Luiz Nogueira Barros
   
   
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ENSAIOS




05/11/2011 - 16h48min

O BRASIL FOI DESCOBERTO NO RIO GRANDE DO NORTE

REINVENÇÃO DO DESCOBRIMENTO

Fonte: Lenine Barros Pinto

O Brasil foi descoberto no Rio Grande do Norte
O autor do livro "Reinvenção do Descobrimento", Lenine Barros Pinto, ao lado de uma réplica dos "padrões" ( marcos de posses portuguesas ) - Museu de Marinha - Lisboa, página 209.



Desde o escrito de Platão, no Timeu, que o mito da Atlântida se espalhou na imaginação dos homens. Bom ir lendo, no livro de Lenine Pinto Barros, "Reinvenção do Descobrimento", sobre as "ilhas de fantasia", as fraturas da terra, os afundamentos, os afloramentos de novos acidentes geográficos, a tragédia das civilizações, o furor dos mares e dos ventos, enfim essa saga telúrico-épica que o planeta vem escrevendo através dos milênios, e com a qual Lenine se acumplicia.
Revelando as agonias da terra na sua intimidade sua capacidade de reinvenção do tema , riquíssimo por sinal, Lenine vai se envolvendo com os enredos e tramas dos grandes navegadores do passado
Quem diria: Cristovão Colombo, a serviço da Espanha, foi um espião dentro da Escola de Sagres; "Ixola Otinticha", a "Ilha Verdadeira", pode e deve ter sido o Brasil.
Lenine reabre a questão da Guerra dos Cem Anos entre a França e a Inglaterra, forçando os italianos a transitarem pelos portos portugueses, criando-se uma cooperação na área da navegação entre os dois países. A "PANGAEA", fragmentada por volta de 200 milhões de anos, deu origem aos continentes tal os sabemos hoje...
Quem examinar o Orbis Christianus do mundo medieval verá que a ele foi imposto, pelos descobridores marítimos, um novo espaço geográfico não-euro-asiático e não-mediterrânico, exclusivamente. As legitimidades arcáicas cessaram quando o Fideismo ( tudo passando pelo vontade de Deus), e o Teocentrismo ( Deus como centro de tudo) ruíram por vez, a partir dos pensadores materialistas do Iluminismo, na França. O próprio tempo perdeu sua legitimidade
arcáica, da reversibilidade, da natureza cíclica, tornando-se direcional e irreversível...
A comodidade das geografia e filosofia patrísticas, dos doutores da Igreja, foram abaladas. Também foi por terra o espanto de Santo Agostinho – acostumado ao Mundo Trino, da Europa, Asia e África, como representação da Santíssima Trindade, doutrina que atravessou a medievalidade – ao não acreditar que os homens alcançariam outras terras, com esses ou aqueles propósitos, e terras nas quais nem mesmo acreditava, tanto que, escreveu: "Nimisque absurdum est..." ( no mínimo isso é um absurdo...) reportando-se ao fato...
E as terras existam. O problema, durante anos, foi definir se os novos seres, habitantes dos outros continentes descobertos, eram ou não descendentes de Adão, da tradição bíblica, portanto. Ou se se tratava de povos não-adâmicos, talvez até oriundos das formas endiabradas dos anjos revoltados, decaídos, segundo a tradição teológica...
Tais eventos do mundo medieval estão no livro "A Diferença Selvagem", de Dirceu Lindoso, coleção de ensaios do mais alto nível e valor estilístico...
Os Descobrimentos Marítimos, juntamente com a Renascença, a Reforma e a formação dos modernos Estados Nacionais, fazem parte da Idade Moderna, - 1453 \ 1789.
Depoimentos de comandantes da Marinha de Guerra do Brasil
- Do Comandante Alberto do Valle Rosauro: "Servi em Natal no final da década de 60, tendo comandado um navio patrulha (Pirajú) e imediatado uma corveta (Ipiranga). Realmente o Cabugi, pela sua silhueta assemelha-se ao decantado Monte Pascoal".
