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29/02/2012 - 11h50min

Ginásio Santana

O vôo para o futuro

Fonte: Luiz Nogueira

Ginásio Santana

Santana do Ipanema estava em festa. Finalmente, teria seu curso ginasial. A iniciativa partira do Padre Teófanes, fundador do Colégio Guido de Fontgalland. Em Maceió, padre Teófanes era o protótipo do educador. Naquele ato, embranhava-se pelo interior abrindo chances para os meninos do sertão. O curso seria noturno e fu8ncionaria velho Grupo Escolar D. Antonio Brandão, dirigido por Dona Maria José Muritiba, Dona Zezinha, uma lourinha magra e exigente, capaz de nos castigar com 30 minutos de reflexão na Biblioteca Escolar.
Numa das provas de admissão, por equívoco, assinei, além da orelha de identificação, a própria prova. Foi o suficiente para que um dos examinadores, um Capelão da Polícia me eliminasse. Irritadíssimo, meu pai queria me enviar para Maceió. Chegou mesmo a contatar com Geraldo Prata para que me conduzisse, em seu Teco-Teco, , com destino a Maceió afim de ainda poder realizar novo exame. O caso haveria de ser contornado pelo Major Alves Mata e Aderval Tenório, que terminaram por convencer o Capelão de que eu era um tanto surdo. E que ouvira mal sua explicação. A mentira dos dois terminou por me salvar. Pude fazer nova prova. Salvei-me da dureza do capelão-padre, na última hora.
Com professores improvisados o ginásio ia funcionando, preparando os futuros estudantes universitários. Mas uma coisa não ia bem: a disciplina. Seu João Yoyô, o nosso diretor, não conseguia conter as nossas peraltices. Homem bom e puro, esforçava-se por ter intimidades com os alunos. Chegava mesmo a nos pedir cigarro e sustentar longas conversas conosco. Mas um dia, aoi acender um dos cigarros que nos houvera pedido, teve uma surpresa: o tal cigarro explodiu, quase queimando os seus lábios. Perplexo, o nosso amigo nos ameaçou do mesmo modo que fazia D. Iluminata, a velha professora de Matemática, do grupo escolar:
- Seus comunistas, você s´me pagam no Exército...
O cigarro havia sido preparado com cabeças de fósforos. E depois novamente preenchido com fumo. A beleza de obra havia sido preparada pelo meu amigo Zé falcão.
Numa noite, D. Wanda dava aula de História. No exato momento em que falava ...D Henrique o Infante... uma bomba explodiu ao lado da sala de aula, onde o nosso diretor tremia e tentava nos conter. Mais experientes, Zé Amorim (Vereador) e Barros (Delegado de Polícia correram na direção do local e recolheram restos do material da bomba. Ato continuo, Barros se deslocou em busca dos fogueteiros, e vendedores dos artefatos. E na mesma noite ficou sabendo os nomes dos respondáveis pela bomba: Hamilton Carneiro, Geraldo de Ormindo e Carlos Jorge Nepomuceno.. O escândalo foi grande. Eles não eram estudantes do ginásio, além do que já eram rapazes com idades diferenciadas. E para complicar tudo, no ginásio tínhamos uma colega de nome Ruth Malta, o que poderia significar alguma represália política contra a sua família, por parte de algum desafeto político de Mata Grande, hipótese que naquele momento inquietou todas a todas as pessoas. Eu sabia de todo o plano da bomba e silenciei.
A disciplina melhorou, após a indicação de Seu Alberto Nepomuceno para novo diretor. Mas tivemos, para a salvação do ginásio, que conviver com a dureza do novo diretor, um homem inflexível. E a estudantada conheceu a primeira punição coletiva. Mas talvez, e também, melhora nos seus rumos diante do futuro.





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