu e estará aos seus pés, sempre e sempre, sem pensar em temeridades, prefiro dizer que você é que haverá de conquistá-lo, pois quase nada está à nossa disposição, senão os sonhos. Seus pais saberão ajudá-la no dimensionamento dos seus sonhos em busca da felicidade.
Escrevo numa tarde em que não posso evitar pensar no planeta, belíssimo presente que está sendo destruído pela saga imperdoável de uns tantos usurários. Preocupa-me o seu futuro, e de todas as crianças que estão vindo ao mundo juntamente com você. E sinto vontade de brigar com Cecília Meireles, do meu modo, e escrever “...o mundo ficou mais belo porque nele chegou seu coração...” Outros avôs e avós pensarão a mesma coisa.
A existência é uma questão de se chegar ao futuro e encontrarmos um sentido para a vida. Mas é necessário que nos permitam chegar ao futuro, temor que toma conta de mim ante as previsões apocalípticas para os tempos vindouros. Indago-me sobre o tipo de mundo que estamos devolvendo aos nossos netos e netas. Lutamos, efetivamente, por uma herança que lhes dê chances de vidas e existências amenas, eis a dor que me entedia e consome.
Sei que estou velho e mergulhado nos grandes temas da história da humanidade, tratados pelos grandes pensadores. Comove-me lembrar Roger Garaudy, em sua magistral obra Apelo aos Vivos, malgrados os mais de trinta anos decorridos, e ela continuar atual. Concordo com Roger que a política precisa de profetas, mas só têm partidos e políticos. A ciência e seus tecnocratas precisam de sabedoria, reflexão, mas estão presos aos esqueletos de filosofias ultrapassadas. A Igreja precisaria de uma fé viva, que fosse fermento e não ópio. Mas somente conta com cleros e dogmas. E, por último, ainda citando Garaudy, meu dileto pensador, a humanidade precisaria de um ato de fé para a sua salvação do desastre ambiental que se aproxima. E um ato de fé não é uma aposta arbitrária, é um ato de amor, de esperança, com todas as ações preventivas que suscita, conclui o filósofo.
Perturbam-me, os ventos desvairados, os oceanos revoltos, os vulcões impacientes, as aves migrando em busca de sobrevivência, e o mais que tem se abatido sobre o nosso generoso e pobre planeta e, muita atenção, também sobre as flores. E temo, Cecília, a ameaça sobre as flores. E você é uma flor...
Mas ainda há tempo. Os grandes movimentos ambientalistas do mundo estão atentos contra os destruidores do planeta. E, não é possível imaginar os destruidores do planeta sem filhos, netos, e netas. E nem que estejam eternamente vacinados contra o pavor de um apocalipse que se anteciparia até mesmo ao preconizado pelo profeta João.
Ainda tenho esperança de um futuro possível para você e todos os seus contemporâneos. O planeta ainda pode esperar pelo futuro de vocês, é o meu sonho.
E concluo, lembrando Cecília Meireles, de quem você é xará: “ ...ou isto ou aquilo..” Isto é o seu hoje: seus avôs, eu, Luiz, presente, e Tobias Granja, provavelmente no céu, suas avós Órlia e Mirtes, e todos os seus parentes. E aquilo seria o futuro, pelo qual torceremos com muito carinho. Todos velaremos pelo seu futuro, caríssima Cecília.

• Luiz Nogueira –Sócio da AAL e IHGAL
• Tribuna do Sertão - 21 de maio de 2007 – Segundo caderno- Página Francisco Valois





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