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CRONICAS




10/11/2014 - 12h47min

Dênis Morreu!


Fonte: Luiz Nogueira

Dênis Morreu!
Luiz Nogueira Barros Gazeta de Alagoas –www. Luiznogueira.com.br
É sempre assim: ou o telefone, ou a televisão.Eles são velozes! E foi assim na morte do meu amigo Dênis. “– Dênis morreu.” Era a voz do meu irmão, Ródio Nogueira, do Jornal de Alagoas, e talvez o único a saber que o meu próximo livro de crônicas políticas seria dedicado a aquele amigo. Não fiquei perplexo: dois dias antes eu o havia visto no hospital, quando as suas últimas energias, estertorantes, se rebelavam contra a morte numa resistência trágica.
Dênis pertenceu a uma geração chamada utopia: daqueles que são capazes de segurar uma vela para iluminar o sonho por maior que seja a escuridão; daqueles que sabias que “...os sonhos são flores altas / de umas distantes montanhas / que um dia se alcançarão...”, como nos versos de Cecília Meireles; daqueles que sabiam que, como eu próprio disse, um dia, num poema “...que os sonhos inatingidos não abortam / são gestações que saberm esperar...” e por isso Dênis morreu em estado de graça.
Entrará, com alguma certeza, para o panteão de outros utopistas não contemplados na existência terrena senão com a luta permanente e consumidora de tantas vidas. Parece-me, e começo a acreditar, que existe uma estranha conspiração genética colocada na alma dos utopistas e que os predispõem a luta. Estranha raça essa dos utopistas e que os predispõem a luta. Estranha raça essa de utopistas e sem a qual a humanidade pereceria pelo conformismo.
Dênis foi assim: arguto no olhar, risonho e amável nas palavras, mas firme nas decisões. A bem da verdade, ainda conservava um certo ar de colegial satisfeito com a existência atribulada, guardando zelosamente no recôndito da alma as cicatrizes que a vida lhe havia reservado.
Nada lhe terá sido mais propício quando fim da tarde e eucaliptos balançantes na hora em que desceu à sepultura fria, aquecido pelas palavras do seu amigo Freitas Neto, inconformado com a separação. E nem tão nada lhe terá sido mais gratificante que a imensa legião de amigos e admiradores, que a tudo assistiam com um soluço reprimido na garganta.
A morte, para Dênis, não foi uma derrota. É certo, foi uma privatização da sua presença entre seus familiares. Uma trágica privação, sabemos todos, e lamentação como amigos.
Cecília Meireles costumava dizer e escreveu ...vivemos do que perdura... como conformação para essa trágica viagem ao mundo do desconhecido. Uma coisa é certa, meu caro Dênis: de ti perdurarão as melhores lembranças para os teus familiares e os teus amigos.
Depois a noite foi chegando e com ela os grilos, incansáveis seresteiros da escuridão. Passos lentos, fui deixando o “campo santo” acompanhado do meu amigo Stéfane Brito, não encontrando sentido para as lavaras. E nos despedimos.
Num último lance ainda olhei o céu: as estrelas pareciam sorrir. E ainda pensei:- Dênis incorporou-se ao Universo. Retornou as origens..





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