- Do Comandante Wellington Ferreira Pinho: "A tese é incontestável. O Cabugi é o Monte Pascoal".
Viagem Inicial
Ainda com as palavras do próprio autor e que me foram enviadas por e-mail::
Meu caro Nogueira: eis a síntese do texto que você me solicitou:
"A idéia de Reinvenção do Descobrimento nasceu de uma desconfiança em dose dupla.
Primeiro, o fato do Almirante Jonas Ingram, que trouxera uma força-tarefa da Marinha dos Estados Unidos para patrulhar o Saliente Nordestino à partir do Cabo São Roque - o ponto estratégico mais vital na área do Atlântico Sul -, reconhecer que Salvador, como Base Naval, era superior ao Recife para o estacionamento de sua frota, " mas a distância de 400 milhas faz uma grande diferença". Segundo, pela confissão de Amir Klink, no relato da travessia Luderitz-Salvador num barquinho a remo, de ter descartado "a hipótese de cruzar o Atlântico de Serra Leoa ao cabo Calcanhar, no Rio Grande do Norte, num percurso de apenas 1.500 milhas náuticas", substituindo o atalho lógico por uma rota de 3.700 milhas, "longa, fria e tempestuosa".
Nenhum dos dois fala em Porto Seguro, localizada a cerca de 750 km adiante de Salvador. Além disso, Ingram comandava uma esquadra de navios movidos a motores e Klink estava municiado com dessalinizadores e "quentinhas" desidratadas, balanceadas por nutricionistas. Como é que Cabral poderia ter ido tão longe, sob o empuxo de velas e correndo o risco de escorbuto, sabendo-se, como se sabe, que veio direto de Lisboa, na certa.
Outros elementos comprobatórios foram surgindo. Em 1501, a frota de João da Nova, também de passagem para a Índia mas com o encargo de procurar o Descobridor pelo caminho, passa do Cabo Verde em direção ao Cabo São Roque (por que não a Porto Seguro?), e gasta nesse etapa, coincidentemente, os mesmos trinta dias de Cabral. No primeiro mapa do Brasil, de 1502, São Roque aparece como Cabo São Jorge, nome do orago (Santo do Dia) na data do Descobrimento, 23 de abril (pela contagem do "dia náutico", iniciado ao meio-dia do dia 22). Ademais, como a esquadra cabralina era gigantesca para a época e uma peste se alastrara pela ilha de Santiago do Cabo Verde, era imperioso que procurasse um ponto para reabastecimento. Achou-o, registra Caminha, regozija-se D. Manuel em carta aos reis espanhóis. É a "aguada" assinalada com exclusividade no topo do Rio Grande do Norte em vários mapas seissentistas.
Finalmente, os padrões ou marcos chantados na praia de Touros (RN) e Cananéia (SP), além de atestarem a posse lusitana, delimitam as quinhentas léguas percorridas por Cabral, comprovadamente, ao longo da costa. Se essa medida fosse contada a partir de Porto Seguro (onde existe um marco meramente comemorativo), Cabral teria ido bater na Patagônia..."
Mare Clausum e Testamento de Adão
Qualquer discussão sobre a navegação dos descobrimentos marítimos, a partir de Portugal, implica em duas noções básicas. A primeira o fato de Portugal, num certo momento, haver fechado o mar ( Mar Oceano ) para outros navegadores : a chamada política do "Mare Clausum" ( Mar fechado ), já protegido, devidamente, pelo Tratado das Tordesilhas, e expressão tomada de empréstimo do latim. E a segunda a reação do rei de França, Francisco I, rebelando-se contra tal política, quando pediu à coroa portuguesa cópia do "Testamento de Adão", garantindo que o Brasil era ou fosse português..
As Bulas Papais
O poder da Igreja foi extraordinário no ciclo das navegações marítimas. Não vale discutir tudo em profundidade. Mas vale citar algumas "bulas papais", emitidas pelo Vaticano. O demais é assunto para pesquisas extenuantes.
