Luiz Nogueira Barros
   
   
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POESIAS




19/09/2012 - 09h22min

POEMAS ESQUECIDOS

Arquivoempoeirado...

Fonte: Luiz Nogueira - Jornal de Alagoas - Anos 70

Poemas esquecidos
Encontrados quando tentando arrumar, organizar, talvez a mais bem desorganizada biblioteca que alimenta os fantasmas e fantasias dos que amam aos livros
1 Ensaio para um soneto vadio
Sempre haver um campo na memria
onduma saudade antiga se fez neve
em fino floco e pouco a pouco foi,
prendenduma primavera em seus cristais.

E o campo, assim, abert ao infinito
grande espelho frio-luminoso
refletindo plens para um cu de astros
carente destrelas grvidas de sonhos.

E entre os dois vaguei a esperana
que deter na mudou-se em peregrina
musa perdida nestes cus mesclados.

E sempre noite, por o cu ser duplo:
canta o olhar parado uma cano dagora
geme a saudade uma cano antiga.

Jornal de Alagoas 24 de novembro de 1974. Caderno B. pgina.5

2 Anatomia fisiolgica do homem triste

Ele que tinha os olhos grandes
e no via longe,
porque somente via o bem.

Ele que tinha o riso largo
E no sabia rir,
Porque ria tambm da prpria sorte.

Ele que tinha um corao enorme
e no cabia tudo porque no mundo
existem muitas coisas
e um corao pouco para uma vida.

Ele que tinha as pernas longas
e no tinha passos de futuro porque o peso
da existncia interrogava lhe as distncias.

Ele que tinha as mos de carcias
podia acariciar porque sentia
a morte na epiderme,
no ltimo aceno que fizera ao sonho.


Ele que trazia na cabea
a tempestade dos caminhos,
no sentia as brisas vespertina,
porque carregava o peso da longa cabeleira
do leo fustigado nas andanas.

Ele que havia sido e visto muito
olhava, ria, palpitava, andava, acenava,
meneava a cabea e se fechava
em seu silncio de mistrios...

Jornal de Alagoas 08 de dezembro de 1974 Segundo Caderno pgina 4
Para o meu amigo Orlando Lessa, num dos seus momentos difceis, em confisses angustiadas. Exmio jogador de sinuca e bilhar, muitas vezes me dizia: bola sete, do jogo que est terminando,eis o que sou...


3 Da primavera

Esto caindo as folhas nesse Outono
e as desnudadas rvores so esqualidas
lembranas apontando para um cu
de gelo, recriado nesse instante.

Esto caindo as folhas nesse Outono
e as desnudadas rvores quais virgens
no tm mos para esconder encantos
que sofrero o desencanto do cotidiano.

urgente. E muito urgente, at
que o Inverno venha e passe rpido
tais os ventos desse Outono obrigatrio.

E que torne outra vez a Primavera
espalhando suas veste multicores
recobrindo essa nudez j demorada.

Jornal de Alagoas 26 de janeiro de 1976


4 - Da antiviagem

Tempo de partir talvez nem fosse mais.
Entretanto, o sonho de viagem ia ficando velho
e agora as asas, de plumagens imutveis,
tinham receio dos roteiros no previstos.

E assim, em parceria com os ventos conhecidos
foram levando a ave s alturas, aos poucos,
distendendo para o seu olhar de sonho e medo
a fantasia das paisagens ante-sonhadas.

E tanta foi a altura que os despertos olhos
Quiseram ver paisagens no sonhadas e longnquas
cientes de que, mesmo no as atingindo ao menos,
sentiriam o calor,, a brisa e a vertigem da viagem.

E as asas, baqueando, de enganosas a enganadas
foram perdendo as plumas nas alturas e aconteceu
a inevitvel queda em meio a uma das paisagens.

Jornal de alagoas -05 de janeiro de 1975 pagina 4

5 Vnculo

Vi o tempo partindo-se em pedaos
e os dolos em correrias, quais folhas
do mais estranho e extico Outono
disputando um instante para a Eternidade.

E no luta mais feroz no h que os sonhos
saindo das cavernas mais recnditas
de portas derrubadas aos ltimos instantes
quando o Juzo certo e a vida u,a tolice.

E a plebe rude era poeira informe e incmoda
que os dolos sacudiam s roupas e os cabelos
como essas que se formam em tempos de vero.

E muito de repente o tempo terminou:
a poeira decantava sobre a terra
e os dolos eram esttuas empoeiradas.

Jornal de Alagoas 16 de fevereiro de 1975







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