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27/12/2012 - 10h25min

Crises de identidade

Alagoas sem discussão

Fonte: Retrospectivas Polítcas Alagoanas

Luiz Nogueira*
Após a emancipação de Pernambuco, a Guerra do Paraguai, o final do Império e o começo da República (com Deodoro e Floriano) Alagoas formou uma identidade bem definida. Entre 1900 e 1950, intercale-se a Revolução de 30, com a ascensão do poderoso General Góis Monteiro, chefe militar do movimento vitorioso, Alagoas foi referência no cenário nacional. O período permitiu a formação de grandes intelectuais que brilharam nos debates das decisões nacionais, sediado no Rio de Janeiro. E foram muitos: Graciliano Ramos, Aurélio Buarque de Holanda, Jorge de Lima, Pontes de Miranda, Mateus de Lima, mais tarde Ledo Ivo, Estácio de Lima, na Bahia. Em Alagoas ficaram Jayme de Altavila, Demócrito Gracindo e Ib Gatto Falcão. E o velho mestre Jayme de Altavila, num dos seus poemas, fala das amarguras dos que ficaram. Na área política tivemos representações de grande porte, de nomes saudados como da melhor qualidade, nas Assembléias Legislativas, na Câmara Federal e no Senado, destacando-se o Menestrel das Alagoas, Teotônio Vilela.
O que me chama a atenção, quando Alagoas sofre algum arranhão na sua imagem, por algum escândalo, ou crime, tudo bem explorado pela mídia nacional, é o fato de, repentinamente, todos, principalmente os políticos, correrem, abrirem as portas dos cemitérios, gritarem pelos nossos fantasmas ilustres, com eles pretendendo calar a mídia nacional, como a dizerem: temos um passado ilustre. Nós somos Alagoas !
Nos governos de Divaldo Suruagy e Guilherme Palmeira tivemos a FUNTED, com Bráulio Leite Junior, e o teatro foi grande fonte de disseminação de cultura. Nos governos de Ronaldo Lessa e Kátia Born, mesmo lentamente, a restauração de Jaraguá vai nos mostrando um sítio histórico que estava sendo destruído. Lessa e Kátia também estão ajudando, fato que não acontecia nos últimos 30 anos, entidades produtoras de cultura e conservação de arquivos, tais a Academia Alagoana de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, o que já lhes permite informatizar seus arquivos, poupando os originais que, certamente, a partir daí, terão maior durabilidade histórica. Mas nosso Arquivo Público também está a necessitar de maiores atenções em todos os sentidos.
A orla marítima, o sururu, o caranguejo, o peixe, ás águas mornas das nossas praias e outras distrações, são apenas parte das nossas riquezas naturais. Não são a nossa história.
Alagoas precisa reconhecer, urgentemente, que novos valores já podem servir como referências. Precisa compreender que um projeto cultural que buscasse nossa identidade de modo mais permanente estabeleceria uma ponte entre os valores do passado e os mais recentes. Precisa perder o preconceito de que somente é bom aquele que ideologicamente é de esquerda. Precisa abafar aquele silencioso oportunista que concorda até mesmo com o silêncio das nossas melhores manifestações artísticas populares pelos sons dos trios elétricos, alienígenas. Bairrismo, talvez, mas quem não faz isso por aí afora ?
Não faz sentido, por exemplo, que precisemos nomear nossos logradouros públicos com exóticos nomes estrangeiros sem identidade com a nossa história Eles não fazem isso com nomes de alagoanos ilustres. Felizmente nosso primeiro viaduto recebeu o nome de um alagoano ilustre. É algo novo. Uma reparação que abre um debate para os historiadores.
Alagoas precisa reconhecer que está viva e prevenir-se contra os intervalos culturais desastrosos, dando continuidade aos projetos da sua identidade. Suas elites econômicas devem participar dos projetos que cuidem da identidade patrimonial alagoana. Algumas elites econômicas do mundo já fazem isso em seus países.
Alagoas precisa reavaliar suas identidades política, econômica, histórica e cultural
• Médico e escritor

Jornal Opinião – do Mendonça Neto, de número 2





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