Romanus Pontifex ( Papa Nicolau V): concedia direitos a Portugal sobre a África, além de excomungar todos os povos que se colocassem contra aquele país.
Aeterni Regis Clementia ( Papa Xisto IV, 1481) : definia a questão do Tratado de Alcáçovas que deu direitos a Portugal sobre as Açores e Cabo Verde quem em troca havia concedido à Espanha o arquipélago das Canárias. Colombo havia invadido os domínios portugueses das ilhas Açores e Cabo Verde.
Eximia Devotions ( Papa Alexandre VI ) : da família Bórgia, de vida extremamente irregular, protegido pelos reis católicos de Espanha. Emitida a 3 de maio de 1493, quando Colombo havia retornado da sua viagem a 15 de março de 1493. A bula premiava os reis católicos de Espanha tudo o que houvesse sido descoberto a Ocidente do Mar Oceano, contanto que não estivessem sob domínio de outro príncipe cristão.
Por ocasião do Tratado das Tordesilhas, 7 de julho de 1494, na cidade de Aravalo, sobre os achados ou descobertas marítimas, a Igreja não perdeu a potestade, quando excluída das negociações. E ficou famosa pelo que se chamou de ‘"Nihil obstat", do Direito Eclesiástico, o que significava conhecer os termos das negociações mas sem poder decidir nem criar obstáculos. Mas quem pode garantir que não haja influído, pelo menos não oficialmente, uma vez que o "direito de excomungar" ainda tinha grande força e movimentava as superstições da época. Tanto que, voltou a legislar, em 1506 com a bula:
Praecelsae Devotions ( Papa Julio II ): que concedia aos portugueses o direito sobre todas as terras encontradas ao este.
Escola de Sagres versus Política de Segredos
Escola de navegação marítima fundada em Portugal pelo rei Dom Henrique ( 1394\1460 ), cognominado O Infante, não era propriamente um "navegante". Discute-se, até mesmo, se tudo não passou de uma invenção dos seus biógrafos ingleses, pelo fato de sua mãe, a princesa Philippa, ser filha de um dos venerandos de Lancaster. Em Sagres foram reunidos astrônomos, cartógrafos, geógrafos, engenheiros navais e militares com fins a desenvolverem a navegação de longo curso.
Três fatos marcaram a Escola de Sagres: a concepção da caravela, embarcacão muito superior às demais da época; as conspirações, e as espionagens. Alguns nomes famosos poderão ser vistos no livro do Lenine. Colombo, por exemplo, parece ter servido aos reis católicos da Espanha. Outros venderam segredos náuticos. Outros tantos vendiam segredos a preço de ouro, tanto à Inglaterra como à Espanha e Itália. A escola criou, por necessidade de Estado, uma política de segredos. Mas estranhamente nos mapas de outros países envolvidos com a navegação apareciam dados que somente poderiam aparecer nos mapas de navegação dos portugueses. Algumas vilanias da política de segredos: Fernão de Magalhães desertou e deu à Espanha a glória da primeira circunavegação da Terra ; os cártografos Diogo e André Homem vendiam cartas de navegação ; Simão Fernandes, depois de se tornar exímio piloto, transferiu-se para a Espanha ; Barros Rêgo tinha relações suspeitas com a Holanda ; Américo Vespúcio pode ter sido um falsário e usurpador das glórias de Colombo, pois na Marinha jamais passou de "botswain’s mate", subalterno, espécie de "faxineiro do mestre" e, finalmente Pedro alvares Cabral foi somente uma rapazinho de 32 anos, neto e bisneto de importantíssimos homens ligados ao império português, sem contar que sua viagem de comemoração pela posse do Brasil pode e deve ter sido preparada por Vasco da Gama, texto que Lenine Pinto Barros está preparando, exaustivamente. A política de segredos naúticos tinha incluía também "quem segue quem, quem fiscaliza quem..." duzentos anos se passaram para que a data do descobrimento, 22, ou 23 de abril fosse institucionalizada, portanto, entrando aí não só política de segredos mas também problemas de calendários, também autorizados pela Igreja.
