Luiz Nogueira Barros
   
   
 nogueirabarros35@gmail.com  
.
         
Luiz Nogueira Barros
   

_____________

. Principal

. Notícias

. Entrevistas

. Crônicas

. Contos

. Poesias

. Ensaios

. Fábula

. Teatro

. Fallas
  Provinciais

. Governadores
  da República

. Mensagens
  Presidenciais

. 2ª Grande
  Guerra

. In memoriam

_____________

. Maceió

. Manifesto dos
  Estudantes

. Sessão Solene
  de Instalação
  da Ufal

_____________

. Sobre o Autor

_____________

 
 



Visitantes:

contador de visitas

 

NOTICIAS




26/05/2013 - 05h52min

Sugestões para a Comissão da Verdade

A título de colaboração

Fonte: Luiz Nogueira Barros

Gratíssimo, pela lembrança. Serei breve, e se possível aceitável, objetivo.
1 – Fica-me a impressão de que a Comissão precisa agir do centro para a periferia. E não o contrário. Explico-me;
- Depoimentos podem conter defeitos de toda a ordem. Desde ressentimentos até sentimentos de heroísmos e fantasias.Tudo, devidamente prejudiciais quando se tratar de documento histórico. Podendo, portanto tornar-se um documento de mão única, uma estrada que segue e nunca tem volta.
- Não acredito, pela minha formação de historiador, após os quase 50, cinqüenta anos do Movimento Militar de 1964, passada para a História como Revolução de 64, que ainda existam provas suficientes para uma condenação pelos seus excessos repressivos. Autores, de lado a lado, contestadores e revolucionários, muitos já morreram, e outros estão desaparecidos, ou mortos.
- Um Cartório de Registros, para fatos maiores, no momento,é virtual e está sendo tentada ter uma configuração através de depoimentos dos que restaram. Dos dois lados em litígio, isso me parece impossível. As inocências, bilaterais, prejudicariam tal fato. Jamais teremos um documento, de natureza histórica, totalmente confiável e em homenagem para as gerações posteriores.
- Entre os que restaram deveriam ser escolhidos os que, de fato, foram importantes, que escreveram histórias dignas de registro. Depoimentos secundários, sem importância consagrada será editar um dicionário que terá páginas lidas preferencialmente, e outras apenas aumentando seu volume e peso.
- No fundo, o que me parece importante, de fato, é a busca de uma solução para os mortos e desaparecidos, em atenção às suas famílias. E, pasmem, em alguns casos até às seguradoras, naqueles casos nos quais o desaparecido, ou morto, possa haver realizado algum seguro de vida e a família não poder apresentar um atestado de óbito: nem tenho a certeza de que existam casos dessa natureza. Mas sei, e muito bem, que o Brasil, por sua tradição religiosa, costuma sepultar seus mortos da maneira tradicional, organizando, em suas tradições, o registro dos seus mortos.
- A Comissão da Verdade deveria, portanto, ir ao centro da questão: reunir entidades importantes, Associação Nacional dos Jornalistas, Ordem dos Advogados do Brasil, Partidos Políticos, Ministério da Justiça, etc, etc, e solicitar reabertura para processos que envolvessem nomes de desaparecidos e mortos até hoje, como cobrança histórica, procurando esmaecer, e até apagar essa mancha que que tem causado insôncas e inquietações que corroem as consciências.
-Prosseguir em depoimentos, uns ressentidos, e outros heróicos, ou falsamento heróicos, em alguns casos, será mais um prolongamento que, posso estar enganado, tenho minhas dúvidas sobre seus resultados postivos, embora tenha a certeza dos seus resultados conflituosos e talvez pouco positivos. Quantos, de fato, deporiam com a segurança de, a honestidade de, haverem presenciados fatos relevantes e definitivos para a configuração real e propiciadora para uma ação jurídica eficaz.
- Quanto a mim, de fato, fui preso duas veze: em 1964 e 1973. E nunca me senti vítima, senão objeto de uma ação contrária ao que desejou a minha geração de jovens universitários contestadores e que sonhava com uma melhoria, e até mudança do sistema político vigente, de então.
-Fique bem claro, minha distância da possibilidade de estar perdoando a perda de rumos naturais e legais que a ação repressora, de então, tomou, ao seguir os caminhos da ilegalidade, silêncio e censura sobre o que se passava. E, à sombra disso, realizar coisas inimagináveis, lembrando o realismo fantástico dos escritores, dos romancistas.
- Tivemos a Anistia Ampla Geral e Irrestrita Tivemos a Redemocratização. Novas eleições, até hoje. Tais eventos precisam ser bem avaliados, e bem sabido os seus efeitos, na visão de cada um, que infelizmente, ou felizmente, prevalecerá, ao final. Cotejar isso com vidas perdidas, desaparecidos, mortos insepultos, ao menos de um lado, o dos que desejavam mudanças, está aí um desafio. Uma enorme reflexão Um enorme desafio.
- O momento nacional é bastante grave: o Estado já não atende ao dito e antigo desejo de ser o todo-poderoso em termos de presença e ditames administrativo-ideológicos: a globalização tornou o Brasil mais uma das suas múltiplas atividades e, de resto o todos os países do mundo. Se tudo começou com a Inglaterra, durante a fase da Revolução Industrial, a Segunda Grande Grande Guerra Mundial consolidou o que hoje está acontecendo:
A - As privatizações avançam em rítmo inequívoco e a abertura e modernização dos Portos Brasileiros, o mesmo ocorrendo com o Petróleo, estão aí para evitarem tais dúvidas. Os avanços nas áreas de Informática e Telefonia mudaram, repentinamente, o mundo, como um todo.
B – O termo negociação é a palavra de ordem para as próximas décadas. Se modernizado e feito estrela da nova ordem econômica mundial, com certeza será entronizada, sacralizada, até.
C -- Desideologizados, os partidos políticos tornaram-se focos preferenciais dessa nova fase da história brasileira.
D – Mortes de presidentes da República, após 1964, mostram suas faces suspeitas tanto que, notícias dão conta de possíveis exumações do que deles restaram. Portanto, além de mortos e desaparecidos, agora, a escala de dificuldades tem mais um degrau para ser subido, transposto.
Finalmente, a comissão da Verdade precisa de um foco essencial, definitivo, em face dos poucos, no entanto previsíveis e agudos acontecimentos nacionais:
Priorizar a solicitação de reabertura processual sobre os mortos e desaparecidos, em homenagem, um dever, às suas famílias e, finalmente, em nome da nossa História. Nada impede que se inicie a configuração de um Cartório de Registro Histórico para tal passado.
E ressentimentos e heroísmos sejam mantidos dentro dos padrões toleráveis ao inseguro e natural comportamento do psiquismo humano em face de pressões por vezes insuportáveis, neste momento tão solene da vida nacional.
E me desculpem, finalmente, se não seria melhor ser chamada de Comissão da Prudência Nacional.
E aqui não me movem, nem me comovem, medos de golpes e contra-golpes de Estado. Quem tiver dinheiro sobrando e forças extra-nacionais disponíveis, portanto, administre forças golpistas a altíssimos custos e resultados que precisam ser bem analisados, extremamente bem analisados.
Maceió, 21 de maio de 1973
Luiz Nogueira Barros






Não foi possível realizar a consulta ao banco de dados