Canário da terra
Canário da terra,
embora estridente,
meu canto é curto.
Não tenho montanhas
de neblinados picos,
nem densas matas,
nem cachoeiras,
só as planuras
do meu sertão.
E aqui e ali
nas solidões ensolaradas
um solitário monte
que ao céu se eleva,
na terra em transe,
aos olhares dos viajores
lembra o dedo do Criador.
Também é verdade
que nos maciços
que se formaram
em antigas eras
restos de matas e cachoeiras
falam de histórias
inverossímeis, e fabulosas.
E habituei-me
no vôo tão curto
ser o Condor
dessas paisagens.
E sei das Águias
de outras paisagens,
e sei também
de outras aves
- por migratórias –
aqui passeiam.
E sei por fim
da sinfonia universal
que une os pássaros.
Daí que canto
e no curto canto
busco o encanto !
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Luiz Nogueira Barros - Maceió, 01.09.1998