A própria existência da Escola de Sagres ainda requer novas elucidações. E um certo Jean Cousin, francês, pode ter sido o primeiro descobridor do Brasil. Ou mesmo Duarte Pacheco, em 1498.. As cartas de Pero Vaz de Caminha podem conter desinformações propositais ou desconhecimentos imperdoáveis. O fato de Cabral não abastecer sua frota nas ilhas de Cabo Verde dão conteúdo ao fato da intencionalidade do "descobrimento", por sabido e preparado para a sua viagem de posse oficial, por outra expedição realizada por Vasco da Gama.
Porto Seguro x Aguada
Porto Seguro é conceito controverso. Era apenas um local seguro para descanso das esquadras. Mas sobretudo um local onde se encontrava água potável, indispensável mesmo na navegação de pequeno curso, sempre que as reservas caíssem a níveis críticos. Assim foi que, em verdade, era o local onde se conseguia água chamava-se de "aguada", verdadeiro porto seguro. Daí que Porto Seguro, na Bahia, não garante que outros portos seguros não existissem, quer dizer – outras ‘aguadas". A questão cria o problema de tantos portos seguros que provavelmente Portugal apenas designou um, oficialmente, como ponto para comemorar o descobrimento da nova terra, o Brasil, com certeza já descoberto e visitado por outros povos, entre eles sobretudo os franceses. A questão, portanto, está em aberto no que se relaciona ao primeríssimo ponto no qual os navegadores tocaram no Brasil, que Lenine Pinto Barros correlaciona com o nome de "Ixola Otitincha", ou "Ilha Verdadeira", conforme consta de um mapa de Andrea Bianco, de meados do século XV, e que estava localizada lá pelos litorais potiguares, na Praia de Touros, onde os marcos chantados indicam posse, e não em outros lugares, onde alguns marcos têm um significado meramente comemorativo.
Entreveros famosos do processo colonizatório
Vasco da Gama, numa das suas tormentosas viagens, ao se defrontar com um motim por parte dos seus marinheiros jogou ao mar muitos dos instrumentos náuticos, impedindo que sua caravela voltasse ao porto de origem, por exigência da tripulação. Uma tempestade, em seguida, jogou-o nas mãos de Ibn Majiid, experiente piloto, em Meline, que o salvou em troca da libertação de um sheik árabe tomado com refém em Moçambique. Mas Vasco da Gama massacrou peregrinos, em conseqüência da política do Mare Clausum, ao abordar uma embarcação que levaria religiosos para Meca, num barco árabe de nome Meri. Abordado o barco verificou-se a presença de 380 peregrinos, que foram saqueados em doze mil ducados, e depois incendiados com pólvora, matando a todos e afundando a embarcação, sem libertar as crianças e as mulheres. Até alcançar Calicute ( Calcutá ) Vasco da Gama foi deixando um trilhas de saques. Mas Cabral também imitou Vasco da Gama, em Calcutá, quando ali os portugueses foram atacados pelos árabes e episódio no qual morreu Pero Vaz de Caminha, atacando as naus muçulmanas estacionadas no porto e fustigando a cidade com bombardeios, causando grandes estragos, capturando as naus dos invasores...
A Serra do Cabugi, no litoral potiguar, disputará a partir de agora, com o Monte Pascoal, no litoral baiano, o privilégio de haver sido o primeiro ponto geográfico avistado pelos navegadores marítimos ligados ao descobrimento do Brasil, com o lançamento das pesquisas de Lenine Pinto Barros, contidas no livro "Reinvenção do Descobrimento".
"Alea jacta est...", portanto, para os novos pesquisadores...





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