O fantasma e o vento

Pétalas sem cor

e sem perfume

da rosa

morta no ventre

da fantasia.

E no jardim

d’inesperado outono

ao sabor do vento

que passa leve

com passos de brisa

e sobre o chão

revolve os restos

do que foi sonho

há solidão.

E o vento diz

que ali um dia

houve uma rosa

que era a primeira,

tão grande e bela

mas só o projeto

que conheceu

no curto tempo

da duração

de ser botão.

E, que ainda assim,

no tal jardim, há o fantasma

de certo homem

que tenta em vão

compor com as pétalas

da rosa morta

o que foi sonho

de abrir-se ao mundo.

E que fala sempre

com a insistência

dos tresloucados

da morte inglória

do tal botão.

E em seus delírios

nas noites claras

chora a dor

da fantasia

que o enganou.

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Luiz Nogueira Barros

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