Luiz Nogueira Barros
   
   
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11/07/2012 - 18h43min

Jorge de Lima em Salamanca

Mendonça Neto (*)

Fonte: Arquivos pessoais


Chego em Salamanca convidado para fazer uma palestra na secular Universidade a convite da única catedrática de língua portuguesa em toda a Espanha: a professora Pilar Vasquez Cuesta.
Esta mulher graciosa a ágil nos seus cinquenta anos é da Galícia, galega de Lugo, a língua portuguesa dominou-a como um amor destes que nem os romances de capa a espada registraram mais.
Sua filha poderia ter sido Paloma, mas é Pomba, em homenagem a este amor, regado pela culture galega, que é uma religião para ambas. “Hoxe es dia de xogo” dizem os galegos numa das nações espanholas mais ardentes, como a Catalunha, o país Basco ou Andaluzia.
Percorro a seu lado, com respeito reverencial, a sala onde Miguel de Unamuno dava aulas e a casa onde morava; vejo sua estátua de uma escultura impressionista a sinto-me coberto pela majestade de Salamanca, a sede da terceira mais antiga Universidade do mundo, depois de Paris e Bolognha.
Antes, porém, de conhecer a cidade, percorro o itinerário desta mulher de olhos brilhantes, iluminados de verde, que devem ter despertado muitas paixões a reencontro nela o Brasil a Alagoas, nossa cultura, de que Pilar é zeladora perfeccionista.
Traduzindo Carlos Drumond a Augusto Boal, Viana Moog ( Bandeirantes a Pioneiros ) a Manuel Bandeira, reservou um amor especial para que a Espanha pudesse conhecer a voz de Jorge de Lima.
Estamos no seu apartamento cercado de símbolos galegos, africanos, portugueses a brasileiros, envolvidos na bebida cálida do “esconjuro” galego a sua voz imperativa a doce, de maestra, diz o poema que nos transporta para o “Quilombo dos Palmares” e as Alagoas:
“Los nietos de tus mulatos a tus zambos / y la coarta y la quinta generacion / de tu sofrida sangue / intentarán borrar de su piel su color/ mas las generaciones de esas generaciones,/ aunque logren apagar las señales/ de tu odiado tatuaje/ non lograram borrar de sua alma/ tu alma, negro”
A força da raça negra, sua alegria, brilha nos olhos verdes de Pilar. Slamanca parece mais silenciosa para ouvir voz com os versos de Jorge de Lima do “Negro Bom”:
“Bien, negro, bien, negro ? La raza que te ahorca se ahorca/ tambien de tédio/ Y eres tu el que la alegras todavia/ Com tu jazzs, com tus “songs, com tus “lundus”. / (...) Los poetas, los libertadores todos/ aqulles que vertieron sobre ti/ rebuscadas torrientes de falsa piedade/ no adivinaron que ibas tu a reir/ y que tu risa, tu virgindad,/ tus miedos a tu bondad/ lograrían cambiar el alma blanca/ cansada ya, si, de todas las ferocidades”
Jorge de Lima, e as Alagoas em Salamanca, uma ode à negritude, sentimento poético a político que tanto marcou a vida do autor. Pilar com sua voz compenetrada da tragédia da raça e, em sua volta a pequena colônia alagoana e brasileira.É impossível deixar de traçar um paralelo entre as epopéias negras no Brasil, na própria África a até nos EEUU, mais recente, com os punhos cerrados em protesto nas Olimpíadas de 68, a que assisti, no México, do negro campeão de atletismo tão campeão como o melhor campeão branco; esta luta eterna pela liberdade da raça; e a legendária discussão entre o escritor Miguel de Unamuno a o general franquista, que, no horror da guerra civil espanhola, dava gritos de “Viva la muerte para os inimigos da falange franquista” e Unamuno, Reitor da Universidade, já velho, mas espanhol bravo, intimorato, guardião da liberdade fazia ressoar sua resposta viril a imensa “Viva la vida e muerte a la ditadura”, pondo em risco sua liberdade e sua vida.
Era a década de 30, de tanto sofrimento na Espanha, a Unamuno teve a seu lado naquela hora a mulher do generalíssimo Franco, que impediu sua prisão.
Pois ali estávamos nós: Unamuno e Lorca; Pilar e Drumond, Jorge de Lima e eu, num grande e sentimental abraço da Íbero-América aut6entica, amada pelos poemas libertários de Garcia Lorca a os artigos cáusticos de Unamuno no “El Clarin” de Buenos Aires a nos poemas africanos de Jorge de Lima, vivendo todos naquele instante, um presumível, mas fascinante encontro na legendária Salamanca.
( Do livro de crônicas: “Um olhar no coração” )





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