Luiz Nogueira Barros
   
   
 nogueirabarros35@gmail.com  
.
         
Luiz Nogueira Barros
   

_____________

. Principal

. Notícias

. Entrevistas

. Crônicas

. Contos

. Poesias

. Ensaios

. Fábula

. Teatro

. Fallas
  Provinciais

. Governadores
  da República

. Mensagens
  Presidenciais

. 2ª Grande
  Guerra

. In memoriam

_____________

. Maceió

. Manifesto dos
  Estudantes

. Sessão Solene
  de Instalação
  da Ufal

_____________

. Sobre o Autor

_____________

 
 



Visitantes:

contador de visitas

 

NOTICIAS




27/12/2012 - 10h29min

Grandes intelectuais

Alagoas sem discussão

Fonte: Retrospectivas Polítcas Alagoanas

Luiz Nogueira*
É enorme insistência de muitas pessoas quando questionam os nossos intelectuais das entidades culturais alagoanas. Alguns questionamentos resvalam para um certo rancor, antipatia, juízos negativos, velados da parte de alguns, é verdade, mas da parte de outros de modo jocoso e por aí vai. Nunca tenho certeza de que pretendem agredir o intelectual ou a entidade cultural. Sempre termino concluindo que a intenção é contra os dois, infelizmente.
A questão mais incômoda é perguntarem a razão pela qual Alagoas já não forma intelectuais do porte daqueles do passado. E sempre os nomes famosos, Jorge de Lima, Pontes de Miranda, Aurélio Buarque, Ledo Ivo, Graciliano Ramos, Estácio de Lima, Paulo Gracindo, Matheus de Lima, Costa Rego etc, assumem dimensões astronômicas. Raramente lembram-se de citar os que foram forjados aqui mesmo, em Alagoas, Jayme de Altavila, Guedes de Miranda, Mendonça Junior, Demócrito Gracindo, Carlos Moliterno, Antonio Paurílio, para falarmos apenas de alguns mortos. E raramente, também, entre os vivos, citam nomes em evolução, em transição cultural. O padrão de provocação é o mesmo: o fato daqueles intelectuais haverem se tornado referências nacionais.
A migração de tais intelectuais para o Rio de Janeiro tem características diferentes das de hoje. As décadas de 20/50 foram extremamente ricas para o Brasil. O Movimento Tenentista, A Coluna Prestes, a fundação do Partido Comunista Brasileiro, a Semana de Arte de 22, a deposição de Washington Luiz, a Revolução de 30, a Intentona Comunista, o Estado Novo e finalmente a Segunda Grande Guerra Mundial seguida da abertura democrática e suicídio de Getúlio Vargas, convenhamos, forneceu temas os mais variados para os jovens intelectuais. Junte-se a tudo isso os nascimentos de muitos jornais, a formação de uma consciência da Imprensa brasileira. E quando não for plausível que nada disso seja aceito como fortíssimo fator da formação de intelectuais, vale lembrar o modo mais romântico com o qual eles conseguiam ver seus atributos culturais reconhecidos. Os jornais foram, também o teatro, as grandes fontes das atividades dos intelectuais migrantes. Os livros editados, as revistas literárias foram a natural conseqüência da atividade intelectual. Soberanos, os jornais ainda não enfrentavam outras formas de competição e sendo a mais feroz, atual e violenta a Televisão, implantada nos anos 50.
Saliente-se que aqueles homens do passado não contaram com apoio oficial, e quando aquilo aconteceu não foi de modo tão visível e definitivo. Formaram-se por si mesmos. Claro, alguns tiveram amigos que lhes deram chance de reconhecimento. E nada devem a Alagoas. Graciliano Ramos é exemplo, sentia-se mal quando se falava de sua terra natal, que até mesmo desejaria fosse transformada num golfo oceânico. Pontes de Miranda voltou por aqui bastante envelhecido, apenas para receber uma homenagem. Aurélio Buarque costumava vir rever alguns amigos. Ledo Ivo sempre vem visitar sua terra, e em sua obra ela é retratada com intimidade e saudades. Mas é fato, e notório, que Alagoas, através dos seus vários governos, jamais procurou encaminhar um novo modelo de relacionamento com tais intelectuais. Antes, serviram-se deles quando algum escândalo político assumiu proporções nacionais. Aí, sim, abriram as portas dos cemitérios e gritaram pelos seus nomes pedindo que Alagoas fosse respeitada, por conta deles, das suas virtudes, por haverem se tornado referências nacionais e até internacionais. E quantas vezes também gritaram os nomes dos nossos marechais fundadores da República.
A mesma indiferença com a qual governos alagoanos trataram aqueles homens ilustres do passado, também é a mesma com os intelectuais de hoje, pesquisadores, poetas, ensaístas, contistas, historiadores, etc. Intelectuais e são bons quando morrem. Vivos, incomodam !
Intelectual é a mais estranha raça que habita o planeta. Encontra sempre uma maneira de sobreviver. Tem o estigma da eterna resistência. É uma espécie de "cupim" que veio do período pleistocênico, quatro milhões de anos atrás. O intelectual nasceu com a escrita cuneiforme dos sumerianos (Sumérios) e o alfabeto dos Fenícios. Somente um cataclismo universal acabará com essa raça quem tem em sua essência a utopia.
Todas as Nações do mundo reverenciam seus valores culturais, perenizando-os nos nas entidades culturais como "valores de referências" nos relacionamentos internacionais, e internamente na formação de novos rebentos.
Uma entidade cultural jamais seria melhor, ou pior, caso viesse a assumir um papel que não é apenas dela, mas da sociedade civil como um todo, particularmente na área política. Mas seus intelectuais, independentemente das suas entidades culturais (que não podem castrar as suas liberdades de pensamento), escrevem publicam, brigam o que podem pelas suas convicções, tanto políticas quanto ideológicas, ou literárias, comprometendo-se na medida das suas compreensões. Na medida das suas paixões.
Alagoas das décadas de 30/50 foi exportadora de talentos. E pobre na absorção dos grandes fatos nacionais. Mas uns tantos talentos ficaram por aqui. Novas gerações surgiram e estão aí, hoje, nos jornais, principalmente no suplemento literário do O Jornal, aos domingos, aliás, o único com um suplemento digno do nome. Nada impedirá o nascimento dos intelectuais, que editam seus livros em novas editoras. Quanto à notabilidade, maior, ou menor, as circunstâncias históricas ditarão isso, com certeza. As entidades culturais e os governos apenas terão que assistir a isso, e jamais assumindo a condição reguladora para tais eventos, telúricos, quase abiogenéticos.
O intelectual não é uma questão de governo nem de entidade cultural estabelecida, mas da humana condição das sociedades e seus conflitos e esperanças. Cada tempo, cada circunstância, com seu intelectual.
* É escritor

Jornal Opinião – Mendonça Neto





Não foi possível realizar a consulta ao banco de dados